Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Métodos de Avaliação Econômica de Investimentos [Parte 01]

Escrito por with 8 comentários
Quando falamos sobre investimentos, muitos de nós avaliamos os resultados financeiros dos ativos em questão, contudo, pouco se fala sobre a análise de avaliação econômica destes investimentos, e é sobre isso que iremos comentar nesta postagem.

Para que não está muito familiarizado com o método, a avaliação econômica de investimentos é um estudo que é feito para verificar se vale a pena colocar o dinheiro naquele determinado investimento ou não, ou seja, com ele podemos avaliar qual a taxa de retorno do ativo, em quanto tempo irá retornar o valor investido e também, se este investimento vale a pena dado a alguns pressupostos.

Existem diversos tipos de análises que podem ser feitos na avaliação econômica de investimentos, porém vou me ater somente a seis análises. São elas:

1. VPL (Valor Presente Líquido)
2. VAUE (Valor Anual Uniforme Equivalente)
3. TIR (Taxa Interna de Retorno)
4. MTIR (Taxa Interna de Retorno Modificada)
5. Payback Simples
6. Payback Descontado

Os dois primeiros serão utilizados para verificar se o investimento é viável, o terceiro e quarto para analisar a taxa de retorno do ativo e os últimos dois serão utilizados para verificar quando teremos o retorno do valor investido de volta.

Antes de iniciarmos o estudo, é necessário falarmos um pouco sobre o que é TMA (Taxa Mínima de Atratividade).

TMA

A TMA é uma taxa mínima que aceitamos ter para entrar em um determinado investimento. Por exemplo, se nós formos investir em uma padaria, nós não iremos aceitar um retorno igual a SELIC, pois neste caso, poderíamos colocar nosso dinheiro no Tesouro Direto, pois assim teríamos o mesmo retorno com muito menos risco. Por conta disso a TMA é a junção de três taxas: Taxa Livre de Risco + Taxa de Risco + Taxa de Oportunidade.

A Taxa Livre de Risco pode ser utilizada a taxa da SELIC ou a da poupança, a Taxa de Risco é a taxa que esperamos receber a mais por conta dos riscos que o ativo proporciona, e a Taxa de Oportunidade é a porcentagem que nós queremos receber a mais por conta do nosso dinheiro estar imobilizado pelo tempo do investimento e não de maneira líquida em nossas mãos.

Exemplo:
Dada uma taxa Selic de 10%, aceito investir em uma empresa com uma taxa de risco de 5% e uma taxa de disponibilidade de 3%. Logo a TMA seria : 10% + 5% + 3% = 18%.

É importante encontrar aqui um valor que seja compatível com a realidade pois como estes números são muito arbitrários, o que pode gerar distorções muito grandes se o tempo de análise for grande.

Existem alguns estudiosos que utilizam uma fórmula matemática para encontrar o valor da taxa de risco. Como o método não é muito complicado, acho que vale a pena utilizarmos, ao menos para os ativos da bolsa de valores.

Vários autores utilizam para o cálculo do risco o coeficiente de variação, que pode ser encontrado através da fórmula:

Coeficiente Variação = 100 * (Desvio Padrão / Média Simples)

Para o mercado variável, podemos utilizar como dados de entrada os valores das ações, FIIs e demais ativos. Contudo, vale lembrar que, quanto maior o tempo analisado do ativo, maior é o risco (nada espantoso, visto que quanto maior o tempo de investimento em um ativo, maior é o seu risco).

Exemplo: Se analisarmos o valor do Ibovespa do começo deste ano até hoje, teríamos uma taxa de risco de 4,68%. Agora se o período for do começo de 2013 até agora a taxa de risco seria de 7,96%.

Já para a taxa de oportunidade, é algo muito mais relativo. Algumas empresas trabalham com esta taxa entre 0% a 1%. Como estamos analisando a taxa de oportunidade financeira e/ou econômica é mais difícil encontrarmos um valor interessante que tenha como base um estudo ou fórmula.

Além da TMA, também é importante falarmos sobre fluxo de caixa e qual será e suas possíveis análises.

Fluxo de Caixa

Exemplo de Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa é onde vamos nos basear para fazer todo o estudo.
Porém existe algo que devemos prestar muita atenção, e que pode levar-nos a valores totalmente diferentes.

Quando falamos de fluxo de caixa, temos sempre que analisar em que visão será feito o fluxo. Isso é muito importante visto que um fluxo de uma empresa é totalmente diferente do fluxo do investidor. Por conta disso deve-se definir qual visão utilizar e assim SEMPRE fazer o fluxo de caixa baseado neste olhar.

