Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Os Segredos Financeiros dos Amish

Escrito por with 7 comentários
Para quem nunca ouviu falar deles, os Amish são um povo religioso cristão anabatista que vivem em sua maioria nos Estados Unidos e no Canadá. Conhecidos pelos seus costumes conservadores e de repúdio a tecnologia como eletrônicos e carros. São normalmente conhecidos por serem simples e terem dedicação a família e as tradições, porém, o que ninguém sabe é que eles manejam o dinheiro tão bem quanto manejam as terras. De acordo com o site AmishAmerica.com, é comum encontrar Amish milionários.

Mas qual o segredo que este povo possui e que nós não conhecemos? É o que vamos ver a seguir...

Amish valorizam mais a experiência do que bens materiais

Primeiramente, por conta de sua cultura, eles não gastam com eletrônicos desnecessários. Quando entram no supermercado, levam somente o que precisam, nada de gastos com coisas supérfluas. Os Amish possuem uma visão para o longo prazo sempre.

Ao invés de comprar transloucadamente como a maioria da população faz para se divertir, os Amish preferem gastar seu dinheiro com outras coisas, como por exemplo, acampar e caçar por algumas semanas, fazer festas, visitar outras colônias... enfim, preferem o prazer da experiência de vida ao invés do prazer nos bens materiais.

São grandes poupadores. Guardam em média 20% do salário

Para se ter uma ideia, os americanos guardam apenas 6% do ganho mensal, com certeza é mais do que a média dos brasileiros.

Craker, autor do livro "O Segredo do Dinheiro dos Amish", conheceu um Amish que gerenciava uma conta de U$400.000,00 que conseguiu juntar em vinte anos, enquanto cuidava da fazenda e da sua pequena família que era constituída por ele, a mulher e seus 14 filhos. Vale ressaltar também que a fazenda era dele, assim como a casa e todos os seus bens.

Quando foi perguntado para outro homem do vilarejo sobre o por que dele guardar 20% do seu salário, Craker ouviu, "Gosto da sensação de acordar um pouco mais rico toda manhã por conta dos juros da minha poupança do que mais pobre por causa dos juros das minhas contas".

Odeiam dívidas e evitam os cartões de crédito

Alguns Amish menos tradicionais utilizam cartões de crédito, porém ainda assim, odeiam dívidas.

Em grande parte das vezes, os Amish utilizam o dinheiro em espécie para fazer suas aquisições, mesmo que o valor desta aquisição seja alto. Eles preferem pagar tudo à vista pois assim sabem que não terão dor de cabeça no outro dia.

Ao indagar um homem sobre este fato, Craker ouviu uma simples frase, "Gostamos de pagar tudo à vista pois gostamos de colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente. Não conseguimos fazer isso sabendo que estamos devendo dinheiro para alguém".

Só para mostrar um pequeno contraste... Enquanto os Amish não possuem cartão de crédito ou quando possuem é apenas um, a média dos americanos ficam em 4 cartões com um crédito total de U$16.000,00.

Ao invés de recorrer ao crédito, eles preferem trabalhar o dobro quando o dinheiro fica apertado

Craker disse que os Amish são totalmente voltados a família e a comunidade, e que são um povo muito engenhoso.

Quando o dinheiro de alguma família fica apertado, o pai arranja um trabalho extra, mesmo que para isso precise aprender a construir algo, ou que necessite trabalhar durante 16 horas por dia. As mulheres também ajudam, vendendo alguns alimentos ou flores para mercados para ganhar um dinheirinho extra.

O problema é que este caminho não é fácil, muito pelo contrário, é penoso mas sabem que é melhor do que recorrerem ao crédito como a maioria da população americana faz.

E quando necessitam se endividar, tornam o pagamento como uma obrigação moral e assim o fazem o mais rápido possível

Os Amish, ao contrário de muitas pessoas, levam a dívida de maneira pessoal, ou seja, acreditam que é uma obrigação não somente monetária mas moral de pagar aquela dívida.

Eles são tão regrados que muitos bancos olham os Amish com outros olhos, pois sabem que um empréstimo para eles com certeza será honrado e a chance de calote é quase inexistente. Existem algumas comunidades Amish que quando necessitam de um empréstimo para a aquisição de terras agrícolas ganham um crédito adicional do banco, para compra de materiais para o plantio, sem juros nenhum.

