Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A falência do atual modelo educacional

Escrito por with 12 comentários
Nos últimos dias ouvi muita gente comentando que a Dilma quer diminuir a quantidade de matérias nas escolas, já o Aécio quer aumentar o tempo em que os alunos estudam.

Na minha opinião, nenhum dos dois candidatos estão corretos. O principal problema não é aumentar ou diminuir a carga horária dos alunos, ou o salário dos professores (este é um grande problema, mas não o maior deles), mas sim o atual modelo do nosso sistema educacional.

Ontem e hoje, assisti diversos vídeos do TED talks, para quem não conhece, uma excelente meio de passar o tempo, pois temos diversas palestras de aproximadamente vinte minutos cada, dos mais diversos assuntos, e em algumas dessas palestras, nós temos um palestrante chamado Ken Robinson, que comenta sobre como o sistema educacional atual está flagelado. Por isso, antes de continuar a ler esta postagem, sugiro que vocês assistam a algumas de suas palestras. Deixarei abaixo alguns links, não se preocupem, todas as palestras possuem legendas em português.

Como as escolas matam a criatividade

Como fazer com que a educação escape do vale da morte

Tragam a revolução da aprendizagem

Robinson comenta que o atual padrão das escolas tem como modelo o padrão do início do século XIV, onde o único intuito era criar mão de obra para a indústria. A escola hoje em dia cria mentes como commodity e não como algo humano. Este atual modelo cria pessoas baseados nos princípios da indústria, como linearidade, conformidade e lotes de pessoas.

De acordo com o palestrante, temos que nos basear nos princípios da agricultura, onde a mente floresce, não como um processo mecânico, mas sim como um processo orgânico.

Eu sinceramente concordo com ele, ainda mais no Brasil. Hoje, se você está no colegial, a única coisa que você houve é, "Presta atenção na aula, se não, não irá passar no vestibular!". E quem disse que todos precisam fazer universidade? Quem disse que precisamos aprender matemática e gramática, mais do que aprendemos sobre música e dança?

As crianças são diagnosticadas cada vez mais com ADHD (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), assim como tenho certeza que eu iria ser diagnosticado se estivesse no primário. Mas a diferença é que, as crianças não tem ADHD, elas tem algo que nós adultos não temos, que é infância. Vai além da nossa compreensão ficar sentado e estudando coisas que muitas vezes não gostamos. Odiava aulas de português e não conseguia prestar atenção nas aulas de gramática, até hoje não consigo, tanto que as minhas piores notas aqui no Canadá estão sendo em gramática. Amo números, e também tenho certeza que existe pessoas que não gostam das duas coisas, mas adoram pintura, dança ou qualquer outro tipo de arte. E o que acontece com elas? São tratadas com crianças com doenças porque não prestam atenção nas aulas importantes.

Outro ponto que o Robinson comenta e acho muito importante frisar. Hoje, os professores ensinam não para que possamos aprender, mas para que eles possam nos testar. Somos ensinados para, pura e simplesmente eles nos testarem. Duvida? Me diga qual foi o primeiro tópico estudado na faculdade naquela matéria que você odiava? Muito provavelmente você não irá lembrar, mas se alguém lhe perguntar, sobre detalhes de um tópico de uma matéria que você estudou e que gostou muito, garanto que irá lembrar até a frase que o professor comentou.

Os papel dos professores é facilitar o nosso aprendizado, só isso. Eles precisam fazer com que criemos aquela fagulha, aquela vontade de querer aprender mais sobre alguma coisa. Um belo exemplo disso está em vocês, meus caros leitores deste blog. Quantos de vocês não leram diversos artigos, comentários, livros, ouviram e assistiram diversas palestras e discussões sobre finanças? E isso porque de alguma maneira, algo ou alguém criou a fagulha da vontade de procurar por mais informação sobre este tema.

Todo o sistema atual de aprendizado está errado. Para mim, acredito que devamos incentivar todas as áreas de maneira igual, ou ainda, incentivar aquelas em que os alunos são melhores. Por exemplo, se uma criança tem facilidade e gosto por números, seria interessante dar a ele mais carga horária nesta matéria, do mesmo modo que se outra criança gostar mais de artes ou dança.

