Uma vez estagiário, sempre estagiário.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Comentários do Livro A Startup de $100

Escrito por with Sem comentários
Chris Guillebeau é um escritor, empresário e viajante apaixonado. Ele escreveu este livro após compilar diversos dados de microempresários que largaram seus empregos ou não, que foram despedidos ou não, para abrirem suas próprias empresas depois de muito estudarem sobre o mercado, ou não.

O livro conta com diversos exemplos de casos e é impossível você não se identificar com algum deles. Pessoas que foram despedidas, largaram o emprego, diminuíram o tempo de trabalho, criaram algo na internet, venderam algo pela internet, iniciaram blogs, vlogs, ou até mesmo um mercadinho, negócio de moda ou qualquer outra empresa física. É no mínimo inspirador ver como pessoas começaram seus negócios muitas vezes com menos de cem dólares no bolso, ou ainda, com um pouco de dinheiro e hoje podem trabalhar tranquilamente em seus negócios, viajando pelo mundo, mudando de países, ou ainda fixos em algum lugar, mas com uma liberdade que nunca imaginaram ter.

No final de cada capítulo ele coloca os principais insights, o que ajuda você a fixar ainda mais cada ideia que o autor quer passar. Vou deixar aqui alguns que achei excelentes:

  1. Para se abrir um negócio você precisa de apenas três fatores: um produto ou serviço, um grupo de pessoas disposta a pagar por ele, e um jeito de ser pago. Todo o resto é opcional.
  2. Muitos dos projetos começaram por um processo de transformação de habilidades, portanto se você for muito bom em algo, com certeza será bom em outra coisa também.
  3. A chave para conseguir abrir o seu micro negócio é combinar paixão e habilidade com algo que as pessoas consideram útil
  4. Para que o negócio tenha êxito você precisa criar valor
  5. Quando você conseguir promover mais benefícios essenciais mais fácil será lucrar com sua ideia, isso significa que você deve vender benefícios e não recursos ou características. Benefícios são emocionais, muito mais importantes que características físicas
  6. As pessoas querem aumentar alguns pontos na vida delas como dinheiro, amor, atenção e prazer, além de diminuir outras como estresse, ansiedade e dívidas. Acrescente alguns desses fatores e diminua outros e prepara-se para ser bem pago por isso
  7. Existem diversos micro empreendedores que são nômades, ou seja, possuem liberdade geográfica, entretanto pergunte-se se realmente é isso que você gostaria
  8. Conheça o seu público, mas não somente em termos de características como raça, idade e sexo, mas também em outros termos, como crenças, valores em comum, etc.
  9.  É possível seguir o modismo dando as pessoas mais do que elas esperam e simplificando algum elemento do processo
  10. Foque na ação não no planejamento. Muitas pessoas planejam demais e nunca conseguem fazer com que sua ideia saída do papel, portanto tome uma atitude e planeje conforme avança
  11. Você não sabe como a primeira venda pode ser um grande motivador
  12. Para evitar complicações, tente explicar seu negócio no Twitter, usando apenas 140 caracteres
  13. Foque sempre no benefício que os seus clientes terão diretamente com seu produto ou serviço
  14. O que as pessoas querem nem sempre são o que elas dizem, cuidado com isso
  15. Objeções, mate-as antes de mostrar a oferta
  16. Lembre-se, a diferença entre uma boa oferta e uma excelente oferta é o senso de urgência
  17. Dedique-se 50% à criação e 50% à conexão. Lembre-se um excelente produto mas que tenha poucas pessoas sabendo dele perde para um bom produto que grande parte da população conhece
  18. Hobby e negocio são diferentes, no negócio sua meta principal sempre será ganhar dinheiro
  19. Um negócio tem uma grande possibilidade de ter sucesso quando você poder ser pago mais de uma vez
  20. Avançar aumentando a receita normalmente é mais fácil do que iniciar um novo negócio
  21. Parcerias meticulosamente selecionadas podem criar alavancagens muito mais fortes do que qualquer outro método
  22. Nem sempre é interessante expandir seu negócio, lembre-se dos seus objetivos sempre
  23. A maior lição que você deve retirar do livro é, não desperdice o seu tempo vivendo a vida de outra pessoa

O livro mostra que, não é tão complicado quanto parece você abrir seu próprio micro negócio e seguir em frente a sua vida, muito pelo contrário, é muito mais simples do que aparenta. O que mais me chamou a atenção foram os estudos de caso, onde pessoas perderam o emprego ou sucessões de coisas ruins fizeram com que elas tivessem que encontrar um jeito para se virar, sendo aquela a única saída. Outros aliaram o micro negócio com o atual trabalho, não necessitando deixa-lo de lado, além dos outros que só pediram demissão após terem uma certeza que iriam se dar bem no projeto em que estavam trabalhando.

A questão principal que percebi no livro, é que muitas pessoas têm uma boa opção de largar o emprego atual e viver a vida delas com mais comodidade e liberdade, mas infelizmente disseram não por conta a estabilidade do trabalho e porque estavam sendo aprisionadas ao salário, não que o salário seja o mal do mundo, mas não queriam abrir mão dele e seguir de cabeça no projeto em que estavam pensando, pois tiveram medo do desconhecido. O que comento aqui com vocês é, 99% das coisas que pensamos quando temos medo, nunca irão se concretizar, então, mesmo tendo medo, façam pois se existe algo te incomodando e você não fizer nada, não haverá nenhuma alteração na sua vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Eu, minha moto, e dois mil quilômetros em vinte e nove horas.

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Que sempre fui apaixonado por motos e estrada, isso todos já estão carecas de saber, mas nunca tive a coragem ou melhor, nunca me deixaram ter a coragem de fazer uma longa viagem. Pois bem, decidido a mudar essa história, resolvi antes mesmo de voltar para o Brasil que eu iria fazer uma viagem para o sul, ao estado da Santa Catarina para visitar um amigo que conheci no Canadá. Para tanto, teria que sair da minha cidade no interior do estado de São Paulo, cruzar o Paraná além da metade do meu estado e do estado de Santa Catarina.

É interessante a quantidade de pessoas que desaprovam algo porque elas mesmas não teriam coragem de fazer. Ouvi muitas coisas, desde a possibilidade de ocorrer um problema mecânico a outros problemas como alguém roubar minha moto no meio da estrada, ou ainda problemas de outros condutores de fazerem eu me acidentar. Outros ainda duvidaram da minha sanidade, afinal, onde já se viu dirigir por mais de dez horas seguidas.

