Uma vez estagiário, sempre estagiário.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quando não se fazer concurso público

Escrito por with 20 comentários
Como o título da postagem vai trazer muita discussão, já quero deixar claro que não sou contra as pessoas que são concursadas ou estão tentando entrar em algum cargo que exija um concurso. Tenho várias pessoas na minha família e amigos que são concursados e muitos deles são competentes e trabalham mais do que qualquer outra pessoa no ramo privado. A questão dessa postagem é saber quando se deve ou não fazer concurso público.

Se você tem tesão por alguma área que exija concurso público, como por exemplo, juiz, procurador geral da república, gosta de trabalhar com eleições e seu sonho é trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral, ou ainda tem uma vontade de ajudar a população e gostaria de ter um trabalho no estado para ter mais acesso a isso, então o concurso público é para você. O concurso público deve ser tratado como uma carreira qualquer, assim como em uma empresa privada, você analisa verifica se aquele trabalho é o que realmente quer e almeja para a sua vida, dai é só correr atrás dele, ponto.

Agora, se você está prestando concurso público por dois motivos principais que atraem várias pessoas que são, salário e estabilidade, está na hora de rever seus conceitos. Primeiro que as pessoas que procuram estabilidade em concursos públicos, na minha singela opinião, são pessoas que não conseguem um retorno além da mediocridade, afinal, uma pessoa que tem resultados não tem medo de instabilidade das empresas privadas, porque a primeira pessoa a ser cortada é o pessoal que não trabalha direito ou trabalha mas não consegue bons resultados. Ir para o concurso público por conta de estabilidade, que hoje em dia com a crise que está assolando o Brasil, esta estabilidade é até questionável, é assinar contrato de baixa produção ou ainda de mediocridade.

Sobre o segundo ponto que é o alto salário em relação as empresas privadas; vou contar uma história bem simples que vários nikkei faziam nos anos noventa. Quando você é descendente de japoneses, você podia ir para o Japão à trabalho. Muitos dos meus familiares fizeram isso, foram para lá para trabalhar ou na industria pesada ou na área de montagem de produtos, como carros, eletrônicos e tudo o mais. A grande maioria deles foi para voltar, entretanto muitos deles foram para permanecer nas terras do Sol Nascente. Enfim, dos que pensaram em ficar por lá, apenas um realmente ficou, porque ouvidos da boca deles, "não compensa ganhar cinco mil reais por mês para apertar parafuso durante oito horas por dia, cinco dias na semana". E essa frase resume o que quero dizer sobre tentar concursos por dinheiro, e não pelo trabalho. Quantas pessoas eu conheço que dizem assim, "cara, abriu um concurso aqui, para polícia florestal, quatro mil e você só precisa ter ensino superior!", dai você responde, "legal cara, mas o que o pessoal deste concurso faz? Você conhece o dia a dia da profissão?", e a resposta é, "e o que importa? São quatro mil reais por mês!". Concurso público não é um cardápio de restaurante onde você escolhe o mais fancy, pelo amor de Deus!

Você tem que ter noção de que terá que trabalhar com isso durante mais da metade da sua vida. Vamos fazer alguns pequenos cálculos. Você começa a trabalhar em um emprego público aos vinte anos, você irá se aposentar aos sessenta, isso são quarenta anos. Um ano normal tem em média duzentos e cinquenta dias úteis; quarenta anos são dez mil dias úteis, trabalhando oito horas por dia, são oitenta mil horas de trabalho. Agora imagine você trabalhando oitenta mil horas apertando parafuso. Você no final da sua vida vai se sentir uma pessoa que deu algo em troca para a sociedade? Já pensou nisso? Ou será que vai ser aquelas pessoas que dizem que o trabalho não enobrece o ser humano? Ah, só para constar, o trabalho é o que você realmente é! Não venha com essa de que você não é o seu trabalho, citando frases do filme Clube da Luta, afinal, Durden tinha uma empresa de sabão de sucesso e ainda controlava uma empresa filantrópica multinacional, então até ele era o trabalho dele, mesmo dizendo essas frases bonitas.

Olha, vou mostrar uma boa saída pra você que quer um concurso público por estes dois motivos. Primeiro, veja o quanto você gasta, em dinheiro e tempo, para estudar para os concursos. Muitas das pessoas que estudam, precisam de foco para conseguir passar, portanto, não trabalham. Imagine que, com esta mesma cifra que você gasta tentando passar em um concurso público e com dez porcento do que você gastou de tempo, você poderia fazer cursos ou MBA's para dar uma melhorada no seu currículo e se tornar um empregado melhor, com um melhor salário e mais preparado para o mercado do trabalho. Quem trabalha somente pelo dinheiro será uma pessoa desiludida na vida. Quem trabalha por estabilidade, será sempre um medíocre. Pergunto, você gostaria de ser uma pessoa desiludida e medíocre? Então pense bem antes de tentar um concurso público.