Acredito que até a oitava ou nona série atual, os alunos deveriam ter aulas de todas as matérias, assim eles poderiam saber o que eles tem mais habilidade. No colegial, seria diferente. Eles teriam aulas focadas onde o seu desenvolvimento é melhor. Dar aos alunos esta oportunidade, é desenvolver o talento de todos os alunos, mesmo que estes talentos não sejam para os números ou para línguas. Um aluno com talento para música não deve ser desprezado porque não sabe matemática, ou não vê graça nisso.

A maioria dos alunos que "fogem" do colegial, o fazem porque:
a) Acham chato
b) Acreditam ser irrelevante
c) Que a vida está fora da escola

Eu também acharia se eu fosse obrigado a sentar em uma cadeira e ser obrigado a estudar algo que acredito que não tenha valor nenhum em minha vida, ter meus sonhos reprimidos todos os dias pelos professores, e ser acusado de não prestar atenção na aula por conta das minhas notas baixas.

Acho frustrante uma criança falar que quer ser astronauta e ouvir o pai dizendo para deixar isso pra lá, e estudar química, porque ele nunca será um astronauta. Isso acaba com a pessoa, treina-o a fazer algo que não gosta e acaba com a ideia de diversidade mental.

E por fim, outra coisa que detesto no atual modelo educacional, que me fez perder muitas oportunidades na minha vida. A ideia de que não podemos errar, e devemos sempre fazer certo na primeira vez. Isso só, já é devastador, porque mitiga diversas inovação e novas ideias de diversas pessoas simplesmente porque elas vão contra o que já existe. Esta ideia simplesmente fortalece o senso comum, dificultando cada vez mais a permeação de novas ideias no mundo. Por conta disso, acredito que a quantidade de inovações que temos hoje é pífia, visto a quantidade de ideias que as escolas mataram antes mesmo delas serem criadas.

Desculpem a postagem longa, mas precisava falar o que acredito estar errado no atual modelo, para quem sabe, alguém, ou até mesmo eu, ler isso e fazer algo para que possamos ter uma revolução no modelo educacional.

Uta!

12 comentários:

  1. Já estamos vivenciando esse modelo de os estudantes cursarem o que quiserem. Vá em uma escola pública, e verá que os estudantes fazem o que bem entendem, o professor é um mero detalhe em sala de aula. Se perguntar para uma criança/adolescente o que ela quer fazer, ela não vai estudar. O estudo é um meio de incutir no indivíduo coisas que ele não quereria aprender de outro modo.

    O problema do Brasil é que não há matérias importantes para a cidadania como noções de economia, direito, educação financeira na escola, e as provas simplesmente não são rígidas o suficiente. Mecanismos como a aprovação automática acabam com o estímulo ao estudo, e os professores atraem os piores profissionais, ou pelo menos aqueles que não são incentivados pelo dinheiro, dado o salário lixo que recebem.

    O argumento da super-especialização também é falho, já que ela vai ocorrer na universidade. Não vai precisar estudar português só porque gosta de matemática? Vai ver o profissional sem capacidade pra escrever uma dissertação, já que o português é 'complicado', não sabe o que é o pretérito imperfeito do subjuntivo e se assusta perante uma mesóclise. Vai estudar direito, então não precisa saber matemática? Vai ser daqueles que não sabe nem fazer regra de três, calcular porcentagem?

    Vai acabar com os sonhos da criança? Tadinha! Mas da próxima vez que o menininho disser que quer ser astronauta, mostre quantos astronautas o Brasil já teve! E que é praticamente impossível que ele seja! Assim você encurta o processo de quebrar a cara, pelo qual os jovens passam ao escolher o que querem fazer da vida com base em 'seguir o coração'. Olhem o tanto de gente fazendo 2ª graduação. Se fosse assim o mundo não teria nenhum corretor de seguros, por exemplo.

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    1. Anônimo,

      Zoar na sala de aula não é a mesma coisa que estudar o que gosta. São duas coisas totalmente diferentes. O estudo realmente é um meio de incutir algo que eles não querem estudar, e é exatamente isso que está errado.

      As ideias básicas para a vida cotidiana, isso sim deveriam ser obrigatórias, mas não é isso que são ensinados as crianças. Elas aprendem muito além do que utilizam no dia a dia, e isso na minha visão está errado, pois você força uma criança que não gosta daquela matéria a estudá-la mais do que deveria.

