Uma vez estagiário, sempre estagiário.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O reencontro de um amado esporte

Escrito por with 2 comentários
Desde criança sempre me senti excluído nas aulas de Educação Física. Nunca gostei de futebol, paixão nacional, muito menos vôlei e basquete, os dois esportes que apesar de não serem tão famosos quanto o primeiro são aceitáveis socialmente. Sempre tentei encontrar algo que me deixasse com um sorriso no rosto após uma partida ou treino - a academia foi um excelente achado, mas não considero aquilo como um esporte - mas nunca encontrei algo que pudesse dizer que tivesse tesão de praticar. Karatê, Judô, Aikido, Muay Thay, todas as artes marciais consideradas pops no Brasil também já havia tentado - vale ressaltar que até o presado momento não encontrei nenhuma academia na minha cidade onde ensinam o boxe tradicional, mas ainda estou a procura. Até que, um dia, este amigo meu que está ao meu lado na foto, me mostrou o paintball.

Para quem não sabe, o paintball é um esporte de combate, onde cada jogador é munido de um marcador - muito comumente chamado, de maneira errada, de arma - onde é disparado bolinhas de tinta com ar comprimido. Existem diversos tipos de jogos, como o speed, cenário, real action, enfim, o paintball é um esporte muito versátil onde homens e mulheres podem jogar de igual para igual, além de ser atualmente um dos esportes que mais cresce em número de praticantes, tendo hoje mais esportistas do que surfistas.

Havia jogado algumas partidas antes do intercâmbio, e lá fora ainda tive a oportunidade de jogar em campos mais abertos e na neve. Após vários anos tentando encontrar algum esporte, percebi que no paintball consigo dizer que sou feliz, após uma partida, embaixo de um Sol de quarenta graus, em uma cidade onde a umidade estava a menos de cinquenta porcento naquele dia, mas nada substitui o prazer de jogar uma partida deste esporte.

O que mais me chama a atenção no paintball é que uma partida, não é igual a outra, como eu acreditava ser em todos os outros tipos esportes, afinal, a sua estratégia muda conforme a estratégia do inimigo muda, além, logicamente de no meio da partida, algum jogador chave ser eliminado e você ter que cobrir o flanco que ele estava protegendo, tendo que proteger dois lados, sendo a mira de dois ou mais inimigos ao mesmo tempo, sabendo que se vacilar, terá um novo roxo no corpo para contar história. Outro ponto que adoro neste esporte é que nunca sai do campo e as pessoas estavam brigando, sempre voltavam da partida cansadas, com sede, mas com um sorriso no rosto se vangloriando ou brincando com o outro jogador por ter tomado um tiro sem saber de onde veio. Novas amizades surgiram durante os jogos, sem contar a experiência trocada a cada nova conversa.

O paintball é um esporte que, por mais que você acredite que não precisa de preparo físico, é o que mais me deixa cansado, pois você precisa a todo momento estar agachado para não ser eliminado do jogo. Precisa correr entre as barreiras para avançar posição, ou ainda correr para alcançar um local privilegiado no começo do jogo, sem contar que, aquele que não muda de posição é considerado um jogador a menos, pois após ser spotado é questão de tempo para os outros jogadores fixem você como alvo.

Este esporte também é utilizado para reconhecerem possíveis líderes dentro de uma amostra de pessoas, pois sempre haverá aquele que em meio a um determinado momento irá comandar os outros para que consigam ganhar a partida. Há aqueles que também gereciam partes das pessoas, também chamados de líderes de pelotão, onde conseguem através de uma tática em uma fatia de um campo com poucas pessoas se mostrar excelente estrategista, conseguindo fazer com que pessoas que nunca jogaram este esporte se tornem peça chaves para a captura de um ponto. Além dos atributos individuais de cada pessoa, como por exemplo, o medo, onde normalmente as pessoas que ficam próximas da base ficam, os que correm riscos, que são aqueles que se arriscam a conseguir um ponto mais distante mesmo que isso signifique correr em meio ao fogo cruzado, ou ainda ficar cara a cara com o inimigo, os inconsequentes, que são aqueles que não acatam as dicas ou ordens e fazem tudo com a ideia de, eu por mim e deus por todos. De maneira geral, este esporte é realmente o esporte que eu estava procurando, e recomendo a todas as pessoas que o pratiquem, logicamente, com as devidas proteções, deixe a ausência das mesmas para momentos onde você esteja mais habituado com a possibilidade de tomar uma bolinha de tinta a alta velocidade onde possivelmente lhe deixará um roxo por algumas semanas.