Para evitar problemas, resolvi prevenir o máximo para que a moto não tivesse problemas de mecânica. Troquei o óleo, filtro, o pneu traseiro, e as pastilhas de freio, além de pedir para lubrificar a corrente e esticá-la. Feito isso, enchi o tanque e fui viajar.

Depois que fiz essa viagem, percebi que realmente a cilindrada de nada conta em grandes viagens. É lógico que uma moto com mais potência poderia me deixar mais confortável ou poderia me levar ao meu destino mais rápido, porém isso não quer dizer que a minha moto, uma Fazer 250, não aguentou fazer a viagem, muito pelo contrário, além de conseguir aguentar o tranco de ida e volta, hoje ela está mais fácil de dirigir.

Este nascer do sol mostra que a viagem realmente valeu a pena

Marco 0.0km
Acredito que a ligação entre máquina e o piloto é algo que não é fácil conseguir no dia a dia, mas em um momento onde você fica muito tempo pilotando o carro ou moto, você consegue realmente sentir cada momento, cada vibração, cada torque da máquina, passando por você de um jeito que não há nada que tenha a mesma sensação. Você sente que o pneu no asfalto é como se você estivesse correndo, porque é muito fácil medir uma ultrapassagem, uma frenagem, uma necessidade de torque ou ainda uma limitação de potência.

Chegada em
Garopaba
Por fim, aprendi nessa viagem de treze horas de ida e dezesseis de volta, que a felicidade realmente não vem de concluir um objetivo e sim do processo em si. Colocar todo o equipamento, a mochila com roupas, e mandar ver. Parar alguns momentos, apreciar a vista, ter a certeza da felicidade na pequenas coisas, ligar o motor novamente e tocar mais algumas dezenas de quilômetros, conversar com garçonetes e frentistas, dar risada recíproca devido ao sotaque estranho, ganhar um simples olhar ou sorriso de uma linda garçonete e dizer que ela tem o sorriso mais lindo do mundo, deixar o dia dele mais feliz e contente, mesmo que seja por apenas alguns minutos.

Vou contar aqui uma das coisas que ocorreram durante a ida e a volta. Entre as cidades de Ponta Grossa e Curitiba, parei em um restaurante para tomar um café expresso, o meu combustível em grandes viagens. Lá conheci uma garçonete chamada Luci. Moça de cabelos loiros, olhos cor de mel, e que do momento em que me atendeu até o momento que sai do estabelecimento esboçava um sorriso para todos os clientes. Enquanto eu tomava o meu café no balcão, quando viajo sempre tento ficar em pé nos cafés para poder circular melhor o sangue nas pernas, vi que ela estava tomando um esporro do gerente, que no mínimo havia acordado de mau humor. Mesmo assim, Luci não deixou de delicadamente sorrir para todos os clientes. Quando percebi que o gerente tinha saído e havia terminado de tomar o café seguiu-se a conversa:

- Luci, desculpe, acredito que esse seja o seu nome, certo?
- Sim senhor. O senhor deseja mais alguma coisa?
- Na verdade, eu preciso de dizer três coisas, e gostaria que a senhorita não me levasse a mal.
- Tudo bem, pode falar. - O sorriso no rosto dela continuava sereno e doce.
- Primeiro, você é a primeira garçonete em mais de quinhentos quilômetros percorridos que não retirou o sorriso do rosto para nenhum cliente, segundo, que o seu atendimento é excelente, por mais que o seu gerente diga que não, e por fim mas não menos importante, a senhorita é linda, espero que os seus objetivos sejam grandes e que consiga conquistar todos eles. Vou lhe dar uma gorjeta pelo seu serviço - retirei cinco reais do bolso - e prometo que se daqui a uma semana você estiver aqui, dobro a sua gorjeta.

Chegada em casa.
Ela agradeceu, ficou muito sem jeito, aceitou a gorjeta e fui embora, um simples gesto que me custou cinco reais que deixou o dia dela pelo menos um pouco melhor. Peguei minhas coisas e segui viagem, por mais algumas horas.

Neste meio tempo, peguei Sol, tempo nublado, pancadas de chuva, e nada abalou o meu estado de espírito. Acredito que estava tão feliz com ter encontrado a felicidade no processo, que encarava cada dificuldade como novo desafio. Quando cheguei em Garopaba a sensação de dever cumprido foi simplesmente algo inesquecível. Fiquei lá apreciando as praias, festas e baladas durante uma semana.

Simplesmente um lugar maravilhoso
E amizades que duram centenas de quilômetros fazem valer a pena
Na hora da volta para casa, entre conversas de diversos amigos que ficaram no meio do caminho entre Bauru e Garopaba, infelizmente só consegui visitar um em Curitiba, e de maneira muito rápida. Uma amizade selada a quase dez anos e que boa parte das coisas feitas em minha adolescência contam com o nome dele como co-participação.

Amizade que nem a distância e o tempo separa
No outro dia, quando fui de Curitiba até Bauru, passei novamente no restaurante onde Luci trabalhava. Quando entrei não a vi no balcão, então pedi o meu café expresso e estava no mesmo lugar que a uma semana atrás. Enquanto estava tomando o meu café, vi Luci chegando atrás do balcão e do mesmo modo que a uma semana atrás, ela sorriu para mim, e esboçou uma gargalhada ao lembrar de mim, coisa que realmente me deixou impressionado, pois não acreditaria que ela lembraria de mim. Começamos a conversar e ela disse que o que havia dito para ela naquele dia foi o ponto mais alto no serviço dela naquele mês. Disse que não tinha dito nada além da verdade e que ela realmente tinha os dons, talentos e diferenciais que havia comentado. Ela comentou que estava estudando enfermagem em uma faculdade daquela cidade e que o sonho dela era se tornar uma enfermeira e ajudar o máximo de pessoas que conseguisse. Disse a ela que isso era outro dom que ela tinha, de se importar com as pessoas e que era muito difícil encontrar isso. Pedi outro café e cumprindo minha palavra, lhe dei dez reais de gorjeta, mas dessa vez ela recusou, dizendo que aqueles dez reais era uma gorjeta para mim, por ter deixado o trabalho dela mais feliz.

Sabe, acho que o problema do mundo hoje, é que realmente ninguém da importância as pequenas coisas. Uma simples conversa com uma garçonete que possivelmente nunca mais irei ver na minha vida, me trouxe uma felicidade imensa.

A viagem de volta foi bem mais cansativa por conta de estar a uma semana dormindo mal e comendo mal, mas mesmo assim não tirou a beleza dos lugares, das vistas e das pessoas. E uma coisa que aprendi foi a ter respeito pelos caminhoneiros, as pessoas mais odiadas nas estradas que sinceramente foram as mais gentis se comparados aos carros. Fiz uma parada em um agrupamento de caminhoneiros para pedir uma rota alternativa - queria testar uma outra via, para fugir da que já conhecia - e os mesmos caminhoneiros me ensinaram um outro caminho com uma facilidade e gentileza incrível. Portanto, digo hoje desculpas a todos os caminhoneiros que um dia comentei algo ruim, vocês merecem meu respeito e sou muito grato a vocês.

