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terça-feira, 19 de agosto de 2014

O que é o Livre Mercado?

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Quando conversamos com investidores ou economistas, frases com a expressão "livre mercado" normalmente vem a tona, contudo, diversas pessoas não compreendem inteiramente a expressão ou são totalmente ignorantes em seu entendimento. Nesta postagem tentarei explicar de maneira simples o que significa o livre mercado e quais as diferenças entre o mercantilismo.

Antes de explicarmos o que é o livre mercado é importante comentar sobre o conceito de mercantilismo, pois assim será mais fácil de você leitor entender o contexto bem como a diferença entre ambos.

O que é mercantilismo?

De acordo com a investopedia.com, a definição de mercantilismo pode ser dada como um modelo econômico que "aumenta o riqueza de uma nação por uma regulação governamental imposta em todo o comércio nacional. Este modelo acredita que uma força nacional pode ser maximizada através da limitação de importação através de altas tarifas e pelo aumento da exportação".

Este modelo foi colocado em prática na Europa entre os séculos XV e XVIII. Como dito anteriormente, é caracterizado pela forte intervenção do Estado na economia e pode ser feita através de três modelos: balança comercial favorável, pacto colonial e protecionismo. Atualmente no Brasil é utilizado o primeiro e o último modelo, onde explicarei a seguir.

Balança Comercial Favorável
      Balança comercial favorável é quando o valor das exportações são maiores que as importações dado um período de tempo, normalmente de um ano. Portanto, no mercantilismo, é necessário que as exportações sejam maiores que as importações, assim a balança comercial será favorável ao país. Os países preferem uma balança comercial favorável pois assim teremos em tese, mais capital dentro do país, gerando assim mais riqueza. Uma balança comercial desfavorável é quando existe dinheiro saindo de uma nação. Alguns métodos utilizados pelo governo brasileiro para manter essa balança favorável é forçando a exportação, através de uma depreciação da moeda e barrando a importação através do protecionismo, que falaremos a seguir.

Protecionismo
      Podemos dizer que protecionismo é um método utilizado por alguns países para forçar a balança comercial favorável, protegendo (dai a ideia do nome, protecionismo) o mercado interno de produtos de melhor qualidade advindos de fora da fronteira. Este modelo ajuda a atividade econômica interna do país porém força a não entrada da concorrência estrangeira. No Brasil por exemplo, temos um protecionismo forçado através de altos impostos (alíquota de impostos sobre importação atualmente é de 60%) para produtos e serviços que vem de fora da nação.

Em resumo, o mercantilismo tenta proteger os produtos e serviços nacionais, normalmente isso é visto como incapacidade de geração de produtos e serviços de alta qualidade equiparáveis aos internacionais, favorecendo assim a saída e barrando a entrada de produtos. Este modelo é utilizado pelo Brasil para proteger a indústria e o comércio atual, porém é um modelo que tende ao fracasso ao longo do tempo, pois ao proteger o mercado interno, a nação sofrerá com falta de produtos de boa qualidade, criando assim uma falsa ideia de que os produtos atuais são bons e  estão a um preço competitivo e que não há a necessidade de melhorias.

Agora que explicamos um pouco do mercantilismo, podemos explicar mais facilmente o livre mercado.

O que é o Livre Mercado?

Ao contrário do mercantilismo, o livre mercado é "baseado na produção e demanda, com pouca ou nenhuma intervenção do governo. Um mercado completamente livre é idealizado na forma de uma economia de mercado onde compradores e vendedores podem fazer suas transações livremente baseadas em um acordo mútuo de preços sem a intervenção do estado em forma de taxas, subsídios ou regularizações" (Investopedia).

É óbvio que a ideologia de nenhuma intervenção do Estado na economia é algo utópico, já que o mesmo precisa arrecadar impostos e precisa de uma mínima regularização. Contudo, podemos ter um governo com regularizações simples quando se trata de transações e que possui taxas igualitárias, o inverso do protecionismo, onde há taxas maiores para importações do que em produtos nacionais.

Como funciona?

O pensamento básico por trás do livre mercado é: ambas as partes ganham com a troca, tanto o comprador quanto o vendedor, diferente do modelo mercantilista que acredita sempre que só há só um ganhador, o vendedor. No livre mercado teríamos um imposto para todos os produtos, sem distinção de produto nacional ou importado, como é feito nos países desenvolvidos. Contudo, para que tudo isso seja possível é necessário que o governo tenha um câmbio e balança comercial flutuante, além de igualar as taxas da melhor forma possível, não somente pensando em importação e exportação, mas também em produtos industrializados e não industrializados, produtos, serviços, entre outras distinções.