Uta!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quando não se fazer concurso público

Escrito por with 19 comentários
Como o título da postagem vai trazer muita discussão, já quero deixar claro que não sou contra as pessoas que são concursadas ou estão tentando entrar em algum cargo que exija um concurso. Tenho várias pessoas na minha família e amigos que são concursados e muitos deles são competentes e trabalham mais do que qualquer outra pessoa no ramo privado. A questão dessa postagem é saber quando se deve ou não fazer concurso público.

Se você tem tesão por alguma área que exija concurso público, como por exemplo, juiz, procurador geral da república, gosta de trabalhar com eleições e seu sonho é trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral, ou ainda tem uma vontade de ajudar a população e gostaria de ter um trabalho no estado para ter mais acesso a isso, então o concurso público é para você. O concurso público deve ser tratado como uma carreira qualquer, assim como em uma empresa privada, você analisa verifica se aquele trabalho é o que realmente quer e almeja para a sua vida, dai é só correr atrás dele, ponto.

Agora, se você está prestando concurso público por dois motivos principais que atraem várias pessoas que são, salário e estabilidade, está na hora de rever seus conceitos. Primeiro que as pessoas que procuram estabilidade em concursos públicos, na minha singela opinião, são pessoas que não conseguem um retorno além da mediocridade, afinal, uma pessoa que tem resultados não tem medo de instabilidade das empresas privadas, porque a primeira pessoa a ser cortada é o pessoal que não trabalha direito ou trabalha mas não consegue bons resultados. Ir para o concurso público por conta de estabilidade, que hoje em dia com a crise que está assolando o Brasil, esta estabilidade é até questionável, é assinar contrato de baixa produção ou ainda de mediocridade.

Sobre o segundo ponto que é o alto salário em relação as empresas privadas; vou contar uma história bem simples que vários nikkei faziam nos anos noventa. Quando você é descendente de japoneses, você podia ir para o Japão à trabalho. Muitos dos meus familiares fizeram isso, foram para lá para trabalhar ou na industria pesada ou na área de montagem de produtos, como carros, eletrônicos e tudo o mais. A grande maioria deles foi para voltar, entretanto muitos deles foram para permanecer nas terras do Sol Nascente. Enfim, dos que pensaram em ficar por lá, apenas um realmente ficou, porque ouvidos da boca deles, "não compensa ganhar cinco mil reais por mês para apertar parafuso durante oito horas por dia, cinco dias na semana". E essa frase resume o que quero dizer sobre tentar concursos por dinheiro, e não pelo trabalho. Quantas pessoas eu conheço que dizem assim, "cara, abriu um concurso aqui, para polícia florestal, quatro mil e você só precisa ter ensino superior!", dai você responde, "legal cara, mas o que o pessoal deste concurso faz? Você conhece o dia a dia da profissão?", e a resposta é, "e o que importa? São quatro mil reais por mês!". Concurso público não é um cardápio de restaurante onde você escolhe o mais fancy, pelo amor de Deus!

Você tem que ter noção de que terá que trabalhar com isso durante mais da metade da sua vida. Vamos fazer alguns pequenos cálculos. Você começa a trabalhar em um emprego público aos vinte anos, você irá se aposentar aos sessenta, isso são quarenta anos. Um ano normal tem em média duzentos e cinquenta dias úteis; quarenta anos são dez mil dias úteis, trabalhando oito horas por dia, são oitenta mil horas de trabalho. Agora imagine você trabalhando oitenta mil horas apertando parafuso. Você no final da sua vida vai se sentir uma pessoa que deu algo em troca para a sociedade? Já pensou nisso? Ou será que vai ser aquelas pessoas que dizem que o trabalho não enobrece o ser humano? Ah, só para constar, o trabalho é o que você realmente é! Não venha com essa de que você não é o seu trabalho, citando frases do filme Clube da Luta, afinal, Durden tinha uma empresa de sabão de sucesso e ainda controlava uma empresa filantrópica multinacional, então até ele era o trabalho dele, mesmo dizendo essas frases bonitas.