      Você comentou que provas não são rígidas o suficiente e a aprovação automática acaba com o estimulo do estudo. Isso está totalmente errado. Você está querendo que as crianças estudem pela força e apenas para estudar para as provas. Esta metodologia que está defasada. Concordo com você que o sistema de aprovação automática é ruim, mas ser mais rígido nas provas não é algo coerente. A prova não deve ser um objetivo, mas sim um diagnóstico, duas coisas muito diferentes.

      Sobre o salário dos professores, isso realmente é verdade. Mas no entanto, altos salários nem sempre atraem os melhores professores. Tive diversos professores universitários que eram péssimos professores, e ganhavam seus quase quinze mil reais por mês. Melhorar os salários dos professores deve ser uma obrigação, mas lembre-se, isso não quer dizer que serão bons, é necessário que mude a estratégia de como ensinar.

      Não disse que ele não vai precisar estudar português porque gosta de matemática. Leia o parágrafo como um todo. Hoje, o que aprendemos até a oitava série é realmente o essencial, ao menos nas boas escolas. O colegial seria um aprofundamento naquelas aptidões que o aluno é bom. Você comentou sobre precisar estudar português para escrever uma dissertação, é verdade, mas me diga, qual a diferença entre eu saber o que é pretérito perfeito do subjuntivo ou uma mesóclise e eu não saber quando estou escrevendo uma dissertação? Tenho um trabalho de conclusão de curso com mais de 40 páginas, e em nenhum momento necessitei lembrar destes nomes que nas aulas de gramática nos é ensinado. Contudo, precisei sim, de tudo o que foi me ensinado no ensino fundamental. E sobre o fato da regra de três, é antes do colegial que aprendemos isso, até mesmo a formula de Bhaskara, que não foi útil em nenhum momento na minha vida, a não ser na Faculdade e no Colegial.

      Para que o Brasil tenha uma astronauta, foi necessário que uma criança quisesse ser, concorda? Mas no caso do astronauta, fui um pouco longe... Vamos diminuir um pouco então. Bombeiro e policial, duas coisas que ouvimos também muitas crianças dizerem que gostariam de ser... E também muitas vezes são ditas a elas que isso é ruim, que ele devem sempre pensar em ir para a faculdade, que estes trabalhos não são bons. Sobre o corretor de seguros, é ai que você se engana... Uma coisa é você mitigar o sonho da criança, outro é ela mudar conforme o tempo. É lógico que ninguém irá pensar em ser um corretor de seguros, ou ainda, uma secretária da firma X, porém, essas pessoas podem sonhar em ter uma família, ou ainda, em apenas possuir uma vida tranquila, sem muito trabalho e humilde. Para essas pessoas é indiferente os estudos ou ainda a carreira de trabalho, para elas os valores e sonhos são outros, e por conta disso, é que mesmo não mitigando os sonhos dos outros, ainda teremos corretores de seguros e secretárias.

      Uta!

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  2. Estagiário,
    Estas publicidades "voadoras" do seu blog são meio tensas viu...
    Sugiro alterar isto.

    Abs!

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    1. José,

      Obrigado por avisar, tinha testado algumas publicidades aqui, mas como estou utilizando um ping fixo, o google cadastrou-o como ping do autor, e ai não consigo ver os anúncios. Retirei alguns deles, acredito que agora a leitura vai ficar melhor.

      Obrigado.

      Uta!

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  3. Grande Estagiário!

    Puta texto! Concordo com vc! O sistema educacional é ridículo (não sei como é nos outros países mas aqui no Brasil é ridículo). Acho que absolutamente tudo ensinado nas escolas deveria ser baseado em coisas informações relevantes para o dia a dia. Ex: ensinar uma criança a achar seno, cosseno e tangente é inútil para a grande maioria que não fará engenharia, então não há motivo para ensinar isso na escola. Por outro lado todo mundo um dia precisará calcular descontos, juros, comissões... Então matemática financeira deveria ser primordial e nunca ouvi falar disso ser ensinado em escolas. Deveriam ensinar primeiros socorros, CFC (curso de formação de motoristas), como usar ferramentas básicas, como trocar o pneu de um carro...