Quando cheguei em casa, a adrenalina corria tanto em minhas veias que demorei muito tempo para conseguir diminuir o ritmo e descansar de verdade. Resumidamente, acredito que esta viagem foi para começar este ano com o pé direito. E uma coisa que digo a todos vocês. LIGUEM O FODA-SE E FAÇAM AQUILO QUE TEM VONTADE, POIS SE DEPENDER DOS OUTROS, VOCÊ NUNCA FARÁ ALGO QUE REALMENTE GOSTA E QUE TENHA UM CERTO RISCO.

Uta!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O reencontro de um amado esporte

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Desde criança sempre me senti excluído nas aulas de Educação Física. Nunca gostei de futebol, paixão nacional, muito menos vôlei e basquete, os dois esportes que apesar de não serem tão famosos quanto o primeiro são aceitáveis socialmente. Sempre tentei encontrar algo que me deixasse com um sorriso no rosto após uma partida ou treino - a academia foi um excelente achado, mas não considero aquilo como um esporte - mas nunca encontrei algo que pudesse dizer que tivesse tesão de praticar. Karatê, Judô, Aikido, Muay Thay, todas as artes marciais consideradas pops no Brasil também já havia tentado - vale ressaltar que até o presado momento não encontrei nenhuma academia na minha cidade onde ensinam o boxe tradicional, mas ainda estou a procura. Até que, um dia, este amigo meu que está ao meu lado na foto, me mostrou o paintball.

Para quem não sabe, o paintball é um esporte de combate, onde cada jogador é munido de um marcador - muito comumente chamado, de maneira errada, de arma - onde é disparado bolinhas de tinta com ar comprimido. Existem diversos tipos de jogos, como o speed, cenário, real action, enfim, o paintball é um esporte muito versátil onde homens e mulheres podem jogar de igual para igual, além de ser atualmente um dos esportes que mais cresce em número de praticantes, tendo hoje mais esportistas do que surfistas.

Havia jogado algumas partidas antes do intercâmbio, e lá fora ainda tive a oportunidade de jogar em campos mais abertos e na neve. Após vários anos tentando encontrar algum esporte, percebi que no paintball consigo dizer que sou feliz, após uma partida, embaixo de um Sol de quarenta graus, em uma cidade onde a umidade estava a menos de cinquenta porcento naquele dia, mas nada substitui o prazer de jogar uma partida deste esporte.

O que mais me chama a atenção no paintball é que uma partida, não é igual a outra, como eu acreditava ser em todos os outros tipos esportes, afinal, a sua estratégia muda conforme a estratégia do inimigo muda, além, logicamente de no meio da partida, algum jogador chave ser eliminado e você ter que cobrir o flanco que ele estava protegendo, tendo que proteger dois lados, sendo a mira de dois ou mais inimigos ao mesmo tempo, sabendo que se vacilar, terá um novo roxo no corpo para contar história. Outro ponto que adoro neste esporte é que nunca sai do campo e as pessoas estavam brigando, sempre voltavam da partida cansadas, com sede, mas com um sorriso no rosto se vangloriando ou brincando com o outro jogador por ter tomado um tiro sem saber de onde veio. Novas amizades surgiram durante os jogos, sem contar a experiência trocada a cada nova conversa.

O paintball é um esporte que, por mais que você acredite que não precisa de preparo físico, é o que mais me deixa cansado, pois você precisa a todo momento estar agachado para não ser eliminado do jogo. Precisa correr entre as barreiras para avançar posição, ou ainda correr para alcançar um local privilegiado no começo do jogo, sem contar que, aquele que não muda de posição é considerado um jogador a menos, pois após ser spotado é questão de tempo para os outros jogadores fixem você como alvo.

Este esporte também é utilizado para reconhecerem possíveis líderes dentro de uma amostra de pessoas, pois sempre haverá aquele que em meio a um determinado momento irá comandar os outros para que consigam ganhar a partida. Há aqueles que também gereciam partes das pessoas, também chamados de líderes de pelotão, onde conseguem através de uma tática em uma fatia de um campo com poucas pessoas se mostrar excelente estrategista, conseguindo fazer com que pessoas que nunca jogaram este esporte se tornem peça chaves para a captura de um ponto. Além dos atributos individuais de cada pessoa, como por exemplo, o medo, onde normalmente as pessoas que ficam próximas da base ficam, os que correm riscos, que são aqueles que se arriscam a conseguir um ponto mais distante mesmo que isso signifique correr em meio ao fogo cruzado, ou ainda ficar cara a cara com o inimigo, os inconsequentes, que são aqueles que não acatam as dicas ou ordens e fazem tudo com a ideia de, eu por mim e deus por todos. De maneira geral, este esporte é realmente o esporte que eu estava procurando, e recomendo a todas as pessoas que o pratiquem, logicamente, com as devidas proteções, deixe a ausência das mesmas para momentos onde você esteja mais habituado com a possibilidade de tomar uma bolinha de tinta a alta velocidade onde possivelmente lhe deixará um roxo por algumas semanas.

Uta!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quando não se fazer concurso público

Escrito por with 18 comentários
Como o título da postagem vai trazer muita discussão, já quero deixar claro que não sou contra as pessoas que são concursadas ou estão tentando entrar em algum cargo que exija um concurso. Tenho várias pessoas na minha família e amigos que são concursados e muitos deles são competentes e trabalham mais do que qualquer outra pessoa no ramo privado. A questão dessa postagem é saber quando se deve ou não fazer concurso público.

Se você tem tesão por alguma área que exija concurso público, como por exemplo, juiz, procurador geral da república, gosta de trabalhar com eleições e seu sonho é trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral, ou ainda tem uma vontade de ajudar a população e gostaria de ter um trabalho no estado para ter mais acesso a isso, então o concurso público é para você. O concurso público deve ser tratado como uma carreira qualquer, assim como em uma empresa privada, você analisa verifica se aquele trabalho é o que realmente quer e almeja para a sua vida, dai é só correr atrás dele, ponto.

