Uma vez estagiário, sempre estagiário.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Sétima Lei

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Quando tinha minha pouca idade, trabalhando de lavador de pratos, na cozinha do restaurante do italiano e sempre ficava irritado com o Nono, o chefe de cozinha.

Trabalhávamos feito condenados, ouvindo berros e chingos todos os dias, e no final, quando algum cliente vinha dar os parabéns, ele recebia todo o crédito; poucas eram as vezes que ele comentava algo conosco.

Lentamente fui subindo de cargo na cozinha. De lavador de pratos cheguei ao cargo de açougueiro, depois de Garde Manager, e quando estava como Sous Chef, Nono teve uma febre muito forte e não foi trabalhar.

Como era o segundo no comando, fiquei encarregado de toda a cozinha. Chamei todos e comentei:

- Hoje, como Nono não está, vamos fazer diferente. Não vou gritar com vocês, muito menos usar palavras de baixo calão. Vamos fazer as coisas como uma equipe, assim, vamos ter um ambiente melhor para se trabalhar.

Foram necessários trinta minutos de cozinha aberta para o caos se iniciar. Os molhos estavam salgados demais, as carnes cruas, o acompanhamento não estava cortado proporcionalmente e os risotos e massas poderiam facilmente substituir massa e tijolo na construção civil. Não entendi o por quê aquilo estava ocorrendo, e comecei a ficar preocupado. Não soltava nenhum dos pedidos por conta da comida estar nojenta e repugnante.

Após tentar insistentemente conversar educadamente com todos durante os próximos trinta minutos, perdi a paciência:

- Vão a merda todos vocês! Como conseguem soltar um produto que não tem qualidade nem para ser dado para os famintos na rua? Vocês tem cinco minutos para soltar pratos para serem dignos ao paladar e aos olhos dos clientes, se não fecho essa merda de restaurante e peço ao Nono que despeça a todos!

Em três minutos todos os pratos estavam sendo servidos pelos garçons com um padrão de qualidade melhor do que os feito por Nono. Foi então que entendi o real trabalho de um chefe. Fazer com que todos trabalhem sob pressão ao ponto de não errarem e não terem tempo para errar. E quando me chamaram para me dar os parabéns pelo serviço, entendi que realmente os parabéns eram para o chefe, pois se não fosse ele, a comida de cachorro seria mais apetitosa do que a que sairia da cozinha.

Portanto:

FAÇA COM QUE OS OUTROS TRABALHAREM POR VOCÊ MAS SEMPRE FIQUE COM O CRÉDITO

terça-feira, 18 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Sexta Lei

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Já ouvi diversas vezes a expressão:


"O que traz valor, é a escassez".



Nunca entendi a ideia por trás dessa frase quando aplicado a pessoas. Imaginava, que eu já era escasso, afinal, sou único neste mundo. Pois foram com os meus vinte e poucos anos que entendi que eu era apenas mais um. Me vestia como todo mundo, conversava igual a todo mundo, andava, falava, comentava, tinha visões iguais a todos. É lógico que, algumas peculiaridades eram diferentes, mas o contexto geral era igual. Foi então que decidi que gostaria de ser escasso.



Trabalhei duro durante quase um ano e quando tirei minhas férias, joguei fora todo o meu guarda roupa. Comprei mais de trinta livros desde comportamento e auto ajuda, até investimentos e astrofísica. Cortei o cabelo, fui ao supermercado e comprei todos os ingredientes necessários para fazer uma bruschetta, um macarrão à carbonara, e um licor de trufas amargas, mesmo não sabendo se tinha outros tipos de trufas e nem ao menos sabendo pronunciar corretamente as duas palavras italianas.



Mudei minha postura ao andar, comprei um relógio para não me atrasar aos compromissos, fui ao dentista para fazer uma branqueamento nos dentes, e até mesmo ao dermatologista fazer limpeza de pele.



Quando voltei ao trabalho, disseram que era outra pessoa, afinal, EU BRILHAVA. As pessoas comentavam que eu intimidava elas, apenas pelo jeito de falar, curto e com educação.
"Sim, será feito.", "Não, infelizmente não posso fazer.", "É possível, mas são várias as variáveis impactantes."



Sobressai tanto, que a minha escassez começou a ser cobiçada, a intempérie que não havia previsto é que a cobiça veio acompanhada de inveja por alguns.



Mas a questão é que hoje, sendo escasso, percebo o meu real valor, quem realmente eu sou. Quando se é escasso, você brilha, como ouro ou pérolas sobre uma pele de uma mulher no meio de uma multidão. São tão escassas que nada brilha mais que aquilo. Portanto meus amigos:



CHAME A ATENÇÃO A QUALQUER PREÇO

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Quinta Lei

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Entrei no hotel e não reconheci nenhum rosto que me encarava no hall, e olhe que eram dezenas deles. Cheguei na recepção e pedi pela minha chave. Em menos de dez segundos elas já estavam na minha mão com um aviso do recepcionista que havia chegado uma nova safra de uísque diretamente da Escócia. Antes de me afastar, me perguntou:

- É verdade que o senhor matou Fuzzini com suas próprias mãos?