    Eu odiava matemática simplesmente pq não via sentido algum em aprender aquilo tudo, depois qd comecei a mexer com dinheiro tudo passou a fazer mais sentido... Não há motivo algum pra alguém aprender análise sintática! Isso é ridículo! Vc aprende a escrever certo ao ler certo, ao estranhar certa palavra ou maneira de formação de frase. Não faz sentido ter que aprender o que é um advérbio, predicado e outras palavras infames (não lembro de absolutamente nada disso mas acredito que sei escrever de maneira descente).

    Odiava inglês, frequentei uma escolinha mequetrefe qd moleque e não aprendi porra nenhuma simplesmente pq não havia interesse nem da escola em fazer o curso interessante nem de minha parte em aprender. Depois de velho, uso textos, vídeos e outros materiais com assuntos de meu interesse para aprender. Funciona!

    Concordo 100% com essa história de toda criança ser doente. PQP! Criança é criança e pronto! Não é difícil entender isso. Colocam a culpa do baixo aprendizado nas crianças e fogem da responsabilidade de fazer uma escola mais interessante.

    Grande abraço!

    Corey

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    1. Grande Corey,

      Concordo com tudo o que disse, principalmente sobre o criança é criança. Criança não tem déficit de atenção, tem síndrome de criança! :)

      Uta!

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  4. Olá, Estagiário. O texto é interessante e concordo com algumas coisas. Porém, creio que há alguns "detalhes". Deixe-me explorar em tópicos.

    a) Primeiramente, é muito difícil, enquanto criança, saber o que gostamos ou não gostamos.
    Será que uma criança de 9 anos saberá que gosta mais de história ou mais de biologia? Talvez isso não possa acontecer única e exclusivamente pela habilidade dos professores que essa criança por ventura teve até então nas duas disciplinas?
    b) Indo além, como uma criança pode definir o que será "útil" ou não para a sua vida adulta? Esse julgamento caberá a criança? Mas qual experiência de vida uma criança possui? O que poderia e deveria ser feito é que os currículos escolares fossem constantemente discutidos e atualizados por pessoas competentes.
    c) Muitas das matérias que porventura a criança ou adolescente não "vê" sentido em estar aprendendo, podem ser úteis para muitas coisas. O teste PISA mede inúmeras capacidades cognitivas. Uma delas é a capacidade de raciocínio abstrato. Aliás, é uma das mais valorizadas, e dizem cientistas uma das características que diferenciam seres humanos de outras espécies inteligentes. Só é possível formarmos uma base para raciocínio abstrato com o conhecimento de matérias como matemática. Portanto, há um motivo para aprendermos alguns itens do conhecimento que para uns podem ser "desnecessários". A gramática, por exemplo, ela é apenas um facilitador para compreendermos uma determinada língua. Tantos que pessoas poliglotas possuem facilidade com gramática, assim que você entende um pouco de gramática, uma língua tão difícil para nós como japonês, por exemplo, vai fazendo mais sentido;
    d) A ideia de valorizar aptidões mais naturais de um aluno, eu acho muito boa. Porém, isso não se pode dar pela atrofia da formação em outras áreas. O Grande ser humano Carl Sagan, uma das pessoas que mais admiro, sempre falava da importância de se saber história, filosofia, biologia, etc, (e ele era astrônomo e escrevia sobre isso), pois só assim nos tornávamos mais humanos, e eu concordo com ele nesse ponto.
    Sendo assim, precisa-se achar um equilíbrio nisso;
    e) Sobre determinados outros assuntos. Precisamos ver do ponto de vista prático. Como o currículo conseguiria abranger tantas matérias, como ter tantos professores à disposição para determinadas vontades e aptidões dos alunos? Porém, apesar de ver um dificultador, com certeza não é um problema insolúvel. É claro que a escola deveria fornecer ideias de finanças, de cidadania (até mais importante do que finanças, afinal o que é ser um bom cidadão?), de sustentabilidade, de compaixão e amor (como esperar que as crianças sejam gentis e pratiquem compaixão, se isso não é ensinado na escola, nem pelos seus pais, na maior parte das vezes?), etc.
    Porém, as matérias tradicionais possuem a sua razão de ser. Há uma razão para entendermos matemática, e não é apenas para podermos fazer cálculos simples quando formos adultos sobre juros, descontos, etc. Há uma razão para entendermos biologia, química, história, etc.
    f) Por fim, você corretamente questiona a escola que parece estar produzindo pessoas numa série de montagem, mas quando se questiona matérias ou assuntos que não tem qualquer ligação com a "vida prática", não se está simplesmente apoiando esse sistema? Ora, se só devo aprender "coisas práticas" sob a perspectiva de uma criança, diga-se de passagem, como criticar um modelo que resume a educação a formação de pessoas para essa mesma "vida prática"? Para mim fica difícil do ponto de vista conceitual.
    É claro que a escola não pode ser dissociada do que ocorre no mundo da prática (o que acontece com alguns cursos universitários) , mas ela não pode ser condicionada única e exclusivamente por esse mundo, sob pena de empobrecimento intelectual e moral da mesma, em minha opinião.