Apesar da realidade deste povo, quando olhamos o povo americano como um todo a coisa muda de figura. Apesar da quantidade de pessoas que possuem a conta bancária vermelha tenha diminuído ao longo do tempo, aqueles que possuem dívidas estão com elas maiores, criando assim um aumento no calote.

São excelentes comerciantes e seus produtos são de alta qualidade e com demanda

Apesar de muitos dos Amish trabalharem com cultivo de frutas, verduras e legumes, existem aqueles que entram em outras áreas como construção civil, manufatura de partes de metal e construção de imóveis.

São conhecidos pela alta qualidade de seus produtos, que consequentemente possuem alta demanda. De acordo com o jornal TODAY, os Amish já nascem com esta marca registrada de bons comerciantes, produtores e manufatureiros. Lógico que existem alguns que são um ponto fora da curva, mas na maioria das vezes a qualidade está aliado a eles.

Contudo, eles não são a prova de recessões. Muitos deles tiveram problemas na última crise e passaram maus bocados, porém conseguiram se reerguer facilmente.

São proprietários de pequenos negócios, e possuem uma taxa de 95% de sucesso

Nos Estados Unidos, metade das empresas fecham suas portas nos primeiros cinco anos. No Brasil, a maioria termina antes mesmo do segundo ano de vida. Os Amish, conseguem manter um pequeno negócio a uma taxa de 95% de sucesso.

A chave do sucesso destes empresários se dá pela ênfase na pequena escala e na vontade de trabalhar ao lado do empregado. "Quando você possui laços positivos com seus empregados, é mais difícil seu negócio dar errado", disse um empresário Amish.

Wesner, outro autor do mesmo livro de Craker, disse que "muitas vezes os donos das lojas não estão fora do local, estão ali. De algum modo isso gera uma credibilidade para os empregados".

Raramente desperdiçam algo e reciclam a níveis inimagináveis

Se a roupa que utilizam não está muito curta, então eles passam para os menores. Caso contrário, eles cortam em tiras para se fazer colchas ou tapetes de pano.

Outro exemplo é que a comida que não é utilizada, é transformada em adubo para as plantas do fazenda. Potes e vasilhas também são reaproveitados. Eles reciclam tudo utilizando a ideia de "pensamento verde", ou seja, sempre pensando em como utilizar aquilo pela terceira ou quarta vez. Vale lembrar também que isso ajuda na diminuição das despesas no final do mês.

Sempre que possível compram no atacado

Por conta da família média de um Amish ser de seis a oito filhos, eles sempre compram comida no atacado. É comum comprarem sacos de 50 quilos de aveia, 100 quilos de farinha, e 150 quilos de açúcar.

Porém para uma família brasileira normal que possui um espaço limitado, normalmente moradores de apartamentos é mais difícil pensar em aquisições no atacado. Contudo, uma família de pai, mãe e um filho pode vir a poupar R$100,00 por mês em compras no atacado.

Em resumo, podemos dizer que os Amish podem nos ensinar muita coisa em matéria de Finanças Pessoais. Contudo, sabemos que nunca iremos nos igualar a eles, devido principalmente a diferença de cultura.

Uta!

7 comentários:

  1. Grande Estagiário!

    Não conhecia esse livro, deve ser bem interessante. Conheci os Amishs nessas séries de TV onde alguns jovens saem da comunidade em busca de uma vida "normal". Normalmente essas comunidades fechadas e estranhas possuem alta capacidade de preservação de dinheiro, veja o caso dos judeus aqui no Brasil.

    Isso de valorizar experiências é algo que concordo totalmente, sou mais pular de para quedas que comprar um tablet, rsrs!

    Tb odeio cartão de crédito e somente utilizo como ferramenta de compra on-line ou para viagens (costumo parcelar passagens e hotéis de maneira que a última parcela seja paga antes do embarque). Não vejo sentido em ter dinheiro na mão e não usa-lo, a melhor maneira de controlar despesas é usando cash.