Olhei para ele, dei um sorriso, e me dirigi para o bar. Lá a bartender perguntou o que eu gostaria. Disse a ela:

- Grant's, quinze anos.

- Com gelo, senhor?

- Minha cara, de frio, basta-me meu coração. Puro, por favor.

Me sentei na mesa, peguei meu Trinidat e o acendi, embaixo da meia luz que estava o bar, fechei os olhos para contemplar aquela linda música que estava tocando. Sweet Sixteen, do Rei do Blues, B. B. King.

- Suzy, é o seu nome, correto senhorita? - Disse à bartender.

- Como o senhor sabe? - Respondeu meio espantada.

- A senhorita tem um rosto de Suzy, e também porque está escrito em sua blusa.

- Ah, verdade. - Disse ela encabulada - Senhor, posso lhe perguntar uma coisa?

- Mas é claro, Suzy.

- Como é ser o homem mais poderoso da região?

- Não sei minha cara, mas quando encontrá-lo, prometo que pergunto.

- Ora, por favor, Senhor. O Senhor sabe que é mais poderoso que todos os homens aqui presentes.

- Suzy, não é o que eu sou que me faz poderoso. É o que eles acham de mim que me fazem assim.
Me levantei. Agradeci pela bebida e pela companhia. Antes que eu pudesse sair do bar, um homem descuidado trombou em mim. Olhei para ele surpreso, e seus olhos olharam diretamente para os meus. Observando quem eu era, suas pupilas dilataram, seu queixo caiu e ele se afastou rapidamente.

- Se.. Se.. Senhor, desculpe-me! Mil desculpas. Não foi intenção eu esbarrar no Senhor.

- Desculpado meu caro, mas não cometa o mesmo descuido novamente.
Fui para o meu quarto. Tirei o blazer, desfiz o nó da gravata e desabotoando a camisa, fiquei lembrando do ocorrido. Nunca precisei ferir um homem. Nunca precisei ser desrespeitoso com alguém. Nunca precisei denegrir ninguém. A única coisa que precisei, foi manter uma reputação ilibada, e meus amigos, como isso é difícil.

Uma dica para vocês:

MUITO DEPENDE DA REPUTAÇÃO. DÊ A PRÓPRIA VIDA PARA DEFENDÊ-LA.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Quarta Lei

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Havíamos brigado! E que briga. 

Disse que nunca mais queria me ver. No outro dia, passei na casa dela. Toquei a campainha, e ela veio me receber. Com os olhos inchados de chorar, me perguntou secamente o que queria. A única coisa que disse a ela foi - Entre no carro, preciso te contar algo. Ela entrou, e comecei a dirigir.
Irritada, começou a indagar e lembrar das coisas ditas na hora da briga. Eu permaneci mudo. Discutindo comigo, em meio a lágrimas começou a me amaldiçoar, a dizer coisas que estavam presas em sua garganta, e que ontem não conseguiu expressar em palavras. Ouvindo todas elas calado, continuei a dirigir.

Após quase uma hora no carro, estacionei em uma colina, a alguns quilômetros da estrada que ligava a nossa cidade a mais próxima. Olhei para ela e esperei a poeira da estrada de terra baixar um pouco. Sai do carro e sentei no capô. Esperei-a vir até mim. Ela perguntou onde estávamos e o que precisava tanto mostrar naquele lugar.

Meus olhos apenas contemplavam a vegetação, um amarelo avermelhado, enquanto o alaranjado do pôr do sol reinava no céu. Não estava quente nem frio, mas lembro que o ar estava meio seco.
Olhei para ela, puxei-a para os meus braços, dei-lhe um beijo na testa, e mostrei pra ela a paisagem dizendo:

- Menos de vinte e quatro horas, e ainda sim, depois de ouvir tudo o que você disse, tenho certeza que é você com quem eu quero estar.

Poucas palavras ditas. O suficiente para acabar com as mágoas, brigas, irritação e raiva. Falei menos do que foi preciso, mas o suficiente para acabar com um período ruim no relacionamento.

Portanto, lembrem-se:

DIGA MENOS DO QUE O NECESSÁRIO

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Terceira Lei

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No meu primeiro colegial havia o valentão da escola. Andava sempre com mais três capangas. Sabendo da sua força física e do medo que causava nas outras crianças, ele sempre roubava os lanches, e às vezes até dinheiro ou trabalhos.

Certo dia, estava sentado como de costume comendo o meu lanche, quando ele aparece atrás de mim, utilizando aquela frase no imperativo:

- Passe para cá o seu lanche!

Logicamente, não passei. Ele tentou pegar, e vendo que a sua tentativa seria em vão, desferiu um soco no meu rosto. Surpreso pelo ataque que não havia esperado, cai no chão.

Comecei a chorar.

Todos os alunos que estavam próximos estavam assistindo a cena. O valentão e seus amigos começaram a dar risada, enquanto eu estendido no chão, chorava. O grandalhão então veio próximo do meu rosto e disse:

- Mas que menininha, não aguenta nem um soco.