Alguns investidores gostam de analisar o fluxo de caixa deles, sendo assim, é importante verificar o quanto a empresa irá te retornar em pró-labore, dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações, entre outros. Existem os que utilizam a visão da empresa, para eles, o importante é sempre verificar o lucro líquido do período, o LPA, o EBITDA dependendo da análise que está sendo feita. Eu sinceramente gosto de analisar visando a empresa como um todo e utilizar para isso o lucro por ação, ou o lucro líquido.

Após estas pré informações, vamos falar dos métodos de avaliação econômica de investimentos, mas somente na próxima postagem.

8 comentários:

  1. Muito bom, estagiário.

    Conceitos básicos e essenciais, na minha visão, e desconhecidos pela maioria.

    []s!

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    1. Fala Dimarcinho,

      Pois é, estava conversando com o meu professor e ele disse que era para dar uma analisada nestes métodos que poderiam me ajudar nos investimentos... Apesar de ainda não ter usado nos ativos que tenho, acho importante passar para o pessoal, afinal, como você mesmo disse, são conceitos básicos, e existem pessoas que assim como eu, desconheciam ou não tinham ideia de como poderiam utilizá-los nos investimentos.

      Uta!

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  2. Seria interessante você citar as fontes bibliográficas.

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    1. Olá Anônimo,

      Todas as fontes estarão na postagem final da série :)

      Uta!

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  3. Olá Estagiário!
    Eu não entendi a adição da taxa de oportunidade. Para mim sempre foi a taxa do ativo de livre de risco + prêmio. Não entendi a separação entre risco e oportunidade.
    Sobre o risco, não entendi se você está falando sobre volatilidade dos retornos como risco, na verdade ele tende a diminuir em períodos maiores de tempo, isso é muito claro em gráficos sobre a volatilidade dos retornos em período de 1, 5 e 10 anos.

    Abraço!

    Soulsurfer

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    1. Olá Soul Surfer,

      A diferença foi que eu quebrei o prêmio em dois. No caso o risco é diferente de um ativo para outro, já o caso da taxa de oportunidade pode ser igual. Um exemplo, você está em dúvida entre 3 ativos, que apesar das análises eles estão empatados, então você joga uma taxa de oportunidade nos 3 para desempatar por exemplo, ou ainda, você tem um ativo que possui liquidez imediata e outro que não possui, então a taxa de oportunidade do primeiro é menor do que a do segundo, já que o risco de perder uma oportunidade melhor no primeiro é menor do que no segundo.

      No caso da volatilidade, estou falando do valor do ativo. Irei explicar:
      Como a ideia é utilizar a avaliação econômica em ações, optei por utilizar a volatilidade do preço do ativo como sendo a base para a análise. Quanto maior a volatilidade, maior o risco que eu tenho de necessitar vender o ativo e não saber o seu real preço, ou a estimativa do mesmo. Como no fluxo de caixa vou analisar todos os passos, da compra até a venda do ativo, achei interessante optar por analisar a volatilidade do papel. Não sei se deu para entender mais ou menos o que quis dizer :)

      Qualquer dúvida, só perguntar novamente.

      Uta!

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    2. Olá Estagiário,
      a) Eu entendi. Entretanto, o prêmio já previa isso. Mas, se você acha melhor dissecar ainda mais esse prêmio, mal não vai fazer com certeza.

      b) Bom a volatilidade do preço com o tempo aumenta. A volatilidade dos retornos não, tanto que essa é a tese principal do livro do Siegel : 'Stocks for The Long Run".

      https://www.cxoadvisory.com/3402/big-ideas/notes-on-variability-of-stock-market-returns/
      Há alguma coisa nesse site.

      Abraço!

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    3. Olá Soulsourfer,

      Então, achei interessante essa divisão para quando estiver em um empasse. Alguns autores de livros dizem que deste jeito é mais fácil. Você zera o custo de oportunidade e só adiciona valores quando você verificar que a liquidez do papel é baixa ou nula, dai você sabe que está correndo um risco e pode então aumentar o valor. Achei a abordagem bem interessante.

      Muito interessante a análise Soul. Gostei da página.
      Mas concordo com você quanto a volatilidade do preço e a volatilidade dos retornos...
      Quanto mais uma empresa está no mercado, mais volátil fica os retornos dela, afinal ela vai chegando na "linha de constância" (esqueci o nome que eles dão pra isso), que é aquele determinado valor que você sabe que seu lucro não irá ficar longe daquilo.

      Uta!

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