Agora, se você está prestando concurso público por dois motivos principais que atraem várias pessoas que são, salário e estabilidade, está na hora de rever seus conceitos. Primeiro que as pessoas que procuram estabilidade em concursos públicos, na minha singela opinião, são pessoas que não conseguem um retorno além da mediocridade, afinal, uma pessoa que tem resultados não tem medo de instabilidade das empresas privadas, porque a primeira pessoa a ser cortada é o pessoal que não trabalha direito ou trabalha mas não consegue bons resultados. Ir para o concurso público por conta de estabilidade, que hoje em dia com a crise que está assolando o Brasil, esta estabilidade é até questionável, é assinar contrato de baixa produção ou ainda de mediocridade.

Sobre o segundo ponto que é o alto salário em relação as empresas privadas; vou contar uma história bem simples que vários nikkei faziam nos anos noventa. Quando você é descendente de japoneses, você podia ir para o Japão à trabalho. Muitos dos meus familiares fizeram isso, foram para lá para trabalhar ou na industria pesada ou na área de montagem de produtos, como carros, eletrônicos e tudo o mais. A grande maioria deles foi para voltar, entretanto muitos deles foram para permanecer nas terras do Sol Nascente. Enfim, dos que pensaram em ficar por lá, apenas um realmente ficou, porque ouvidos da boca deles, "não compensa ganhar cinco mil reais por mês para apertar parafuso durante oito horas por dia, cinco dias na semana". E essa frase resume o que quero dizer sobre tentar concursos por dinheiro, e não pelo trabalho. Quantas pessoas eu conheço que dizem assim, "cara, abriu um concurso aqui, para polícia florestal, quatro mil e você só precisa ter ensino superior!", dai você responde, "legal cara, mas o que o pessoal deste concurso faz? Você conhece o dia a dia da profissão?", e a resposta é, "e o que importa? São quatro mil reais por mês!". Concurso público não é um cardápio de restaurante onde você escolhe o mais fancy, pelo amor de Deus!

Você tem que ter noção de que terá que trabalhar com isso durante mais da metade da sua vida. Vamos fazer alguns pequenos cálculos. Você começa a trabalhar em um emprego público aos vinte anos, você irá se aposentar aos sessenta, isso são quarenta anos. Um ano normal tem em média duzentos e cinquenta dias úteis; quarenta anos são dez mil dias úteis, trabalhando oito horas por dia, são oitenta mil horas de trabalho. Agora imagine você trabalhando oitenta mil horas apertando parafuso. Você no final da sua vida vai se sentir uma pessoa que deu algo em troca para a sociedade? Já pensou nisso? Ou será que vai ser aquelas pessoas que dizem que o trabalho não enobrece o ser humano? Ah, só para constar, o trabalho é o que você realmente é! Não venha com essa de que você não é o seu trabalho, citando frases do filme Clube da Luta, afinal, Durden tinha uma empresa de sabão de sucesso e ainda controlava uma empresa filantrópica multinacional, então até ele era o trabalho dele, mesmo dizendo essas frases bonitas.

Olha, vou mostrar uma boa saída pra você que quer um concurso público por estes dois motivos. Primeiro, veja o quanto você gasta, em dinheiro e tempo, para estudar para os concursos. Muitas das pessoas que estudam, precisam de foco para conseguir passar, portanto, não trabalham. Imagine que, com esta mesma cifra que você gasta tentando passar em um concurso público e com dez porcento do que você gastou de tempo, você poderia fazer cursos ou MBA's para dar uma melhorada no seu currículo e se tornar um empregado melhor, com um melhor salário e mais preparado para o mercado do trabalho. Quem trabalha somente pelo dinheiro será uma pessoa desiludida na vida. Quem trabalha por estabilidade, será sempre um medíocre. Pergunto, você gostaria de ser uma pessoa desiludida e medíocre? Então pense bem antes de tentar um concurso público.

Uta!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Por que você anda de moto?

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Robert Pirsig, escritor americano, um dia disse:
Dentro de um carro, você sempre está envolto em um compartimento, e por conta de estar acostumado a isso você não percebe que a janela do seu carro, nada mais é que uma televisão. Você é um observador passivo, e tudo passa por você de modo entediante dentro de um quadro. Quando você está em cima da motocicleta, o quadro se fora, você agora está em contato com tudo, você é a cena, não apenas um observador, e a presença disso é indescritível.
Acredito que nunca tenha havido um momento em minha memória, onde eu pensei em trocar minha moto por um carro ou algum outro veículo. A minha vontade por dirigir motos sempre esteve presente em minha vida, assim como um homem com fome tem desejo de uma comida, e o cego tem a ânsia de poder um dia enxergar, porém nunca pensei o real motivo pelo qual eu ando de moto, até que em uma conversa de bar com amigos a pergunta foi feita. É lógico que nos primeiros pensamentos foram inundados por aquelas frases clichês como, porque é liberdade; porque eu gosto; porque me sinto vivo; mas qual o significado que teria para uma pessoa que nunca teve o prazer de ter seu braço direito paralisado pelo esforço de puxar o guidão para acelerar; uma pessoa que não sabe o que é ter o pé esquerdo de todos os sapatos e tênis uma marca exatamente em cima do dedão, local onde a marcha é trocada; um ser humano que não sabe o misto de medo, temor e paixão que é entrar em um corredor estreito de carros parados em um semáforo; como explicar para uma pessoa que nunca teve essas sensações e experiências, frases que nós motoqueiros sentimos todas as vezes que damos partidas em nossas motos e nos tornamos apenas um ser, um ciborg, onde homem e máquina se fundem e se entendem? Para tentar encontrar uma frase que possa ser explicada para este tipo de pessoa, eu tentei fazer uma análise do meu passado para encontrar o real motivo.

Ao se fazer uma retrospectiva, percebi que o amor pelas duas rodas, ainda totalmente incompreendido, começou antes mesmo de ter o poder de controlar uma máquina dessas. Com dez anos fui a um encontro de motoqueiros com o meu pai. Meus olhos fitavam as motos, na época, grande parte delas eram do tipo custom e seus donos eram homens com cara de mal, que usavam aqueles coletes de couro para se distinguirem de seus clubes de motos e mostrarem quem era quem, apesar de grande parte deles haverem em seus rostos a mesma configuração, barba grande, cabelos cortados, ambos grisalhos e olhos que pareciam de almas que tinham visto pela primeira vez a imensidão do paraíso. Esta imagem perdurou na minha cabeça até os meus dezoito anos. Esperei o meu décimo oitavo aniversário como uma criança pequena espera o presente de Natal, e em menos de uma semana após ter completado dezoito anos já tinha entrado com o processo para a retirada da carta de moto e de carro. Naquele tempo, meus pais possuíam uma potente CG 125 que ainda está em nossas mãos. A necessidade de dirigir era maior que o gosto, não vou mentir, no começo da minha vida de motorista. Em dias de frio e chuva, trocava as duas rodas pela gaiola de metal dos carros, e só subia na cela da moto pela comodidade e praticidade que era dirigir uma em meio aos carros no complicado transito do centro da cidade. Depois dos vinte anos, já andava de moto mesmo quando havia chuva ou frio, momentos onde o carro já era confortável, agora se tornava um peso mesmo que chegasse em meu destino mais quente e menos encharcado da chuva. Naqueles momentos eu percebia que por mais complicado o trajeto ficava e às vezes, até mesmo, penoso, mais eu gostava e mais me sentia feliz em fazê-lo. Não era ruim para mim ter que vestir a capa de chuva, ou passar um frio que me deixaria com dor de garganta os próximos três dias. Quando troquei a moto por uma Fazer 250, foi quando eu fiquei viciado na injeção de adrenalina, a velocidade.