    Fantástico isso de trabalhar mais qd a grana aperta, com certeza o cansaço e stress que isso causa é menor que o de pagar juros e rapidamente se elimina o problema. O grande problema do americano é o consumismo por toda e qualquer coisa que está a venda, eles entopem suas garagens de porcarias totalmente desnecessárias. Todos deveriam pensar empréstimos como obrigação moral. Uma coisa que me deixa extremamente feliz é qd deixou um cliente ficar devendo, digamos, 0,50 e ele volta 1 ou 2 dias depois pra pagar. Não fico feliz pela quantia e sim pela atitude.

    Abração!

    Corey

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    1. Os judeus possuem um histórico muito grande de manejo do dinheiro, acredito que é por conta dos seus ancestrais serem do oriente médio. Vide nos Estados Unidos, onde muitos possuem bancos e empresas milionárias.

      Também sou destes que preferem sair e curtir um pouco do que juntar para comprar um tablet da vida.

      Concordo com você. No dinheiro a coisa fica muito mais fácil, e outra, já percebi isso de alguns lojistas, eles dão até mais atenção. Lembro de uma vez que fui comprar um tênis e disse que ia pagar em dinheiro. A conversa mudou completamente, sem contar o sorriso do dono. :)
      Acho que o cartão de crédito é bom quando você tem um bom controle dos gastos, e quando utiliza o programa de milhagens, mas ainda sim, comprando sempre sem parcelar.

      Os Amish são muito inteligentes, dão o máximo no trabalho ou ainda arrumando outros para conseguir pagar tudo o mais rápido possível. Acho que essa é a chave de tudo, não ficar com dívidas ou quando ficar, o menor tempo possível. Por isso que acredito que amortizar dividas de anos, sempre é interessante.

      Sempre, absolutamente SEMPRE pago. Nunca deixo para pagar depois pois sinto um peso na consciência e não consigo dormir bem por conta disso. Acho que tenho um pouco de sangue judeu. Hahahahahahaha

      Uta!

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  2. Bom eu discordo quanto ao cartão de crédito. Se você tiver controle sobre suas finanças, entenda: se você tiver algum software que controle cada centavo da sua conta (para mac: MoneyWiz ou MoneyWell) não tem porque não usar o cartão. Eu consigo todo ano cerca de 30 mil milhas por usar o crédito. Ao alcance do meu smartphone consigo ver quanto vai vir meu cartão daqui a 10 meses. Vou dar só um exemplo aqui sobre o assunto:

    Cartão Petrobras: anuidade zero pra sempre! A Petrobras tem o programa chamado Premmia. A cada R$1 gasto é 1 ponto no Premmia. Mas se você abastecer no posto favorito cadastrado você ganha 2 pontos a cada R$1, mas se você abastecer no posto favorito e com cartão petrobras você ganha 4 pontos.

    Aqui em Brasília, que tudo é longe, gasto uns R$ 400 de gasolina por mês. R$4800 por ano. 19200 pontos no premmia por ano. 2 pontos do premmia vale 1 milha smiles. Então só de gasolina eu ganho 9600 milhas por ano. Isso só de gasolina. Pros outros gastos mensais uso um cartão que pontua melhor que esse petrobras.

    Minha humilde opinião: esse negócio de não usar o cartão me parece mais um conceito ultrapassado dos vovôs de tempos atrás...

    Drink coke!

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    1. Olá Dono da Coca,

      Com relação ao cartão de crédito, se você tem 100% de controle das suas dívidas e tem um pagamento mensal constante, a coisa muda totalmente de figura.
      Como disse para o Corey, se você tem controle total das suas dívidas e tem como tirar proveito de milhagens, ai pode até se pensar em utilizar o cartão de crédito. Mas mesmo assim, eu fico um pouco com receio, por conta de ter uma ideia de que, se eu posso pagar agora, então eu pago e pronto. Não gosto de ficar "devendo" pra ninguém.

      No mais, não há como discordar do seu ponto de vista. :)

      Uta!

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  3. Opa, faltou concluir: 9600 milhas por ano só pra dizer "crédito" em vez de "débito" na hora de abastecer vale a pena não? agora se a pessoa não tem controle sobre as receitas x despesas é outros quinhentos...

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  4. Caralho, acho que sou amish e nem sabia!!!!

    Abraço!!!

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    1. É Victor,

      A vida dos Amish se aparenta muito com a vida de um investidor como nós :)

      Uta!

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