    Abraço!

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    1. Olá Soulsurfer,

      Vou comentar de acordo com cada tópico.
      a) No caso comentado por você, a criança ainda estaria no primário, sendo assim, elas não teriam este poder de escolha, pois acredito que até a oitava ou nona série atual, todas as crianças deveriam ser obrigadas a aprender aquilo que é necessário para suas vidas. Vai aprender o básico de matemática, português, história, geografia, artes, dança, música, química, biologia, etc.. Porém, o que seria alterado aqui é a quantidade de informação que daríamos a nossas crianças. Para que elas possam usufruir de todas as matérias, elas deveriam ser constituídas da mesma quantidade carga horária, e para isso seria necessário que a carga horária nas escolas aumentasse. A escolha começaria somente no colegial, onde a criança teria base para todas as matérias, e ela se aprofundaria mais naquela área que tem mais facilidade. Com 14/15 anos os adolescentes já sabem onde estão suas aptidões.

      b) Exatamente. As crianças não tem como discutir o que é bom ou ruim para elas, por isso tudo o que elas precisariam saber seria ensinado até a oitava série. Uma verificação constante no currículo das matérias acredito que seria algo primordial.

      c) Neste ponto não tenho como discutir, meu conhecimento sobre o assunto é limitado, preciso estudar mais sobre :)

      d) Seria uma ideia também interessante. Por exemplo, poderíamos ter um colegial com todas as matérias no período da manhã por exemplo, e no período da tarde, seriam as matérias focadas na área da escolha do aluno, e assim atribuir pesos diferentes para cada matéria. Por exemplo, se um aluno escolher matérias de exatas, humanas e biológicas teriam peso 30% e exatas 40% no final do currículo. Ah, e outra coisa interessante. Acho que seria interessante também, constar no currículo do aluno em qual área ele possui ênfase.

      e) Sobre este ponto Soul, sou a favor de que todas as escolas possuam aulas integrais a partir da sétima série. Acredito que assim, teríamos mais aulas, e se alterarmos o modelo atual para que os professores não deem aulas para provas, mas sim criem uma faísca para o conhecimento, poderíamos diminuir a hora/aula.

      f) Não Soul, acho que você entendeu errado. Matérias como matemática e português, por exemplo. Nós aprendemos muito mais do que necessitamos, no meu ponto de vista. Na minha opinião, poderíamos cortar muita coisa que nos é ensinada, para que possa ser implementado matérias que são úteis e que não temos no primário. No caso, sou a favor por exemplo que matérias de artes tenham a mesma atenção que matemática, por que não? Uma coisa que eu detesto nas escolas é como elas matam a criatividade das crianças. Vou dar um exemplo, eu tinha um amigo próximo no primário, ele tinha o dom do desenho, com menos de 13 anos ele desenhava uma paisagem com uma perfeição que eu mesmo não desenho. Os pais dele foram chamados porque ele não prestava atenção nas aulas. Foi colocado em aulas de reforço de matemática e português, e de tanto que foi forçado, pegou bode por essas matérias. Cheguei a ouvir professores dizendo pra ele, "desenhar não irá te fazer um engenheiro". E quem disse que todo mundo tem que ser engenheiro, ou professor, ou físico, ou médico? Se a criança tem aptidões artísticas, isso deve ser encorajado e não oprimido.

      Soul, mas por que as crianças teriam um empobrecimento intelectual ou até mesmo moral, se fosse feito estas alterações?

      Uta!