Uta!

20 comentários:

  1. Sou servidor público federal e minha opinião sobre concurso público é que, no Brasil, é o melhor atalho para alguém literalmente melhrorar de vida.
    Sempre fui pobre. Estudei em escola pública a vida toda. Dificilmente conseguiria algo bom na iniciativa privada (ausência total de QI).
    Passei no concurso do Banco do Brasil. Fiz faculdade (particular). Após isso, passei em vários concursos de nível superior (logicamente perdi vários outros).
    Hoje ganho 14 mil líquido. Minha vida mudou da água para o vinho.
    Nunca conseguiria isso na iniciativa privada, tendo em vista o meu histórico. Lógico que existem exceções, mas, após refletir bastante, achei que o concurso seria mais garantido no meu caso, visto que, na iniciativa privada, vc pode fazer tudo certo, e ainda assim, não funcionar.
    Abraço!

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    1. Basicamente escreveu o que eu iria escrever.
      Mais um FP aqui, Auditor Fiscal.
      O autor do post ainda precisa cair na real e tomar umas boas porradas na "privada" pra entender como as coisas funcionam. Mutos FPs foram assim também, com essa visão romântica das empresas, como se realmente a meritocracia reinasse. Na vida dificilmente se aprende por amor, é pela dor mesmo.
      Ninguém quando criança diz: "mamãe, quero ser auditor fiscal". As pessoas querem ser médicas, astronautas, jogadores de futebol, etc. Bobagem achar que se deve ter vocação para ser FP. Você passa no concurso, recebe seu treinamento e começa a trabalhar como em qualquer outro lugar.
      Minha vida também mudou da água pro vinho após ter sido aprovado, em absolutamente TODOS os aspectos: finanças, saúde, até sexo, hahaha. Tenho vergonha de mim mesmo ao pensar que me submeti a todas aquelas bizarrices/humilhações na "privada".
      Mas, como se diz, do que seria a vida sem os sonhadores, não é? Se todos fossem estritamente pragmáticos e fizessem Direito pra concursos ou Medicina (as únicas duas carreiras que, NA MÉDIA, prestam neste país), não haveria minha fisioterapeuta que ganha 5 reais por sessão do meu plano de saúde.

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    2. Muita gente sonha, viaja, por isso vemos tantos jovens darem o sangue para a iniciativa privada. Depois de alguns anos uma grande parte vai entrar nos cursinhos para passar num cargo público.

      O tempo é o melhor professor de todos.

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    3. Sou acadêmico de Direito, ultimo ano e até hoje só tive experiências profissionais terríveis e acachapantes na iniciativa privada com salários que variaram, inacreditavelmente entre R$ 400 a 800 por mês. Não riam que já vi caras FORMADOS que ganhavam isso ou até menos. Realmente o cara tem que ser muito louco pra achar que iniciativa privada no Brasil garante uma vida digna. Empresa privada aqui = lixo. Sempre foi e sempre será. Funcionalismo público no Brasil, infelizmente, é melhor sob qualquer aspecto. Na minha área então, o sistema te joga ou pro funcionalismo público ou pra corrupção.

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  2. Você está corretíssimo, concurso publico são para pessoas de inteligência e raciocínio medíocre (excepto, como bem citado, para concorrer a cargos de juiz, desembargador, etc..)

    Acredito que você alfinetou 99,99% dos funcionários publicos que leram o seu texto..
    Verdade nua e crua....Parabéns!

    Não suporto a ideia de parte do imposto que pago, servir para pagar salários totalmente inadequados a funcionários publicos, ao invés de se construir hospitais, escolas, estradas...

    Viver no 3º mundo é um grande problema....

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    1. Frustradinho detected!
      Fato!

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    2. é muito inteligente ganhar 4k numa CSN da vida, fazer horas extras grátis, sofrer terrorismo. Isso é a pura inteligência.Sem contar os sábados e domingos...

      De outro lado, querer ganhar 6k iniciais por 8 horas certas de trabalho é burrice, coisa de gente sem cérebro ou competência para se destacar na iniciativa privada.

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  3. Estagiário,

    escrevi brevemente sobre isto no meu blog (https://investidorcasado.wordpress.com/2015/02/22/eu-odeio-dinamicas-de-grupo/), e concordo com você. Buscar somente salário ou estabilidade traz uma falsa felicidade de curto prazo. Logo a pessoa se sente desmotivada e sem rumo.