Antes de ir para o Canadá, a velocidade se tornara uma paixão, coisa que não conseguia encontrar no carro, mas somente na moto. A sensação de estar nos corredores, passar a cinquenta, às vezes sessenta quilômetros por hora em meio aos carros no congestionamento, piscando a luz alta e buzinando, tendo aquele medo de se algo de errado ocorre-se, sentindo o risco em minha volta, a cada segundo, a cada acelerada, a cada desvio seco que fazia com as mãos no guidão. Aquela tensão que criava nós nos músculos do ombros que ficavam por lá semanas, era algo que me fazia sentir alegre, contente, e indiferente do que ocorrera no meu dia, naquele exato momento não havia passado, nem presente, somente o momento, o agora, onde tudo era importante e o resto de nada valia. Neste época o meu sonho ainda era ter uma moto  custom, as linhas dos contornos das motos da Harley Davidson pareciam os contornos dos corpos das mais belas mulheres do mundo. A mecânica por trás daqueles motores e pistões cromados pareciam o pulsar de um coração à mostra, com o tórax aberto onde um cirurgião poderia colocar as mãos à obra. A vontade de ter uma moto dessas, com dois pistões subindo e descendo entre as minhas pernas ainda era absurdamente grande, não tinha o mesmo tesão pelas motos carenadas ou até mesmo as naked, imagina então uma trail ou de trilha. Neste momento era como um homem que gostasse apenas das loiras de olhos azuis, e as demais mulheres eram apenas uma infeliz alteração genética dessas beldades.

Ao voltar do intercâmbio, com uma abstinência de pouco mais de dezoito meses sem colocar a mão em um guidão e com a cabeça mudada em muitos aspectos já comentados no blog, e o gosto pelas motos também foi alterado. Já não se fazia necessário uma moto custom, mas qualquer estilo tinha seus benefícios e pontos positivos. As customs tinham um ar de soberania e poder, as carenadas tinham seu ar de velocidade, as nakeds o jeito híbrido de velocidade e poder das anteriores, as trails de serem inalcançáveis e as de trilha de serem donas das estradas e do mundo. Cada uma com suas belezas, assim como as mulheres com cintura fina, as loiras e seus cabelos que chamam atenção, as mulatas com sua cor do pecado, as de bunda grande que sobressaltam os olhos, ou as de peitos fartos que não conseguimos parar de olhar, até mesmo as gordinhas e magrinhas com seu ar de exigência de respeito, todas elas lindas e maravilhosas, todas com o suas maravilhas. Após voltar a andar neste período de pouco mais de um mês, de ver todos ficando para trás, e ter a oportunidade de pegar uma moto de seiscentas cilindradas e colocar mais de duzentos e quarenta quilômetros por hora em uma estrada, o fogo da paixão pelas duas rodas voltou a arder e então após essa volta ao passado, eu consegui descrever o motivo pelo qual eu ando de moto:
Eu ando de moto porque em cima dela não preciso pensar em mais nada a não ser no momento. É como se o passado e o futuro não existissem, é como se nada fosse importante a além do momento que estou dirigindo-a entre o ponto de partida até o meu destino. Mas ao contrário do carro onde ele é como um cavalo, que precisa ser domado, no caso da moto, não há outro ser ou coisa... a moto se torna você. Os seus sentidos são passados para a moto, como se naquele momento suas veias corressem gasolina e óleo, os seus músculos fossem movidos pelo seu coração de pistão que explode a cada contração, e como se seus olhos brilhassem como os faróis. Quando eu ando de moto é como se eu escrevesse um livro que a cada página escrita o fogo a queimasse de imediato, como se cada papel que eu terminasse de escrever fosse comido pelo tempo, e sumisse aos meus olhos de escritor, mas que fosse impossível parar de escrever. Eu ando de moto, porque é o momento em que não existe amores, traidores, amigos, inimigos, pessoas, ou qualquer outra coisa que estivesse no seu caminho. Eu ando de moto, porque cada acelerada, cada nova paisagem vista é como se fosse um banho após um dia duro de trabalho, que rejuvenesce a cada gosta que cai no meu rosto. Eu ando de moto, porque não há como descrever o sentimento de felicidade e alegria que você sente ao mesmo tempo que o medo da morte se faz presente. Eu ando de moto, porque sou e sempre serei um motoqueiro.
Uta! 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O que aprendi em um ano e meio de intercâmbio [Introdução]

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Menos de uma semana para eu voltar para o Brasil. Um ano e meio nas terras geladas do Canadá. Foram muitas experiências, boas, ruins, péssimas, únicas, maravilhosas, que se colocasse aqui todas elas, conseguiria fazer facilmente um livro, mas isso não é algo que possa interessar a outros a não ser a mim. O que vou compartilhar com vocês são as coisas que eu consegui retirar dessas experiências.

Nos próximos dias irei comentar todas as minhas experiências que irei levar para a vida, sejam elas pessoais ou profissionais, físicas ou psicológicas.

Uta!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O coitadismo é a miséria do brasileiro

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Nesta última semana presenciamos duas grandes tragédias. A situação da crise ambiental em Minas Gerais ocasionado pela destruição de várias cidades devido ao estouro da barragem da mineradora, e os atentados ocorridos na capital francesa. Os dois fatos foram muito próximos em datas, diferenciando-se em apenas alguns dias.

O caos sofrido em Paris chochou o mundo inteiro, pois ninguém acreditava que ataques desta magnitude e proporção pudessem abalar qualquer capital da Europa. O ataque foi tão abalador, que até o próprio Facebook criou novas tags para que pessoas que estivessem na capital francesa pudessem alertar aos seus parentes que estavam bem. O caso também fez com que a mídia social mais usada no mundo também criasse uma campanha, assim como aconteceu quando os Estados Unidos aceitaram a união homossexual, nas fotos das pessoas, colocando as cores da bandeira francesa como filtro para as fotos.

