Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Precificação das Empresas - BBAS, ETER, GRND, e ABEV

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Utilizando a planilha deste ano do blogueiro Poney Investidor percebi que estes eram as quantro empresas que compunham a carteira da maioria dos investidores blogueiros, por isso decidi utilizá-las e seguir o conselho do anônimo na postagem passada.

Antes de iniciarmos, gostaria somente de comentar sobre a taxa de desconto. Como disse na postagem passada, irei utilizar a equação que se baseia nas taxas esperadas pelos acionistas e credores em relação a porcentagem ao patrimônio líquido e dívidas sobre o patrimônio total da empresa. Utilizei como base para o retorno dos acionistas a taxa SELIC (11%) + 5% (totalizando 16%) e para os credores a inflação dos últimos 12 meses (6,51%) + 5% (totalizando 11,51%).


Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil possui 69,442 bilhões de reais em de Patrimônio Líquido e nenhuma dívida, portanto a sua taxa de desconto será a de 16,00%.


Este é o Fluxo de Caixa do Banco do Brasil e seu respectivo Lucro Por Ação. 


O lucro foi de 8,802 bilhões para 11,342 bilhões em 6 anos. A taxa de crescimento do período foi de 4,32% a.a.


Os valores da média e mediana foram analisados através do LPA acima, já o desvio padrão foi feito após o LPA ter sido descontado pela taxa de desconto de 16%.


Está é a tabela de valores encontrada após a análise. Como disse anteriormente, tentei encontrar bandas de preços e não valores fixos. Como podem perceber, utilizei os valores da média e mediana para encontrar as bandas de preços. Também acrescentei ou retirei o valor do desvio padrão e alterei o tempo de crescimento da empresa.

Ok, mas como retirar informação desta análise de sensibilidade, ela vai de R$26,75 a R$39,89, são valores muito longos. É verdade, temos uma grande quantidade de valores, mas não é difícil retirar informações desta tabela. Os valores acrescidos o desvio padrão podemos dizer que são valores mais agressivos e os preços que foram retirados do valor o desvio padrão são mais conservadores. Porém para deixarmos as coisas mais homogenias, pegamos um ano de excelente crescimento e crescimento perpétuo após este período e cinco anos de baixo crescimento e crescimento perpétuo além deste período, assim temos o melhor dos dois mundos. Sendo assim chegamos aos valores:

Agressivo : R$35,93 a R$36,91
Moderado : R$32,86 a R$33,89
Conservador : R$26,96 a R$28,96

Eternit (ETER3)

A Eternit possui 512 milhões em patrimônio líquido e 104 milhões em dívidas, portanto a sua taxa de desconto será de 15,24%.


Este é o fluxo de caixa da empresa nos últimos cinco anos, assim como o LPA do período.


Os lucros da empresa foram de 73 milhões para 95 milhões em cinco anos, dando uma taxa de crescimento de 5,41% a.a.


Os valores encontrados para a média e a mediana são respectivamente 1,08 e 1,11. O valor do desvio padrão é de 0,18.


Pela análise de sensibilidade podemos retirar as seguintes informações:

Agressivo : R$10,69 a R$10,92
Moderado : R$9,76 a R$10,01
Conservador : R$8,45 a R$8,71

Grendene (GRND3)

A Grendene possui 2,048 bilhões em patrimônio líquido e 97 milhões em dívidas, portanto a sua taxa de desconto será de 15,80%.


Este é o fluxo de caixa da empresa nos últimos quatro anos, assim como o LPA do período.


Os lucros da empresa saltaram de 312 milhões para 431 milhões em 4 anos, correspondendo a uma taxa de crescimento de 8,41%.


Os valores encontrados para a média e mediana foram respectivamente, 1,27 e 1,43. O desvio padrão do LPA descontado foi de 0,13.