Adam Smith, criador da teoria econômica acreditava que não há a necessidade de um governo intervencionista pois o mercado produzirá bens de qualidade a um preço que a sociedade espera, pois a sociedade, na busca por lucros, irá responder as exigências do mercado.

Vamos a um exemplo:

Imagine que sou vendedor o único vendedor de cachorro quente no mundo, e os vendo a R$1,00 e o produto é composto apenas de pão, salsicha e mostarda. Vamos imaginar agora que todo mundo está interessado em comer cachorro quente, aumentando assim a demanda pelo meu produto. Assim, elevarei meu preço a R$5,00 e não farei nenhuma mudança, afinal estou vendendo o mesmo produto a um preço maior, ganhando assim maiores lucros. Ao ver meu progresso, outras pessoas também começarão a vender cachorro quente a um preço mais barato e além disso, colocarão mais ingredientes para chamar a clientela. Deste modo que, para não fechar meu negócio, terei que abaixar meu preço e desenvolver um melhor produto para atrair os antigos clientes. No final, eu e os concorrentes nos beneficiamos pois conseguimos produzir lucro com nosso produto e os clientes também ficaram satisfeitos, pois eles puderam comprar um produto de qualidade a um preço competitivo.

Os impactos na mudança de modelo

O maior problema é o impacto na hora da mudança do modelo mercantilista para o modelo de livre mercado. Primeiramente, ao simplificar as taxas e regularizações os preços dos produtos e serviços podem cair pois é um ônus a menos para o produtor, mas também podem se manter pois o mesmo poderia aumentar os lucros. Em segundo plano, ao abrir as portas para os produtos importados, faria com que somente os produtores capazes de equiparar seu produto aos internacionais sobrevivam ao mercado. Neste primeiro momento haverá diminuição nos produtos, aparição de novos produtos com melhores qualidades, mas ao mesmo tempo, haverá um aumento no desemprego ocasionado pela quebra de empresas com pouca vantagem competitiva. Também ocorrerá uma desequilíbrio na balança comercial e possivelmente uma grande flutuação no câmbio.

Parece o fim do mundo não é? Mas calma, isso só aconteceria se a mudança fosse rápida e sem planejamento.

Vamos imaginar um processo de oito anos para a mudança de mercantilismo para livre mercado. Nos primeiros dois anos, o governo inicia medidas para simplificação dos impostos (lembre-se, simplificação é diferente de diminuição), depois da simplificação, imagine um balanceio das tarifas. Primeiro analisa-se como poderia ser tributado os produtos, serviços, patrimônio, ganhos, etc mas a fim de se ter um retorno igual ao atual nas taxas e impostos, depois disso, aplica-se este novo sistema de tributação nos próximos dois anos. Já se foram um mandato. No próximo mandato, o presidente poderia diminuir gradativamente os impostos sobre importações, deixando o país ser inundado aos poucos pelos produtos estrangeiros, assim as empresas nacionais teriam tempo para mudar seu plano de negócio ou seus produtos para que consigam sobreviver a nova realidade. A balança comercial e o câmbio começariam a oscilar, porém, controladamente. Por fim, no final do segundo mandato, os portos estariam totalmente abertos para os produtos estrangeiros, a economia nacional estaria um tanto quanto controlada e o livre mercado seria alcançado.

Espero que o texto possa ter ajudado a esclarecer um pouco sobre o que é e como funciona o livre mercado.

Referências:
http://www.investopedia.com/terms/m/mercantilism.asp
http://useconomy.about.com/od/tradepolicy/g/Balance-of-Trade.htm
http://econlib.org/library/Enc/Protectionism.html
http://www.investopedia.com/terms/f/freemarket.asp
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=52
http://ordemlivre.org/posts/a-superioridade-moral-do-mercado
http://www.coladaweb.com/economia/adam-smith-o-formulador-da-teoria-economica

Uta!

3 comentários:

  1. Meus parabéns! Eu entendi perfeitamente a vasta diferença entre ambos, pois o texto foi muito bem escrito.

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  2. Parabéns! Li diversos textos e o seu foi o mais claro e bem explicado de todos.

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  3. Muito bom, esclarecedor. Fica aqui meus parabéns.

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