Olha, vou mostrar uma boa saída pra você que quer um concurso público por estes dois motivos. Primeiro, veja o quanto você gasta, em dinheiro e tempo, para estudar para os concursos. Muitas das pessoas que estudam, precisam de foco para conseguir passar, portanto, não trabalham. Imagine que, com esta mesma cifra que você gasta tentando passar em um concurso público e com dez porcento do que você gastou de tempo, você poderia fazer cursos ou MBA's para dar uma melhorada no seu currículo e se tornar um empregado melhor, com um melhor salário e mais preparado para o mercado do trabalho. Quem trabalha somente pelo dinheiro será uma pessoa desiludida na vida. Quem trabalha por estabilidade, será sempre um medíocre. Pergunto, você gostaria de ser uma pessoa desiludida e medíocre? Então pense bem antes de tentar um concurso público.

Uta!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Por que você anda de moto?

Escrito por with 1 comentário
Robert Pirsig, escritor americano, um dia disse:
Dentro de um carro, você sempre está envolto em um compartimento, e por conta de estar acostumado a isso você não percebe que a janela do seu carro, nada mais é que uma televisão. Você é um observador passivo, e tudo passa por você de modo entediante dentro de um quadro. Quando você está em cima da motocicleta, o quadro se fora, você agora está em contato com tudo, você é a cena, não apenas um observador, e a presença disso é indescritível.
Acredito que nunca tenha havido um momento em minha memória, onde eu pensei em trocar minha moto por um carro ou algum outro veículo. A minha vontade por dirigir motos sempre esteve presente em minha vida, assim como um homem com fome tem desejo de uma comida, e o cego tem a ânsia de poder um dia enxergar, porém nunca pensei o real motivo pelo qual eu ando de moto, até que em uma conversa de bar com amigos a pergunta foi feita. É lógico que nos primeiros pensamentos foram inundados por aquelas frases clichês como, porque é liberdade; porque eu gosto; porque me sinto vivo; mas qual o significado que teria para uma pessoa que nunca teve o prazer de ter seu braço direito paralisado pelo esforço de puxar o guidão para acelerar; uma pessoa que não sabe o que é ter o pé esquerdo de todos os sapatos e tênis uma marca exatamente em cima do dedão, local onde a marcha é trocada; um ser humano que não sabe o misto de medo, temor e paixão que é entrar em um corredor estreito de carros parados em um semáforo; como explicar para uma pessoa que nunca teve essas sensações e experiências, frases que nós motoqueiros sentimos todas as vezes que damos partidas em nossas motos e nos tornamos apenas um ser, um ciborg, onde homem e máquina se fundem e se entendem? Para tentar encontrar uma frase que possa ser explicada para este tipo de pessoa, eu tentei fazer uma análise do meu passado para encontrar o real motivo.

Ao se fazer uma retrospectiva, percebi que o amor pelas duas rodas, ainda totalmente incompreendido, começou antes mesmo de ter o poder de controlar uma máquina dessas. Com dez anos fui a um encontro de motoqueiros com o meu pai. Meus olhos fitavam as motos, na época, grande parte delas eram do tipo custom e seus donos eram homens com cara de mal, que usavam aqueles coletes de couro para se distinguirem de seus clubes de motos e mostrarem quem era quem, apesar de grande parte deles haverem em seus rostos a mesma configuração, barba grande, cabelos cortados, ambos grisalhos e olhos que pareciam de almas que tinham visto pela primeira vez a imensidão do paraíso. Esta imagem perdurou na minha cabeça até os meus dezoito anos. Esperei o meu décimo oitavo aniversário como uma criança pequena espera o presente de Natal, e em menos de uma semana após ter completado dezoito anos já tinha entrado com o processo para a retirada da carta de moto e de carro. Naquele tempo, meus pais possuíam uma potente CG 125 que ainda está em nossas mãos. A necessidade de dirigir era maior que o gosto, não vou mentir, no começo da minha vida de motorista. Em dias de frio e chuva, trocava as duas rodas pela gaiola de metal dos carros, e só subia na cela da moto pela comodidade e praticidade que era dirigir uma em meio aos carros no complicado transito do centro da cidade. Depois dos vinte anos, já andava de moto mesmo quando havia chuva ou frio, momentos onde o carro já era confortável, agora se tornava um peso mesmo que chegasse em meu destino mais quente e menos encharcado da chuva. Naqueles momentos eu percebia que por mais complicado o trajeto ficava e às vezes, até mesmo, penoso, mais eu gostava e mais me sentia feliz em fazê-lo. Não era ruim para mim ter que vestir a capa de chuva, ou passar um frio que me deixaria com dor de garganta os próximos três dias. Quando troquei a moto por uma Fazer 250, foi quando eu fiquei viciado na injeção de adrenalina, a velocidade.