Após a análise de sensibilidade podemos encontra as seguintes informações:

Agressivo : R$11,73 a R$13,19
Moderado : R$11,66 a R$12,97
Conservador : R$11,12 a R$12,66

Ahá! Está vendo! Suas contas estão erradas! De acordo com a análise de sensibilidade o valor agressivo está dando menor que o valor moderado e você mudou os valores de propósito para enganar o leitor. Vamos lá. Primeiramente, a análise de sensibilidade foi feita para ser analisada e não apenas para seguir de maneira pastoril os valores sem antes verificá-los. Como analiso três variáveis, tempo, média/mediana e desvio padrão, quando o desvio padrão é pequeno em relação as médias, e o crescimento da empresa é muito superior ao crescimento perpétuo, as vezes o crescimento de 10% por um ano apenas, pode ser um investimento mais conservador do que imaginar um crescimento menor porém por um período de 3 anos. Sendo assim, as contas não estão erradas, apenas devemos analisar e verificar quais são os valores que se encaixam melhor nas três diferentes análises.

Ambev (ABEV3)

A Ambev possui 41,9 bilhões em patrimônio líquido e 2,657 bilhões em dívidas, portanto a sua taxa de desconto será de 15,73%.


Este é o fluxo de caixa da empresa nos últimos cinco anos, assim como o LPA do período.


Os lucros da empresa saltaram de 7.619 milhões para 11.890 milhões em 4 anos, correspondendo a uma taxa de crescimento de 11,77%.


A média e mediana do período foram de 0,64 e 0,66 respectivamente e o desvio padrão do LPA descontado foi de 0,04.


Após a análise de sensibilidade podemos encontra as seguintes informações:

Agressivo : R$6,40 a R$6,69
Moderado : R$6,36 a R$6,62
Conservador : R$5,83 a R$6,06

E é isso senhores, como podemos ver, com a análise de sensibilidade e bandas de preços, podemos encontrar valores para as empresas que são factíveis com a realidade. Dúvidas? Perguntas? Sintam-se a vontade nos comentários.

Uta!

domingo, 14 de setembro de 2014

Precificação de Empresas

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Já é conhecido pelos leitores sobre o que penso sobre precificação de ações. Sempre fui detentor da ideologia de olhar o todo (setores) e depois analisar algum indicador (P/L) para verificar qual empresa está mais atrativa no momento da compra. Ainda acredito que está é uma boa estratégia, contudo depois de muito discutir com alguns investidores experientes e ler em artigos e papers (infelizmente no momento não estou tendo muito tempo livre para ler livros na integra devido aos estudos aqui no Canadá), percebi que existem motivos plausíveis para se avaliar um preço ou bandas de preços que seriam interessantes para o investidor aportar. O principal deles é a "volatilidade" e a "especulação" que estão inerentes a qualquer momento quando se compra um ativo na bolsa de valores. Ora, se existem forças compradoras e vendedoras que forçam os preços para cima ou para baixo, muitas vezes posso estar comprando muita "especulação" e pouco "valor", ou o inverso, dependendo de como está o mercado no momento.

Este pensamento foi acentuado após ver os papéis do Banco do Brasil saltarem de R$18,43 para R$37,12 em menos de 6 meses, uma alta de 101,41% sem haver nenhuma mudança significativa nos fundamentos. Este foi o momento onde tive certeza da necessidade de se ter um valor ao menos base para se verificar se a empresa está ou não sub ou super valorizada. Por conta disso resolvi a partir de hoje fazer precificações nos ativos antes de adquiri-los.

Atenção. Em nenhum momento estou dizendo que aqueles que não olham o preço das ações estão errados. Cada um tem a sua ideologia e o melhor sempre será segui-la.

Primeiramente, devo agradecer a dois blogueiros que me ajudaram muito com suas postagens. São eles, Soul Surfer com suas postagens filosóficas e abstratas que são excelentes catalizadores de pensamentos e o (Di) Marcinho por seus textos técnicos, sempre muito bem embasados, e pela sua série sobre valuation que ajudou-me muito a entender e compreender os conceitos.

