Uma vez estagiário, sempre estagiário.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Métodos de Avaliação Econômica de Investimentos [Parte 02]

Escrito por with 7 comentários
Nesta postagem vamos falar sobre dois métodos de avaliação econômica de investimentos, o VPL e o VAUE.

Ambos são utilizados para verificar se realmente o ativo vale a pena ser investido dado o seu fluxo de caixa e a TMA já vistas na postagem anterior. Para demonstrar o uso dos dois métodos, vou utilizar dois ativos que são cotados na Bovespa, a PETR4 e o GETI3. Escolhi estes dois papéis para demonstrar que podemos utilizar esta análise mesmo que as empresas sejam de setores totalmente diferentes.

Antes de começarmos a falar sobre os métodos, primeiro mostrarei os Fluxos de Caixa de ambos os ativos e depois vou comentar sobre a TMA de cada um deles.



Como mencionei anteriormente, gosto de analisar o Fluxo utilizando o LPA. Já os valores de entrada e saída, busquei as cotações do ativo no início e no final do período.

Para a TMA utilizei a taxa atual da SELIC, taxa de 0% para a oportunidade e o cálculo matemático para encontrar o risco do papel de acordo com o desvio padrão dos valores dos papéis. Fori utilizado os preços de fechamento de um período de um ano. O resultado foi:

TMA PETR4 = 11,0% + 11,5% + 0% = 22,5%
TMA GETI3 = 11,0% + 9,14% + 0% = 20,14%

Utilizaremos estas informações no decorrer desta postagem.

VPL - Valor Presente Líquido

Este método consiste em descapitalizar todos os fluxos de caixa e trazer para a data zero. Para isso utilizamos a TMA como a taxa de descapitalização. O resultado final poderá ser positivo, informando que o projeto é viável, ou negativo, mostrando que o investimento não é viável.

O ponto positivo desta análise é que todos os fluxos de caixa são reinvestidos a uma taxa igual a TMA (basicamente, seria como se todo o lucro da empresa fosse reinvestido nela mesma. Por isso que gosto de utilizar o lucro líquido, pois seria como se a empresa não pagasse nenhum dividendo ou ainda, se os dividendos fossem reinvestidos na empresa).

O problema desta análise é que os horizontes de planejamento devem ser iguais, pois o fluxo de caixa em tempos diferentes geram movimentações diferentes. Em tese, projetos com maior tempo, tendem a dar um VPL maior. Apesar deste problema, é muito fácil de contorná-lo, basta imaginarmos que todos os projetos possam ser repetidos, assim podemos encontrar um período de tempo igual para todos os projetos.

Se utilizarmos esta informação para os dois papéis de exemplo, chegaremos ao seguinte resultado:

PETR4 : -6,36
GETI3 : +2,04

Isso significa que, não é viável o investimento no ativo PETR4, pois o valor final está negativo. No caso da GETI3 é o oposto, pois o resultado mostrou-se positivo.

O método pode ser feito com lápis e papel, utilizando-se um calculadora financeira ou científica. Para os que utilizam o Excel ou o LibreOffice, existe uma função pronta que já retornam o resultado final.

VAUE - Valor Anual Uniforme Equivalente

O método VAUE consiste em determinar um fluxo de caixa uniforme que é equivalente ao fluxo de caixa original. A decisão é tomada com base no valor da parcela (valor de cada fluxo de caixa), que representa o retorno médio acima da ATM, por período. O inferimento no resultado é igual ao VPL, se positivo, projeto viável, se negativo, inviável.

O interessante do método é que como utiliza-se o VPL, o VAUE parte do pressuposto que todo o fluxo de caixa recebido será reinvestido a uma taxa igual a TMA. Outro ponto interessante é que depois que foi encontrado o VPL, pode ser utilizado para horizontes de planejamento diferentes.

O ponto negativo do método é que ele é pouco utilizado e muitas vezes não é bem aceito por investidores e analistas.

Se fossemos utilizar o VAUE para analisar os ativos, teríamos os seguintes valores:

PETR4 : -1,78
GETI3 : 0,53

O resultado é igual ao VPL, é interessante o investimento em GETI3 mas não em PETR4.

Este método também pode ser feito com papel e caneta, porém é um pouco mais trabalhoso. Para os que utilizam Excel e LibreOffice, a função PMT() dará o resultado acima.

Em resumo, podemos dizer que ambos os métodos podem trazer grandes benefícios para o pequeno investidor, pois podem facilmente mostrar se um ativo no atual momento é interessante ou não. Vale lembrar que, é muito difícil analisarmos o fluxo de caixa de uma empresa e dizer se ela é uma boa opção para um investimento. Com estas duas ferramentas torna-se mais fácil a análise e assim o pequeno investidor pode inferir nos resultados de maneira simples e rápida.

7 comentários:

  1. Respostas
    1. Grande Corey!

      Beleza! Irei responder ainda hoje :)

      Uta!

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  2. Fala, Estagiário,

    o soulsurfer já comentou um pouquinho post anterior e vou falar aqui tb: essa taxa aí tá meio estranha.... rs

    Olha, vc pegou a SELIC+risco, que é amplamente utilizado. Sinceramente, nunca vi aquele seu 3º termo.