O ocorrido não agradou a muitos brasileiros, que acharam que os atentados em Paris foram muito mais televisionados do que a crise ambiental e social ocorrida no estado de Minas Gerais, tanto que diversas pessoas e páginas disseram que o Facebook foi imoral ao não criar um filtro para fotos por conta do fato ocorrido, e outras pessoas criticando as pessoas que colocaram o filtro em homenagem a França, dizendo que os mesmos não são leais ao país.

Para salientar a minha opinião, coloco essa imagem abaixo como resumo geral do que penso.


Como sempre digo, o brasileiro tem seus pontos positivos, mas a coitadismo e a vitimização, sinceramente são as duas características que mais abomino. Qual o motivo deste ciúmes? Será que ambos acontecimentos são iguais em matéria de proporção, de resultados que podem vir a ocorrer depois da crise? Por favor brasileiros, por favor.

Fiquei sensibilizado sim, pelo que ocorreu em Minas Gerais, e muito puto por saber que o ocorrido foi ocasionado novamente por uma outra característica bem presente no brasileiro que é a negligência, mas isso não quer dizer que, fiquei enciumado porque o Facebook ou a mídia não televisionou na mesma proporção o ocorrido. E sim, a notícia de Minas Gerais correu o mundo chegando até mesmo aqui nas televisões do Canadá.

O brasileiro é um povo que ama trabalhar, que se precisar trabalhar dezoito horas por dia para alimentar os filhos, assim o fará. É um povo que por mais que seja sofrido, é feliz. Mas também é um povo que não vai para frente por conta deste coitadismo, por conta dessa vitimização. Olhe os países desenvolvidos e verá que nenhum deles possui este ideal intrínseco em suas cabeças, por quê? Porque o vitimismo simplesmente mata ideias, deturpa a realidade e estagna as pessoas.

Não vou entrar aqui nas minorias, porque não quero ocasionar uma discussão que não irá chegar em lugar nenhum, porém, essa discussão de qual tragédia é pior, é babaquice. Parece aquelas pessoas que quando você diz que seu dia está ruim porque pegou chuva, ela diz que o dela está pior ainda porque ela pegou chuva, atrasou o ônibus, e ai começa uma discussão para ver qual é o pior dia, qual é a pior vida... Pra que? O que isso tem relevância em um aspecto mais abrangente?

A sociedade brasileira está doente, com o vírus do coitadismo, onde temos como principal sintoma a necessidade de se rebaixar e querer ser conhecido pelos seus males e não pelas suas qualidades. O remédio? Algo, que infelizmente não temos em nossas farmácias, o compartilhamento de bondade, de amor ao próximo, a não necessidade de se mostrar comovido, mas virar as costas quando for para realmente ajudar. O tempo de cura? O necessário para conseguirmos mudar aos poucos nossas cabeças, não a dos outros, mas começando sempre pela nossa. Um simples ato de não compartilhar uma tragédia mas sim algo bom que pode vir dela, não compartilhar quem é o culpado, ou o que acontecerá com ele, mas sim quem são as vítimas e o que podemos fazer para ajudá-las, o ato de chorar pelo ocorrido, e se prontificar a ajudar aqueles que precisam, o simples ato de... se importar e não se mostrar.

Uta!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A vida é como o boxe...

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E soa o gongo... Bang! Você nasceu. Ninguém sabe seu potencial, pais e familiares fazem apostas altas ao seu favor...

Você começa a mostrar aquilo que você aprendeu, movimenta-se no ringue, intercalando entre o pé direito e esquerdo, mostrando aquilo que aprendeu. Você aprende a andar, a falar e começa a entender o mundo que o cerca, assim como no boxe, você olha fixo como uma raposa para o seu oponente e para o ringue. Tenta verificar o chão, e como as cordas estão sendo esticadas. Pow! Você acerta o primeiro jab, com maestria passa pelo primário, e agora vai para o fundamental. Fim do primeiro round!

Segundo round começa! Bang! Seu oponente corre e do nada lhe acerta o primeiro soco bem no nariz. Sua primeira nota vermelha. Seus pais arregalam o olho, afinal ninguém esperava por essa. Mas tudo bem, apesar de meio tonto, você continua se mexendo, analisando, se esquivando do seu oponente. Fim do segundo round! Um nariz sangrando mas nada mais que isso, assim como no fundamental, algumas notas vermelhas, mas nada que atrapalhe sua vida.

Terceiro round! Bang! Colegial. O oponente corre novamente em sua direção, ele tenta acertar seu nariz novamente mas você se esquiva e ele erra, porém aquela gota de suor cai no seu olho. Sua primeira paixão. Você não sabe o que aconteceu, só sabe que está tudo meio embaçado. Aquilo que era seu objetivo agora está meio ofuscado. Toma um cruzado, um jab e um direto. Ela terminou com você. Cara, que dor! Você bambeia, mas não cai. Tenta se recompor, outra gota de suor, outra combinação perfeita, bambeia novamente. Suas notas já não são mais as mesmas. Você tenta se afastar do seu oponente, suas responsabilidades. Mas toma outra combinação mas dessa vez você vai pra lona. Você viu ela beijando seu melhor amigo. Não sabe o que faz, se fica ali e aceita a derrota ou se levanta. Sabe que ao se levantar vai tomar mais, mas não está contente com o resultado. O juiz abre contagem. Levanta com sangue no olho. Vai pra cima do adversário, sabendo que ele está mais rápido que você, sua reação é apenas grudar nele e esperar até o final do round! Bang! O round acaba. Sangue em todo o rosto, mas ainda firme e forte. Seu treinador diz que agora é o momento, que está na hora de revidar.

Quarto round! Bang! Faculdade e vida profissional. Você já chega no cruzado, acerta! Uma sequência de direto e jabs. Você vê seu adversário apanhando. Enquanto isso gotas de suor e sangue caem nos seus olhos, mas você está focado e não para de acertar seu oponente! Ninguém da platéia acredita no que está vendo. Antes somente os que fizeram apostas altas estavam torcendo por você, agora aparecem um e mais um e mais um. Você ouve o clamor deles, é como se você fosse um campeão. Todos vêem seu potencial! A hora que você entra na faculdade, seu foco é conseguir ser alguém na vida, você estuda, passa nas matérias com as melhores notas. Nem mesmos os novos amores que entram na sua vida atrapalham o seu objetivo. Saem uns entram outros, e você focado em apenas terminar a faculdade e entrar em uma boa empresa. Termina a faculdade e consegue um bom trabalho. Bang! Fim do quarto round!