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    2. Olá, Estagiário:
      a) Concordamos então. Apenas acho que algumas matérias mais "tradicionais" tem motivos para serem mais exploradas do que outras como dança e artes, por exemplo, Porém, a ideia de expor crianças à cultura humana de forma mais geral é boa;
      b) Sim, uma atualização constante e inteligente do currículo feito por pessoas especializadas em cada área de ensino poderia ser uma ideia;
      d) Se for a partir do ensino médio, minha crítica inicial realmente perde bastante força. Concordo também que a carga horária das escolas deveria ser aumentada bastante;
      e) Claro, Estagiário, isso é o ideal. Professores que inspirem os seus alunos, a ver beleza na matemática, na literatura, na física. A procurar criar a "faísca" da busca pelo conhecimento. É o ideal mesmo. Porém, temos que ter claro numa sociedade que desvaloriza em muita medida o conhecimento, e mede uma boa vida como simples sucesso financeiro, eu creio que fica cada vez mais difícil estimular nossas crianças e jovens na mais humana das buscas que é a pelo conhecimento. Porém, devemos tentar;
      f) Creio que esse item está relacionado com o "f". A escola e os comportamentos dos membros dessa mesma escola são apenas espelhos do que acontece fora da escola. Com certeza as habilidades e a curiosidade devem ser estimuladas, e não desencorajadas. Concordo aqui. Porém, eu creio que há certas habilidades e conhecimentos que são necessários que todos os seres humanos pelo menos tenham contato. E foi nesse sentido minha manifestação. Sobre outras matérias, eu concordo contigo, Estagiário. Pode haver determinados assuntos que realmente não precisam ser ensinados como por exemplo tabela de nível de energia dos orbitais dos elétrons. É um assunto interessantíssimo, mas talvez seja um exagero incluir no segundo grau. Porém, muitas das matérias que algumas pessoas pensam que não servem para nada podem ter ajudado a moldar e a fortalecer muitas das habilidades intelectuais necessárias;


      Talvez não tenha sido claro. Hoje há uma obsessão com o "mundo da prática", com o "mercado" e o sucesso basicamente financeiro. São três facetas importantes da nossa vida, e negar isso é tolice. Porém, o conhecimento humano e a nobre tarefa de passar o conhecimento humano, em minha opinião, é muito maior do que isso. A escola e universidade devem preparar os seus alunos para viverem bem em sociedade, e isso passa por ensinar habilidades necessárias para o "mundo da prática". Entretanto, para mim essa é apenas uma das tarefas. A Teoria tem um valor em si. É por ela que nós desenvolvemos como seres humanos, inclusive a nossa própria prática. Logo, sempre me causa um certo desconforto, discursos que desvalorizam em demasia a teoria em prol da prática.
      E é nesse sentido a minha última fala. Diminuir o papel das escolas e universidades a vida prática, e mais especificamente ao mercado, é empobrecer intelectual e moralmente o papel dessas instituições.

      Abraço!

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  5. Estou acompanhando seu blog há pouco tempo, legal saber que vc está estudando no Canadá, estão fazendo College com intenção de imigrar ?
    Estou indo com minha esposa agora em Novembro para um mês de curso de inglês em Toronto.

    Abraços

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    1. Olá Toguko,
      Fico contente que esteja acompanhando o blog.
      Eu e minha namorada viemos pelo Ciência sem Fronteiras, iremos passar um período de 18 meses e depois voltar para o Brasil.
      Na verdade iremos fazer uma University, a UOIT, dê uma olhada nas postagens referentes ao intercâmbio : http://oblogdoestagiario.blogspot.ca/search/label/interc%C3%A2mbio, pode ser que seja útil a você e a sua esposa :)

      Uta!

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  6. Olá Estagiário! Que texto!! Melhor que isso foi sua primeira resposta a um comentário. Excelente! Muito elucidador e edificador. Auxilia a quebrar paradigmas e refletir sobre o que está ao nosso redor.
    Sobre o TED, concordo plenamente. Aquilo é apaixonante. Sugiro-lhe alguns nomes para que conheça: Fundação Estudar e Na Pratica. São sites excelentes de pessoas que querem fazer uma diferença no mundo por meio do estudo e do trabalho. Querem somar e lutam por isso. Para finalizar, indico-lhe que conheça uma jovem chamada Tábata Amaral, brasileira, foi estudar em Harvard e é apaixonada por educação. Dê uma pesquisada sobre o projeto que ela e outros estudantes brasileiros que estão em boston desenvolvendo e querem trazer para o país, acredito que o nome é Mapa educação.

    Agradeço pelo texto! Que Deus lhe abençõe.

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