    Infelizmente, no meu caso, eu tive um empecilho maldito chamado "dinâmicas de grupo", e vi um monte de gente treinada igual ator conseguir vagas por isso. A pessoa praticamente interpretava um personagem (na maioria das vezes fictício) e encantava o psicólogo hippie da vez.

    Desisti, e acabei encontrando oportunidade no serviço público, já que não ia importar dinâmica, introversão e o escambau sendo aprovado. Até pouco tempo atrás estava nesta onda de salário de novo, mesmo me sentindo bem onde estou atualmente. Por sorte, desfiz a besteira antes de fazer algo de que ia me arrepender com certeza.

    Ótimo texto como sempre!

    Um abraço!

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    1. Investidor Casado,

      Sou servidor também e sinto o mesmo que você com relação a se sentir desmotivado e sem rumo. Concordo 100 % com o texto.

      Essas dinâmicas de grupo também me atrapalharam muito conseguir vaga no mercado privado. Convenhamos também que devíamos ter nos esforçado melhor para entender a jogada delas.

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  4. É sempre bom trazer assuntos que, mesmo polêmicos, são bem importantes para o nosso meio.

    Acho que o modo como a estabilidade é encarada no texto é errônea. Em diversas empresas privadas ser o mais competente não influência muito se quiserem demiti-lo em vez de outro não tão competente, mas mais querido. A estabilidade então gera um efeito interessante de que você não precisa ficar agradando a todos do trabalho, você pode ser você mesmo e se não gostarem pelo menos seu cargo está mais seguro. Sobre a competência das pessoas para mim estão no mesmo patamar a área privada e área pública, até porque o projeto concurso geralmente começa depois de uma decepção com a área privada( ou seja, os bons que não tem reconhecimento no setor privado passam a desejar o setor público).

    Concordo que as pessoas que escolhem o serviço público muitas vezes não sabem nem o que é o órgão. Mas não precisamos nos espantar, esses muito provavelmente não sai os que vão pegar o cargo mesmo.

    (Nota: sou FP e acho que empreendedorismo é a melhor , e mais difícil alternativa)

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  5. Eu defendo concursos publicos porque não gosto, em geral, da iniciativa privada, onde na maioria das vezes, mesmo vc sendo bem formado, preparado e competente, o QI fala mais alto. se vc for "sociavel", se for uma mulher bonita (e sem escrupulos), ou filho de chefe, ai sim vale a pena. Competencia nao leva ninguem ao topo na iniciativa privada. No funionalismo, se vc estudar muito terá tudo o que quer.

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  6. cara, quanto a se identificar com o trabalho, a maioria das profissões é assim. Ninguém sonha desde criança em ser um analista financeiro de multinacional. As pessoas acabam se identificando e gostando do trabalho quando começam a trabalhar. A primeira vista, se alguém se interessar pelo cargo pelo salário/estabilidade apenas acho que ta valendo.

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  7. Eu concordo em parte.
    Eu sou servidor público. Já fui empresário, tive lan house, lanchonete e casa de material de construção. Ganhei uma boa grana.
    Resolvi fazer concurso para ter qualidade de vida.
    Mesmo ganhando um salário razoável, não teria metade do que tenho hoje só com salário.
    Em compensação, quando tinha empresa, trabalhava que nem louco. Meu primeiro negócio foi uma lan house. Cheguei a ter 3 lan house. Correria da porra. Trabalhava de domingo a domingo e não contente entrei como sócio numa lanchonete. Quando as lan house's começaram a minguar, fui vendendo, passando os pontos. Peguei a grana e entrei como sócio numa loja de material de construção. Foi a época que mais ganhei dinheiro. Peguei o boom da construção. Em compensação, neste mesmo período, engordei pra caralho. Cheguei a pesar 136 kg. Vivia stressado. Fui assaltado várias vezes. Em uma o fdp apontou a arma para minha cabeça.
    Conheci uma mulher que era servidora de um tribunal. Foi aí que resolvi estudar pra concurso.
    Eu já tinha uma boa grana guardada. Consegui comprar 2 pontos comerciais que tenho até hoje e estão alugados.
    Comecei a estudar e com menos de 1 ano passei em 1. Mas pra ganhar pouco. Me desfiz das sociedades. E passei a estudar. Estudar para concurso é um saco e ainda bem que passei logo em outro, não sei se aguentaria mais tempo decorando leis inúteis.
    Mas hj vi que fiz uma boa escolha. Decidi com minha esposa que queria morar próximo do trabalho e hoje gasto 10 min pra e voltar. O trabalho não é nada desafiador, mas a equipe é legal. Chego 7, saio 16 e vou cuidar da minha vida. Estou malhando, treinando jiu jitsu, estudando inglês.
    Fiz uma cronograma de estudo e estou estudando os artigos do mises e os artigos do soulsurfer sobre fii's. Além de acompanhar o blog do teztner.
    Desde de 2010 que o dinheiro que venho juntando o dinheiro dos aluguéis dos pontos comerciais. Minha idéia inicial era comprar uma franquia e continuar trabalhando mas tendo meu negócio por fora.
    Mas não sei se quero abrir mão do meu tempo livre mais. Se entrasse num negócio desses hoje, teria que abrir mão da academia, do curso de inglês e do fds.
    Por isso decidi que vou investir a grana que tenho em fii's e depois depois estudar para formar uma carteira de ações.