Os papers que li sobre o assunto infelizmente não poderei postar aqui pois todos foram lidos na biblioteca da universidade aqui no Canadá e eles não disponibilizam eles para o público aberto, somente para os estudantes, contudo deixo aqui uma coisa que me assusta um pouco, enquanto em universidades brasileiras o tema abrange no máximo cem pesquisas se forem englobadas todas as federais e estaduais do Brasil, aqui no Canadá, encontra-se mais de mais de duzentas pesquisas sobre o assunto somente aqui no campus.

Após os devidos agradecimentos, quero comentar agora sobre como irei fazer a precificação das empresas.

O Método

Irei utilizar a ideia de perpetuidade, onde:
Referência : Calculando o preço de uma ação (parte 5)
Onde:
LPAi = Lucro por ação no período “i”
r = taxa de desconto
g = crescimento no período de maturidade
n = ano do último período

E utilizarei como taxa de desconto a equação:
Referência : Calculando o preço de uma ação (Parte 7)
Onde:
r = taxa de desconto
Wpl = peso relativo do patrimônio líquido na estrutura de capital
r = rentabilidade esperada pelos acionistas
Wd = peso relativo da dívida na estrutura de capital
rd = juros de longo prazo da dívida

De acordo com o próprio Márcio, este cálculo é muito simplificado, porém é o que considero mais adequado no momento, pois para mim faz muito sentido e não é uma tabela pré-feita utilizando-se um mercado maduro como referência, coisa que a Bovespa está longe de ser.

O diferencial

Como de praxe, não gosto de utilizar métodos que apresentam valores pontuais, pois acredito que a margem para erros é muito grande, por conta disso, irei utilizar as funções para encontrar o valor pontual e após isso, utilizarei uma medida de dispersão estatística (desvio padrão) no LPA descontado a taxa de crescimento para criar uma banda máxima e mínima para a compra das ações.

Nas próximas postagens irei mostrar alguns valores de precificações.

Uta!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Brasil ocupa a 36ª posição em ranking mundial do PIB. Chupa Ucrânia!

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Após apresentar o resultado do Produto Interno Bruto do 2º trimestre deste ano, Brasil despenca 12 posições no ranking mundial.

A única coisa que podemos dizer é chupa Ucrânia!

O Brasil está de mal a pior, a cada novo resultado do PIB, inflação, endividamento da população é mais um fio de cabelo em pé na população, e menos um tufo de cabelo na cabeça dos investidores brasileiros.

Soma-se a isso ao fato de que possivelmente nossa nova presidente será uma tal de Marina Silva, que não possui nenhuma consistência em seus argumentos para seu governo, e pronto, temos a atual situação do Brasil.

Não ousem dizer, "pense pelo lado positivo, pior que está não fica!", pois sabemos que nada está tão ruim que não possa piorar.

Uta!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Geração Y: Aprenda a viver com o risco de mercado

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De acordo com o site The Globe And Mail, os jovens empregados da University of Western Ontario (Universidade do Oeste de Ontário) que possuem um plano de pensão, investem de maneira muito conservadora. Pesquisas apontaram que os que possuem menos de 25 anos estão com uma média de 58,8% de exposição no mercado acionário, enquanto os que possuem de 25 a 30 anos estão com seu patrimônio exposto em 60,4%.

Estes valores são muito baixos, demonstrando que a Geração Y tem uma certa aversão ao risco de mercado das bolsas de valores. Os investidores com menos de 30 e poucos anos podem ter mais de 90% do seu patrimônio exposto no mercado de ações para se beneficiar cada vez mais do retorno no longo prazo que o mercado acionário oferece.

De acordo com a pesquisa, a culpa disso tudo vem das duas mais recentes crises que tivemos, a das empresas .com na virada do milênio e a crise sub-prime de 2008. Isso ocasionou aos jovens investidores um certo medo ao investir seu dinheiro em ações.