Seu treinador chama você, agora não é somente um, mas vários treinadores, cada um comentando na sua cabeça o que fazer agora, mas você parece que não ouve nenhum deles, está dominando o seu oponente, sabe que ele deve estar totalmente machucado afinal, você está exausto de tanto desferir golpes certeiros nele. Você levanta, sabendo do seu objetivo... Mas dai vem a surpresa, ele está mais forte, mais alto, mais ágil e o pior... Sem nenhum arranhão. O gongo toca, é o início do quinto round, e dessa vez algo lhe diz, que você vai beijar a lona...

Bang! O quinto round começa. Você corre e desfere golpes nele. Tudo o que você tem, mas do nada algo acontece. Uma sombra no seu lado direto e boom! Você perde a noção. Você é mandado embora. Pow! uma dor tremenda no queixo. Sua mãe morre! Pow! Você perde o ar, sequência de socos no seu estomago. Dívidas aparecem, sua mulher te deixa, seus amigos fogem, seu pai sofre derrame. Ajoelhado, você olha para frente. Não vê mais nada... Apenas um borrão sem forma. E como um corpo sem vida, você beija a lona. Depressivo, não tem forças para continuar, vê na corda e na viga da sua casa, que está para ser tomada pelo banco, uma boa saída. Não tem o que fazer... A não ser desistir. Você não aguenta mais tanta dor, tanto tomar soco e mais soco. A contagem se abre. Um, e você fecha os olhos e se entrega a bebida. Dois, cocaína e cigarro aliviam a dor. Três, você não pensa em nada, apenas deixa a vida sair do seu corpo. Quatro, lembra da sua mãe, do seu pai e dos seus amigos. Cinco, lembra das apostas que fizeram, do sacrifício de cada dia para lhe dar comida. Seis, lembra do seu filho, que está grande mas que você não vê por vergonha de si mesmo. Sete, abre os olhos, e percebe que tudo está começando entrar em foco. Oito, decide que não irá desistir, larga tudo o que te faz mal, cria novos hábitos, muda de casa, de cidade, de vida. Nove, levanta da lona, olhos fundos, um rosto totalmente deformado, mas conhece bem o jogo. Seu oponente olha pra você, não acredita no que vê. Bang! Fim do quinto round!

Você volta para o seu canto. Ninguém mais confia em você. Seus treinadores agora sumiram, mas você ainda lembra daqueles que te colocaram ai, lembra muito bem do que disseram, da motivação que te deram, da alegria por verem sua evolução. Inabalável, lava o rosto, e ouve sua mãe dizer, o quanto ela te ama, você fecha os olhos e uma gota de lágrima cai do seu olho. Bang! O sexto round começa.

Inabalável, seu oponente tenta te acertar, você desvia de todos os seus golpes. Pow! Você toma um cruzado, sente a dor, mas não se abala. Já conhece aquele cruzado, são as dívidas que te perseguem. Lá vem o cruzado, você desvia, e de novo, e você desvia de novo, e uma a uma elas vão sendo pagas. O gancho chega a quase encostar no seu nariz, mas você dá um passo para trás. Todos vêem as suas esquivas, mas ainda não há um som de clamor na platéia. E ai começa o show! Você vai pra cima do oponente, mas com calma e tranquilidade. Acerta um golpe e esquiva de outro. As pessoas começam a ver espantadas a sua mudança. Devagar, você vai conseguindo mudar o placar. E a platéia vai vibrando... Seu oponente cambaleia e você continua, sempre focado. A platéia agora começa a gritar seu nome. Você não dá ouvidos e continua no seu processo. Soco, esquiva, soco, esquiva. E faltando poucos minutos para o término do round! Seu oponente cai, É knock out! Devagar você muda sua vida, passo a passo vai subindo os degraus na qual você caiu. As pessoas não percebem até que você esteja bem acima delas, muitos irão aplaudir, outros irão dizer que foi fácil, mas não dê ouvidos, apenas continue, que cedo ou tarde, a glória irá chegar.

Sua vida mudou, você chegou no seu objetivo de vida, com seu filho, nova esposa, um bom patrimônio e muita experiência de vida para contar. Seu oponente, a vida, apenas lhe deixou ganhar, afinal, o objetivo dela não era vencer, apenas lhe ensinar tudo aquilo que era necessário. Ninguém te reconhece mais, com o rosto totalmente desfigurado, sangrando, com suor e lágrimas misturado. Mas você sabe quem você realmente é, quem se tornou, e agora, para o campeão a glória. Depois de alguns dias, muitas pessoas vão querer saber o seu segredo do sucesso, cabe a você dizer a elas o que quiser, mas o mais importante, é você entender e compreender a vida após cada soco.

Nenhuma luta é a mesma, nenhum resultado é o mesmo, nenhum soco é o mesmo. A dor é diferente para cada um, assim como a vontade de continuar. Então trilhe seu caminho, e lembre-se, não adianta querer correr e tentar resolver todos os problemas de uma só vez, a luta é feita de vários rounds, e se você se cansar nos primeiros, não terá fôlego nos próximos. Lembre-se dos seus mentores, e pessoas que ajudaram você a chegar até o onde chegou. Lembre-se daqueles que ficaram ao seu lado, mesmo em momentos que nem você acreditava em você mesmo. E o principal de tudo, lembre-se que o passado não conta na hora da luta, o que conta é o presente, é o momentum e nada mais. Aproveite cada um destes momentums para trilhar o seu caminho, afinal, da sua vida, só você tem o controle.

Uta!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Gastar ou Poupar, A minha solução para o problema

Escrito por with 6 comentários
Quem já ouviu a expressão, "vender o almoço para comprar a janta"? A ideia de abrir mão de algo hoje para o futuro. Não é muito difícil encontrarmos alguns exemplos, onde vemos pessoas abrindo mão de prazeres e felicidades hoje para conseguir ter prazeres e felicidades, nem sempre na mesma proporção ou da mesma maneira, em um futuro, que pode ser próximo ou não. Pequenos investidores tem essa ideia de que, devemos poupar hoje para que possamos viver melhor depois de algumas décadas.

Quando me perguntam, qual o real motivo pelo qual eu invisto meu dinheiro, a resposta está na ponta da língua:

O meu dinheiro é investido pensando no meu futuro, sendo assim, invisto para que quando chegar o momento de me aposentar, posso assim fazer vivendo bem com os dividendos e rendimentos providos deles, indiferente da minha previdência. 
Então quer dizer que você deposita o máximo que você pode em sua conta? De maneira nenhuma!