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    1. Estudar Fiis e contabilidade é ótimo para ganhar dinheiro. Mas o Mises viaja na maionese, acha que o Estado não pode se meter em nada, assim as empresas podem vender carne podre tranquilamente, sem se preocupar com impostos ou com a vida dos consumidores.

      Se nos EUA existe regulamentação e fp ´s é porque as duas coisas são necessárias para a sociedade.

      Muito discurso antigoverno é patrocinado por bilionário malandro que não quer pagar impostos.

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  8. É legal ver a juventude se iludir, acreditar na meritocracia e outras conversas bonitas.

    Depois de alguns anos, ao ver o amigo que passou num concurso, começa a pensar que a vida poderia ter sido muito melhor.

    O Brasil oferece esse caminho como o melhor para se ganhar dinheiro, se houvesse outro, aposto que mais gente ia buscar o dinheiro.

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  9. Como existe meritocracia quando muitas estágiárias são efetivadas por irem ao motel com os chefes. Olha elas podem ter talento na cama, mas não acho que muitos homens queiram mostrar seu mperito indo para cama com O avaliador....

    Sem contar as horas extras não pagas, o assédio moral da iniciativa privada.

    A Revista Veja conta um monte de mentiras, infelizmente a meritocracia é uma delas.

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  10. Meritocracia? No Brasil? Não iluda ninguém com essa...
    Quando entrei na faculdade de Administração eu lia muito sobre a iniciativa privada, sobre a tal meritocracia, sobre os planos de carreira das maiores empresas do mercado. Sonhava com uma vida confortável, crescendo na carreira, subindo de cargo. No sonho era tudo lindo. Aí veio a realidade após a formatura... Salários lixos, empresas exploradoras, trabalhava 10 horas por dia SEM receber horas extras. Fiz pós-graduação e MBA, que na verdade não servem pra nada. Tenho colegas que se formaram em Direito e entraram pro serviço público, e todos recebem altos salários, trabalham com hora pra entrar e sair e nenhum deles tem úlcera ou gastrite nervosa por conta de chefes tetinhas da IP.
    Quer crescer na IP, nasça mulher e durma com os chefinhos, isso é meritocracia.

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  11. Acabei de preencher formulário para uma vaga na iniciativa privada (depois de levar várias porradas, nem sei porque insisto). As perguntas:
    Profissão dos pais.
    Endereço dos pais.
    Escola que estudou.
    Idade.
    Dentre inúmeras outras perguntas de cunho absolutamente pessoal, íntimo, invasivo e asqueroso.
    Concurso público, é, de longe, a melhor opção para alguém com um histórico ruim ou que não agrade a subjetividade do contratante. Fora que a realidade é bem essa que os colegas acima colocaram... Iniciativa privada no Brasil, com raras exceções = Lixo.

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  12. Quero concurso porque o que realmente importa é saber o que cai na prova, não essas macaquices da iniciativa privada com proatividade e as perguntas idiotas do RH.

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  13. Concurso público é uma ótima oportunidade para obter um bom emprego público, pois nesse sistema não temos indicação ou a famosa “peixada”. Assim, o concurso público é uma forma de nivelar todos por igual. Além disso, o ambiente de trabalho é mais confortável. Nele não temos a pressão e o receio que todo dia temos de matar um leão. Entretanto, não é uma tarefa fácil e muito menos uma atividade tranquila como muitos pensam. Nesse processo, beneficia o mérito.

    Os concursados têm atividades árduas. Quem pensa que ao passar num concurso terá sombra e água fresca, está, totalmente, errado. No entanto, digo que compensa fazer concurso público, pois nele temos a estabilidade que gera um certo conforto em meio de tantas dificuldades que enfrentamos. :)

    referência: https://blog.preparoconcursos.com.br/2017/07/06/vale-a-pena-fazer-concurso-publico/

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