    Em termos de números médios, esse risco é muito utilizado como o excedente do mercado de ações em relação à renda fixa (o que faz absolutamente todo sentido matemático). No entanto, essa taxa variou muito de país pra país nas últimas décadas. França eu acho que chegou a 7%, enqto nos EUA foi bem menor (nao lembro qto).

    De qq maneira, eu costumo utilizar 3,5% para empresas mais sólidas (Petrobras, Vale, etc) e 6% para empresas menores (small caps). Posso mudar um pouco, mas não sai disso.

    Tu utilizou 11% SÓ de risco.... rapaz, tá alto; se a GETI está dando compra, com 20,14%, então é um negócio da China!! heheeh

    Só não entendi de onde vcs pegou os números das cotações. Qual foi o período?

    Sobre o VAUE, este comentário q vc colocou:
    "O interessante do método é que como utiliza-se o VPL, o VAUE parte do pressuposto que todo o fluxo de caixa recebido será reinvestido a uma taxa igual a TMA"

    É justamente por isso que o pessoal não gosta de usar. Imagine que uma empresa construa uma hidrelétrica. Há um capex gigante e depois um looooongo fluxo. Baseado nisso, você pode tirar uma taxa.
    O problema é que os lucros do fluxo não vão conseguir ser investidos na mesma taxa; não tem agora como tu construir mini-hidrelétricas para dar o mesmo retorno, entende? Acho que esse é o maior problema dessa abordagem (mesmo problema da TIR)

    []s!

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    1. Olá Estagiário,
      É 11% de prêmio achei extremamente conservador, e a Geti ainda deu margem de segurança. Seria um negócio da China. Entretanto, já é sabido pelo mercado que os fluxos futuros da GETI não serão crescentes, pelo contrário em 2016 (pelo fim do contrato com a ELPL) eles cairão significativamente. Por isso, talvez a GETI não seja a melhor empresa para se aplicar os fluxos futuros descontados, ou você leve isso em consideração, mas aí a conta fica um pouco mais complexa.

      Abraço!

      obs: Di Marcinho, nos EUA o equity premium foi na faixa de 5%. Não sei se essa alta de 2008-2014 e o fato dos juros estarem em patamares históricos muito baixos talvez tenha aumentado. É possível, mas o aumento não deve ter sido significativo.

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    2. Dimarcinho,

      11% foi a SELIC, o risco é 9,14% da GETI e 11,5% da PETR4.
      Vale lembrar que, para o estudo, eu utilizei o lucro líquido da empresa de 2T06 a 1T14, não fiz projeções futuros, apenas analisei o fluxo passado.

      Lembre-se também que utilizo para o fluxo, o lucro líquido por ação, e não os dividendos e JSCP que muitos utilizam.

      As cotações que utilizei foram de abril de 2006 e maio de 2014, quando fiz a postagem.

      Como a análise está sendo através do lucro líquido da empresa, não acredito que utilizar estes valores de desconto sejam algo irreal, seriam sim se estive analisando o fluxo de caixa como sendo de dividendos, ai sim seriam irreais.

      SoulSurfer,

      Realmente, esqueci deste detalhe quando peguei a GETI3, mas como estou analisando os lucros passados, acredito que o resultado não obteve divergências.

      Uta!

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    3. Fala, Estagiário,

      uma das coisas que estudei a fundo foi o cálculo da Taxa de Desconto e, posso afirmar, que 11% só de prêmio de risco é altíssimo.

      O que isso quer dizer? Que você está sendo absurdamente conservador. Se conseguir compra com isso, como eu disse e o soulsurfer reiterou, vai ser um negócio da China!

      Eu já vi taxas de TMA de 20% serem utilizadas para empresas pré-operacionais de altíssimo risco (por exemplo, empresa de petróleo começando, que pode não achar petróleo).

      Mas para empresas já em funcionamento está muito, mas muito alto. Claro que o seu post o foco é outro, mas já to comentando sobre isso. E eu estou falando do cálculo por LPA mesmo.
      O cálculo por dividendos deveria utilizar apenas os 11% (SELIC).

      Eu entendi que você fez a sua abordagem por volatilidade das cotações, mas isso não reflete em nada os balanços da empresa, entende? Tipo, a empresa pode estar super bem e tranquila, mas devido a algum movimento especulativo qualquer, isso vai aumentar a volatilidade dos papéis. Segundo sua abordagem, isso aumentaria o risco, o que não faz sentido, visto que o valor da empresa não é afetado por isso....
      E, pelo próprio resultado, dá pra ver que está incoerente com que normalmente é utilizado.

      Já escrevi isso no blog, tudo baseado no Damodaran. Dá uma olhada depois:

      http://di-finance.blogspot.com.br/2012/11/calculando-o-valor-de-uma-acao-parte-7.html
      http://di-finance.blogspot.com.br/2012/11/calculando-o-valor-de-uma-acao-parte-8.html


      []s!

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    4. Olá Dimarcinho,

      Entendi o seu ponto de vista :)

      Vou olhar suas postagens, qualquer coisa, já sei onde eu posso mudar na análise.
      Obrigado, e obrigado também ao Soulsurfer :)

      UTa!

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