Quem aqui não conhece a regra dos 80%?

80% - Sua Idade = Porcentagem em Ações

Ou seja, uma pessoa que possui 20 anos teria que ter no máximo 60% do seu patrimônio em ações. Está regra é a adaptação da regra dos 100% americana. O motivo da diminuição da porcentagem é por conta do nosso mercado de ações ser mais arriscado. Contudo, a pesquisa mostra que os jovens estão investindo menos do que a própria regra.

O problema é que ninguém percebe que este problema da Geração Y se dá por conta não somente de fatores financeiros como as crises mas também por conta de outros motivos inerentes a está geração em específico.

A algum tempo publiquei uma postagem com o título de Geração Y: Geração de fracassados mostrando como a minha geração tem muitas peculiaridades dentre elas, o quão frustrados somos devido a nossa alta expectativa principalmente quando o assunto é mercado de trabalho. 

Imaginamos que sairemos da faculdade e já de cara trabalharemos em um emprego que nos pagará R$10.000,00 por mês. Quando vemos que o mercado de trabalho não é assim, ou corremos para voltar a estudar para tentar entrar em um emprego público que paga um pouco melhor que o setor privado, ou nos contentamos com um salário mais baixo. Tanto um quanto outro está longe de ser o que imaginamos o que nos faz ficarmos frustrados. Com a frustração de ganhar menos do que imaginamos, vem o medo de perder este salário, o que nos torna cada vez mais avessos ao risco, criando assim jovens investidores conservadores.

Ora Estagiário, mas vemos cada vez mais jovens que estão entrando no mercado de ações, isso demonstra o contrário, não é? Não pode haver uma afirmação tão errada quanto essa.

Os jovens estão entrando cada vez mais no mercado de ações por apenas dois simples motivos: a) Fácil acesso a informação e; b) Ilusão. O primeiro motivo vem por conta da internet. Quanto mais jovem a pessoa é, mais conectada está. Como todos sabem, na internet encontramos tudo o que queremos e até o mesmo o que não queremos. Em menos de 10 minutos um leigo em investimentos pode digitar "Como ganhar mais dinheiro que a poupança" no Google e encontrar milhões de links que em sua grande maioria estará fazendo menções a ações. Uma vez mencionando a possibilidade de ganhar dinheiro com ações começa o segundo passo, a ilusão. Quem aqui nunca entrou em um site que dizia que um José da Silva ficou rico investindo em ações, comprando em baixa e vendendo em alta? Com milhares de links para estas páginas, o investidor wannabe (termo que é comumente utilizado pejorativamente para pessoas que ainda não são algo, mas querem ser) fica vislumbrado com a possibilidade de ficar milionário da noite para o dia. E assim entra no mercado de ações por conta do acesso a informação e pela ilusão.

Uma vez no mercado de ações, a ilusão de ganhar dinheiro fácil dará lugar a frustração, que por fim fará o jovem investidor sair no prejuízo depois de investir tudo em OGXP3 a R$10,00 porque leu em um fórum que ela ia bombar (mais uma vez por conta do acesso a informação e da ilusão). Ao sair da bolsa pro conta dos altos prejuízos, será um investidor (se continuar investindo) avesso à riscos.

Por isso senhores, deixo aqui uma mensagem aos membros da Geração Y: Aprendam a viver com o risco de mercado, aprendam a estudar e a fazer a coisa certa, não a agir por impulso e desistir.

Atualmente tenho menos de 5% do meu portfólio focado em Tesouro Direto, isso porque acredito que com meus vinte e poucos anos posso correr estes riscos. Sei que posso perder boa parte do meu dinheiro, como já venho amargando perdas de 20% em algumas ações que comprei, mas estas perdas são recentes em um horizonte de 35 anos. Tenho a plena certeza que estas perdas se tornarão em lucros crescentes com o passar dos anos.

Uta!