Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Analisando o P/L dos Títulos Públicos

Escrito por with 9 comentários
Na postagem passada mostrei como podemos optar por uma empresa dentre dois ou mais ativos analisando-se o histórico do P/L. Para quem não leu é só clicar aqui.

Hoje vamos falar um pouco sobre o P/L de alguns títulos públicos e entender um pouco mais sobre este indicador e o por que ele pode nos ajudar muito a compreender o conceito de risco e como podemos analisá-los juntamente com as ações.

Quanto você está disposto a pagar em um título público com validade de dez anos ? Será que um título de R$1.000,00 que dará ao investidor R$120,00 por ano com validade de vinte anos está com um preço aceitável ?

Encontrar o P/L dos títulos públicos é algo relativamente fácil, basta verificarmos o valor do título na sua validade, calcular o lucro líquido, dividir pela quantidade de anos e depois comparar o lucro anual com o valor pago no momento da compra.

Abaixo podemos verificar os dados de alguns títulos públicos:

Papel
Valor Compra
% Anual
Valor Final
Lucro Líquido (15% IR)
P/L
LFT-070317R$ 5.916,339,88R$ 8.083,05R$ 1.841,7110,15
NTNBP-150519R$ 1.712,0712,16R$ 2.946,90R$ 1.049,618,42
NTNBP-150824R$ 1.213,0412,43R$ 3,541,24R$ 1.978,976,53
NTNBP-150535R$ 596,1512,60R$ 5.135,76R$ 3.858,673,30
LTN-010116R$ 802,8811,80R$ 980,65R$ 151,1010,62
LTN-010117R$ 707,9012,36R$ 956,68R$ 211,4710,04

* IPCA 12m : 5,91%
** Selic 9,9%

É possível perceber que os títulos com data final mais próxima e os indexados a SELIC possuem um P/L maior, pois em tese, apresentam menor risco ao investidor. Já os ativos indexados pelo IPCA possuem maior risco e consequentemente apresentam um menor P/L. Deste modo, com o passar do tempo ou alteração no valor da SELIC, os títulos também terão uma variação no seu valor, criando uma volatilidade na relação preço por lucro o que faz com que esta alteração também possa ser calculada e pode ser analisada também pelo pequeno investidor para verificar se seria interessante ou não aquele ativo em um determinado momento.

Como os títulos públicos são considerados renda fixa nós olhamos a cotação final do ativo ou seja, o seu valor futuro, diferentemente das ações que para analisarmos nós recorremos ao histórico dos lucros e não fazemos projeções.

Agora nós podemos analisar juntamente as ações e os títulos públicos para sabermos se em um determinado momento é melhor investirmos em ações de alguma empresa ou ainda se naquele momento é melhor investir no Tesouro Direto.

Velhas Virgens - Se Deus Não Quisesse

Uta!

9 comentários:

  1. Fala, Estagiário,

    interessante metodologia. Mas infelizmente de cara já vi uma incoerência nele.

    Sabe o conceito de Duration? Pois então, ele é amplamente utilizado em gestão de carteiras de renda fixa como forma de avaliar o risco da carteira como um todo.

    Bom, notei que sua LFT teve um "P/L" 10,15 e a LTN 010117 "P/L" 10,04. Virtualmente o mesmo valor.

    No entanto, o risco da LTN é muito maior do que o da LFT. Na verdade, a LFT possui Duration zero.

    Método interessante o seu, mas creio que você não pode utilizá-lo para comparar diferentes títulos. Ou compara tudo pós, ou tudo pré ou tudo misturado (NTN-B são pré+pós).

    E, ainda nessa linha de raciocínio, acho que fica complicado utilizar essa metodologia para comparar com ações.... masss, estou aguardando os próximos capítulos! rs

    []s!

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    1. Olá dimarcinho,

      O conceito do Duration eu conheço sim, ele é muito interessante quando falamos de alterações na taxa de juros e acredito ser um excelente modo de analisar um portfólio de investimentos na renda fixa.

      Só que existe um porém no conceito do Duration e no conceito da minha estratégia. O Duration parte do princípio (bem, mas bem por cima...) que o "melhor investimento é aquele que segue a taxa de juros básica". Existem inúmeros lugares que mostram que se a taxa de juros aumentar, os títulos pré-fixados tendem a ter menos lucro do que os títulos com Duration próximo a zero, isso é fato, não há como discutir. A grande diferença é que neste conceito que eu utilizo, eu não analiso o melhor investimento como sendo próximo a taxa de juros, mas sim, como o melhor investimento sendo aquele que tiver uma variação positiva menor ou negativa em relação ao preço sobre o lucro.

      São bem diferentes as linhas de pensamento, por isso que no quesito "risco" a minha estratégia e a estratégia do Duration são totalmente diferentes. Enquanto no Duration um título com próximo a taxa de juros básica é a melhor opção, para mim, a melhor opção é um título que teve uma maior queda do P/L em determinado momento.

      Por este motivo, posso utilizá-lo em conjunto com ações e títulos públicos para encontrar a melhor oportunidade em um determinado momento.

      Uta!

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    2. Hm, interessante. Entendi mais ou menos. rsrsrsrsrs

      Aguardo seu próximo post para decisão da de qual classe investir.

      Acho que ajuda pros leitores dar uns exemplos!

      []s!

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  2. Muito bom post EI!!! Claramente as NTN-B's se destacam no quesito P/L. A discussão proposta pelo dimarcinho a respeito do duration também ajudou bastante a enriquecer o post.

    Abraços!

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  6. EI,

    interessante a análise, mas vejo uma limitação importante: o conceito de "going concern" vs vencimento de títulos de RF.

    A análise de P/L tem como uma das suas premissas o conceito de que o negócio que uma determinada ação representa tem duração indeterminada, ou seja, vai durar o quanto seus sócios desejarem e/ou a sua lucratividade permitir. Isso significa que um P/L alto indica apenas que o tempo necessário para "recuperar o investimento" é mais longo, mas nada impede isso de acontecer.

    Um título de RF, por outro lado, tem um vencimento. Isso significa que, se o P/L for superior ao período remanescente até o vencimento do título, não há a possibilidade de recuperação integral do investimento. Ou seja, só vale considerar a análise de P/L de RF para títulos com prazo de vencimento SUPERIOR ao P/L calculado. Se o P/L for maior que o prazo remanescente, isso na verdade é um indicador contrário ao investimento no título em questão.

    Ou pelo menos essa é a minha visão...

    Sds

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    Respostas
    1. Olá Luiz,

      Interessante sua visão.

      Mas na verdade quando avaliamos o P/L utilizando a minha estratégia não estamos tentando encontrar um "retorno sobre o valor investido, ou ROE do título", ou seja, naõ estamos tentando encontrar quando que aquele determinado ativo nos dará de retorno o valor investidor, estamos tentando encontrar qual é a relação entre o lucro e o preço que os investidores estão no momento aceitando por aquele determinado ativo. Por exemplo, quando verificamos o P/L as NTNBP e das LTN, podemos ver que os investidores aceitam pagar mais caro por um título pré-fixado com uma data menor do que um título pós fixado com data maior. O principal motivo é o risco que eles correm, que é maior, visto que você não sabe qual será o valor no final do período, você apenas tem uma estimativa, diferentemente dos títulos pré-fixados onde você já sabe qual o valor que irá receber no final do período.
      Tendo em mente esta informação nós podemos encontrar um investimento que anteriormente possuía um P/L alto, mas que agora está menor, significando uma oportunidade em investimento ante ao período anterior.

      Sua análise do P/L não está errada, mas é diferente da minha quando faço a análise. :)

      Uta!

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