Uma coisa que aprendi nessa vida é que devemos ser extremos, apenas quando falamos de sentimentos, qualquer outro ponto que tocamos, o meio termo sempre é a melhor saída. Digo isso, porque passei uma parte da minha vida gastando tudo o que podia, e outra guardando o máximo que me era permitido. Não me sentia bem em ambos os casos, além do fato de não analisar o momento para verificar qual seria a melhor opção, apenas fazia por livre e espontânea vontade.

Quando gastava todas as moedas do meu bolso, ficava um tanto quanto desolado quando queria comprar algo onde o preço era mais alto, pois não tinha dinheiro guardado para adquirir aquele produto, além disso, sempre via o desespero dos meus familiares que já se aposentaram, e que tinham problemas com dinheiro. Não queria ter aqueles mesmos problemas, muito menos passar aperto por falta de dinheiro. Na minha cabeça, o dinheiro deveria ser a solução, nunca um problema. Foi então que foi onde eu comecei a analisar a possibilidade de se investir.

Após alguns meses, livros, artigos e muitos blogs lidos, comecei a investir, começando com pouco e colocando um pouco a cada mês. Quem diz que ganhar dinheiro não vicia, é porque nunca teve a experiência de ver o seu dinheiro trabalhando por você. Após uma certo período, não percebi que estava deixando de fazer algumas coisas para simplesmente juntar dinheiro e poder aportar mais no final do mês. A minha bolsa do estágio, que diga-se de passagem não era ruim, mas não era muito boa também, já chegou a ficar intacta em alguns meses, pelo simples fato de eu não sair de casa para nada, para simplesmente não gastar. Vim com este pensamento para o intercâmbio, imaginando que se continuasse assim, poderia adiantar, quem sabe, uns quatro ou cinco anos em apenas um, se juntasse a grana da bolsa e investisse todo o dinheiro.

Mas, foi ai que aconteceram algumas coisas que simplesmente mudaram a minha vida. Depressão, termino do namoro, ausência de amigos, família, inverno rigoroso, me fizeram abrir os olhos para muita coisa, dentre elas o jeito que tratava o dinheiro. Depois de muito pensar, compreendi que nem sempre vender o almoço é uma boa, afinal, algumas oportunidades na vida só existem um vez.

Percebi que existem alguns momentos em nossa vida, que devemos sim gastar ou poupar mais, percebi que de nada adianta juntar o máximo de dinheiro que conseguir hoje, para poder gastar amanhã, sendo que amanhã não terei o pique que tenho hoje. Foi então que eu decidi que não iria levar nenhum dinheiro de volta para o Brasil, e que qualquer valor que eu volte para o Brasil com ele, será muito bem gasto em coisas que me proporcionem felicidade e prazer.

Devemos sempre encontrar um ponto de equilíbrio, afinal, nem gastar demais, nem poupar demais é algo saudável. Por isso que tracei um plano para o dinheiro que eu receber. Qualquer dinheiro que entrar quando estiver no Brasil, 10% será destinado aos investimentos de longo prazo, 10% será destinado a gastos de longo prazo, e o resto será gasto no mês. Qualquer sobra que tiver, metade será destinado aos gastos de longo prazo e a outra metade será destinada ao próximo mês.

O que são gastos de longo prazo? Aquisição de algum item de alto valor ou gastos para viagens, festas e raves que estou pensando em fazer (Miami Ultra, Tomorrowland, Ibiza, Europa, XJ6, são alguns dos gastos que estou imaginando fazer nos próximos anos).

Mas por que você não guarda o que sobrar no final do mês? Porque para mim, se eu guardar mais do que 10% no mês estarei gastando tempo e força que não serão recompensados neste futuro distante. Afinal, nossa vida é muito pequena e devemos vivê-la também. Deste modo, percebo que para mim, o dinheiro não será mais um problema, mas sim a solução para eles, portanto, deixo aqui a dica para vocês, não gastem todo o seu dinheiro e não guardem o máximo que conseguirem, porque com o passar dos anos, verá que o arrependimento é um gosto amargo e que nunca sai da boca.

Uta!

domingo, 4 de outubro de 2015

Dualidade em um mundo bipolarizado

Escrito por with 11 comentários
Existe uma frase que diz que existem dois tipos de pessoas no mundo, aquelas que dividem as coisas em dois grupos e as que não dividem. Apesar de ser engraçada essa frase, ela explica exatamente como o mundo está realmente.

Muitas vezes nós somos obrigados a escolher um lado entre duas opções. Esquerda ou direita? A favor ou contra determinado assunto? A favor ou contra um amigo? Ser bom ou ruim? Felicidade ou tristeza? Ser grosso ou educado? Ser um cavalheiro ou um cafajeste?

Este tipo de análise muitas vezes nos faz tomar partido em alguns assuntos quando na verdade não queremos escolher nenhum dos lados ou ainda, quando achamos que ambos os lados possuem bons argumentos, contra e a favor. Nestes casos, quando escolhemos um dos lados, normalmente negamos a razão quando o outro lado tem argumentos fortes contra o que escolhemos, e são nestes momentos que começamos a perder a noção e começamos a atacar as pessoas com argumentos ad hominem.

Outro ponto importante é que quando dividimos as possibilidades em apenas duas, negamos instantaneamente milhares de outras opções que podem ser utilizadas. Abaixo deixo uma frase da série Suits que o protagonista faz sobre este assunto:

Quais são as escolhas quando alguém aponta uma arma para sua cabeça?
Ou você pega a arma, ou você puxa uma arma maior...
Ou você diz que ele está blefando...
Ou você faz uma das outras 146 opções
Para resolver problemas como esses e abrir nossas mentes para novas possibilidades, devemos utilizar algo chamado dualidade.

Utilizar a dualidade é simplesmente entender e compreender que existem outras opções além das que nos foram dadas. Entre esquerda e direita, prefiro ir reto. Entre ser contra ou a favor a um determinado assunto, prefiro ser neutro. Entre ser contra ou a favor a um amigo, prefiro me abster e ajudar aquele que precisar. Entre ser grosso ou educado, prefiro analisar o andar da conversa. Entre ser cavalheiro ou cafajeste, prefiro ser um pouco de ambos.

Quando pensamos desta maneira, começamos a ir contra a manada, por pura e simplesmente pensar de maneira diferente. Normalmente, é neste momento que percebemos a riqueza de informação que podemos ter sobre referente assunto e ainda, descobrir que aquela opção que parecia ser o Santo Graal para todos os problemas, na verdade é um simples copo pintado de dourado.

Portanto, antes de vestir a camisa de algum lado da história, analise todos os pontos e veja se realmente o seu ponto de vista se enquadra perfeitamente em um dos lados ou se é melhor escolher uma das outras 146 opções.

Uta!