Naquele momento, vendo que ele havia abaixado, levantei rápido, e desferi um soco com a maior força que encontrei dentro de mim. Ao cair no chão, desnorteado por conta da força e da surpresa, ele ficou sem reação. Pulei em cima dele, e comecei a desferir vários socos no rosto, enquanto gritava e deixava a mistura de saliva e sangue cair da minha boca. Os então amigos dele, vendo a minha ira e raiva, nada fizeram. Então, depois de verificar que ele estava desacordado, olhei para os seus capangas, com as pupilas dilatadas, os punhos ensanguentados, saliva e sangue do lábio inferior até o queixo, e com a respiração ofegante, me levantei. Os três correram, e eu fui ao banheiro me lavar.

Por um curtíssimo período de tempo, acharam que eu era apenas um indefeso, joguei uma pista falsa para eles, o choro foi apenas uma cortina de fumaça espessa para que eles não entendessem o meu real objetivo. Por isso, leitores:

OCULTE SEMPRE SUAS INTENÇÕES

terça-feira, 11 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Segunda Lei

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Concordo que fui muito ingênuo em mostrar o meu projeto para o famigerado "amigo" de trabalho. Na mesma semana que lhe disse sobre o novo projeto que ia mostrar ao meu chefe, o mesmo já foi contar para a outra equipe. Os malditos pegaram as minhas ideias e estavam fazendo uma cópia. É lógico que o até então "amigo", iria receber uma parte dos ganhos, mas o que doeu não foi o fato dele ganhar com isso, mas sim a punhalada pelas costas que levei.

Naquela semana, pedi dois dias de afastamento para o meu chefe, salientando problemas de saúde. Naqueles dois dias, me tranquei no meu escritório e encontrei todos os possíveis erros práticos e teóricos no meu projeto. Um simples detalhe que não havia visto com cuidado, transformaria o projeto em um gasto excessivo de dinheiro sem nenhum retorno.

No outro dia, o mesmo havia me dito que a outra equipe havia proposto um excelente projeto e gostaria que eu os ajudasse. Disse que gostaria de uma reunião para comentar alguns pontos e ele assim o fez.


Naquela mesma reunião, comentei todos os erros que o projeto havia com todas as minucias possíveis. Ele olhou para mim e perguntou como eu sabia de tudo aquilo. Respondi que a ideia foi minha, mas que a outra equipe quem me ajudou a fazer. Por conhecer melhor o projeto gostaria de ser o responsável pelo mesmo, deixando todos sendo meus encarregados diretos. Ele aceitou.


Quando fui conversar com eles, deixei bem claro que sabia o que eles tinham feito, mas também sabia que eram mais bem preparados que a minha antiga equipe. Disse ao meu amigo que ele tinha duas opções, ou se despedia ou sofreria até o término do projeto, por tamanho filha da putagem. Dois meses depois pediu a conta por não aguentar a pressão. O projeto foi um sucesso e ganhei uma grande fatia dos ganhos, enquanto os demais ganharam menos do que imaginavam.


Lembrem-se sempre meus caros:


NUNCA CONFIEM DEMAIS NOS AMIGOS. APRENDAM A USAR OS INIMIGOS.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

As 48 Leis do Poder - Primeira Lei

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Me lembro como se fosse ontem, quando o meu professor cometeu um erro grosseiro em sua explicação. Iria passar despercebido por uma sala onde poucos estavam prestando a devida atenção, se não fosse por aquele aluno presunçoso que levantou a mão, e disse aquelas palavras, com um olhar de deboche:


- Professor, o senhor está errado!

A classe inteira parou após aquelas frases. As conversas paralelas cessaram, os celulares foram desligados, e os notebooks foram fechados. Todos os olhos estavam voltados para o professor, que olhava para o aluno presunçoso em questão. O ódio estava estampado no rosto do mestre, enquanto um leve sorriso de felicidade se mostrava no rosto do aluno. Iria permanecer-me oculto, mas não resisti a tentação. Levantei a mão de disse:

- Acredito que o senhor não esteja errado professor, afinal, a ideia principal de sua fala não está errada, apenas a conclusão final foi equivocada.

Olharam para mim com uma cara de interrogação. O professor agradeceu, perguntou meu nome e eu o disse em bom tom, sem presunção, sem medo, sem soberba, apenas como um simples aluno. O presunçoso por outro lado, me olhava com os olhos de raiva, por ter tirado o seu brilho. Idiota. Teve a oportunidade de se conseguir uma boa influência com o professor, e a deixou passar. Hoje, consegui uma excelente carta de recomendação do mesmo professor, e na mesma constava-se a frase:

"[...] competente não somente nos estudos, mas também, possui alto nível de trabalho em equipe e reconhecimento de autoridade".

Meu amigo, não sejam presunçoso, não tentem ser melhor que seu professor, e o mais importante...

NUNCA OFUSQUE O BRILHO DO MESTRE.