Antes de ir para o Canadá, a velocidade se tornara uma paixão, coisa que não conseguia encontrar no carro, mas somente na moto. A sensação de estar nos corredores, passar a cinquenta, às vezes sessenta quilômetros por hora em meio aos carros no congestionamento, piscando a luz alta e buzinando, tendo aquele medo de se algo de errado ocorre-se, sentindo o risco em minha volta, a cada segundo, a cada acelerada, a cada desvio seco que fazia com as mãos no guidão. Aquela tensão que criava nós nos músculos do ombros que ficavam por lá semanas, era algo que me fazia sentir alegre, contente, e indiferente do que ocorrera no meu dia, naquele exato momento não havia passado, nem presente, somente o momento, o agora, onde tudo era importante e o resto de nada valia. Neste época o meu sonho ainda era ter uma moto  custom, as linhas dos contornos das motos da Harley Davidson pareciam os contornos dos corpos das mais belas mulheres do mundo. A mecânica por trás daqueles motores e pistões cromados pareciam o pulsar de um coração à mostra, com o tórax aberto onde um cirurgião poderia colocar as mãos à obra. A vontade de ter uma moto dessas, com dois pistões subindo e descendo entre as minhas pernas ainda era absurdamente grande, não tinha o mesmo tesão pelas motos carenadas ou até mesmo as naked, imagina então uma trail ou de trilha. Neste momento era como um homem que gostasse apenas das loiras de olhos azuis, e as demais mulheres eram apenas uma infeliz alteração genética dessas beldades.

Ao voltar do intercâmbio, com uma abstinência de pouco mais de dezoito meses sem colocar a mão em um guidão e com a cabeça mudada em muitos aspectos já comentados no blog, e o gosto pelas motos também foi alterado. Já não se fazia necessário uma moto custom, mas qualquer estilo tinha seus benefícios e pontos positivos. As customs tinham um ar de soberania e poder, as carenadas tinham seu ar de velocidade, as nakeds o jeito híbrido de velocidade e poder das anteriores, as trails de serem inalcançáveis e as de trilha de serem donas das estradas e do mundo. Cada uma com suas belezas, assim como as mulheres com cintura fina, as loiras e seus cabelos que chamam atenção, as mulatas com sua cor do pecado, as de bunda grande que sobressaltam os olhos, ou as de peitos fartos que não conseguimos parar de olhar, até mesmo as gordinhas e magrinhas com seu ar de exigência de respeito, todas elas lindas e maravilhosas, todas com o suas maravilhas. Após voltar a andar neste período de pouco mais de um mês, de ver todos ficando para trás, e ter a oportunidade de pegar uma moto de seiscentas cilindradas e colocar mais de duzentos e quarenta quilômetros por hora em uma estrada, o fogo da paixão pelas duas rodas voltou a arder e então após essa volta ao passado, eu consegui descrever o motivo pelo qual eu ando de moto:
Eu ando de moto porque em cima dela não preciso pensar em mais nada a não ser no momento. É como se o passado e o futuro não existissem, é como se nada fosse importante a além do momento que estou dirigindo-a entre o ponto de partida até o meu destino. Mas ao contrário do carro onde ele é como um cavalo, que precisa ser domado, no caso da moto, não há outro ser ou coisa... a moto se torna você. Os seus sentidos são passados para a moto, como se naquele momento suas veias corressem gasolina e óleo, os seus músculos fossem movidos pelo seu coração de pistão que explode a cada contração, e como se seus olhos brilhassem como os faróis. Quando eu ando de moto é como se eu escrevesse um livro que a cada página escrita o fogo a queimasse de imediato, como se cada papel que eu terminasse de escrever fosse comido pelo tempo, e sumisse aos meus olhos de escritor, mas que fosse impossível parar de escrever. Eu ando de moto, porque é o momento em que não existe amores, traidores, amigos, inimigos, pessoas, ou qualquer outra coisa que estivesse no seu caminho. Eu ando de moto, porque cada acelerada, cada nova paisagem vista é como se fosse um banho após um dia duro de trabalho, que rejuvenesce a cada gosta que cai no meu rosto. Eu ando de moto, porque não há como descrever o sentimento de felicidade e alegria que você sente ao mesmo tempo que o medo da morte se faz presente. Eu ando de moto, porque sou e sempre serei um motoqueiro.
Uta!