Uma vez estagiário, sempre estagiário.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Quanto custa o seu orgulho?

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Orgulho sempre será a maior distância
entre duas pessoas
-Kushandwizdom
Orgulho. Aquilo que nos faz sentir bem consigo mesmo, e que ao mesmo tempo é capaz de nos fazer a pessoa mais solitária do universo. Podemos ser uma pessoa rodeada de amigos, mas que é sozinha por não conseguir controlar o tamanho do seu orgulho. Aquele sentimento que nos faz ficar calado em momentos que deveríamos falar, e aquilo que batemos no peito e dizemos, sou assim e me ORGULHO disso.

A sua própria definição no dicionário mostra o céu e o inferno que é este sentimento. De um lado, o orgulho, aquele sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, e com a própria honra. Do outro, o orgulho, o sentimento egoísta, que tem admiração pelo mérito, um excesso de amor próprio, que chega a arrogância e a soberba. O céu e o inferno explicados de maneira simples e didática.

Durante toda a minha vida, convivi com pessoas de diversos níveis de orgulho, ou como gosto de falar, com pessoas que tinham diversos valores para seu orgulho. Existem aquelas que colocam o preço igual a de uma banana, chega a ser estranho ver uma pessoa que não possui orgulho de si própria. Pessoas que não batem no peito e dizem, eu me orgulho disso que consegui em minha vida. Para elas, não existe um valor ou significado todas as coisas conquistadas na vida. São pessoas que gosto de dizer que são arroz japonês, sem sal e sem açúcar. Outras dão aquele valor comedido as coisas, mas que ao meu ver conseguem errar onde colocam este valor. Vocês já devem ter visto. São aquelas pessoas que se dizem orgulhosas por nascerem brasileiras, negras, brancas, com descendência de alemães, italianos, ou qualquer outra nacionalidade. São pessoas que tem o orgulho de bater no peito e dizer que são gratas pela sua escolha sexual, como se tudo isso fosse uma conquista muito grande para elas. Nunca consegui compreender isso, afinal, acho estranho você ter orgulho de algo que você não lutou para conseguir, mas nasceu assim. Gosto de fazer uma analogia com o acertar o tempero da comida, mas jogando metade dele no fogão e a outra metade na panela. Existem aquelas também que dizem que seu orgulho é do mesmo valor que a mansão mais cara de Beverly Hills, afinal elas são felizes do jeito que elas são e é por isso que são orgulhosas - ou seria o contrário? - São aquelas pessoas que em momentos de dizer desculpas, preferem mostrar que estão certas e quem deve desculpas não são elas, e sim você. São pessoas que preferem virar a cara pra você e ficar sem falar por dias, meses ou até anos, somente pelo simples fato de acharem que estão certas. E como tudo nessa vida, quem é muito sal e muito açúcar, também faz mal.

É melhor perder o orgulho para quem se ama,
do que perder quem se ama por conta do orgulho.
O valor do seu orgulho é algo que pode definir a sua felicidade quando está rodeado de outras pessoas, seja amigos, família ou companheiro(a). Quando nosso valor é baixíssimo para o nosso orgulho, vivemos em função da outra pessoa, deixando assim de viver a nossa própria vida. Do outro lado, quando o valor do nosso orgulho é altíssimo, normalmente temos um tempo de validade para com as pessoas que nos cercam por muito tempo, afinal, poucas são as pessoas que conseguem ficar próximas por muito tempo de pessoas orgulhosas, pois o orgulho afasta as pessoas, quer queiramos ou não.

Assim como tudo na vida, devemos encontrar um equilíbrio. Escolher estar certo ao invés de evitar uma briga, ou deixar de lado tudo o que queremos para viver o que a outra pessoa quer, normalmente é um exemplo de que estamos colocando muito ou pouco valor em nosso orgulho, portanto devemos ficar sempre em alerta.

Perdoar alguém pode custar o seu orgulho,
mas não perdoar esta pessoa poderá te custar
a liberdade.
-Charles F. Glassman
Para concluir, devemos sempre fazer uma auto análise e verificar se realmente estamos dando o valor devido ao nosso orgulho e colocando o valor nos locais corretos. Ninguém merece uma pessoa orgulhosa ao nosso lado, como também ninguém merece uma pessoa que não possui orgulho nenhum.

Uta!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Feio

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Essa postagem é a tradução de uma história que encontrei na internet. Para lê-la na íntegra e em inglês, clique aqui.

Todo mundo que morava no meu condomínio sabia que foi o Feio. Feio era um gato de rua que morava lá.

Feio amava três coisas neste mundo: brigar, comer lixo, e podemos dizer que, amor. A combinação destas três coisas com a vida nas ruas tiveram alguns efeitos no Feio.

Podemos começar com o fato dele ter apenas um olho, e onde deveria ter o outro, tinha um buraco. Ele tinha perdido a orelha do mesmo lado, e sua pata esquerda aparentava ter sido quebrada e com o passar do tempo ela se curou em um ângulo errado, fazendo com que ela parecesse que ele sempre iria virar para o lado. Seu rabo era grande antes dele ter perdido, deixando apenas um pequeno cotoco, que ele sempre sacudia e balançava. Feio era um gato cinza escudo malhado do tipo listrado, exceto pelas suas feridas na cabeça e pescoço, além dos ombros com crostas grossas amarelas.

Todas as vezes que alguém via o Feio tinham a mesma reação. "Isso é um gato feio!". Todas as crianças eram alertadas para não tocar nele, e os adultos tacavam pedras nele, jogando água nele, esguichando água quando ele tentava entrar nas suas casas, ou fechava as portas em suas patas quando ele não saia.

Feio no entanto, tinha sempre a mesma reação. Se você virasse a mangueira tentando molhá-lo, ele ficava ali parado, ficando ensopado até que a pessoa desistisse ou saísse de perto. Se você jogasse coisas nele, ele vinha em sua direção e se roçava em suas pernas pedindo por perdão. Todas as vezes que ele via uma criança, ele sempre vinha correndo miando de maneira sincera e esfregava a sua cabeça nas mãos dela, implorando por um pouco de amor. Se você pegasse ele, imediatamente ele roçava na sua camiseta, orelhas, ou em qualquer lugar que ele pudesse tocar.

Um dia, Feio foi tentar dividir seu amor com alguns cachorros do vizinho. Eles não responderam de maneira gentil, e Feio estava seriamente machucado. Do meu apartamento eu podia ouvir seus berros e gritos, e eu tentei correr para socorrê-lo. Na hora em que cheguei ele já estava deitado, e eu já sabia que a triste vida do Feio estava chegando ao fim.

Feio estava deitado em um círculo molhado, suas costas e pernas traseiras estavam quebradas e torcidas, e uma gota de lágrima escorria pelo seu pelo branco. No momento em que peguei ele e tentei levar ele para casa, pude ouvi-lo gemendo ofegante, e pude ver ele lutando para sobreviver. Eu acho que deveria ter machucado ele quando tentei levá-lo.

Então eu senti um puxão familiar, uma sensação de lambida na minha orelha - Feio, mesmo com tanta dor, obviamente sofrendo e morrendo tentou lamber minha orelha. Eu o deixei mais perto de mim, e fiz carinho com a minha mão em sua cabeça, e vi ele virando o olho para mim, e pude ouvir o seu distinto ronronar. Mesmo com toda a dor, este feio e guerreiro gato estava pedindo por um pouco de afeição, talvez um pouco de compaixão.

Naquele momento percebi que Feio era a mais bela, amável criatura que eu já tinha visto na vida. Ele nunca tentou me morder ou arranhar, nem mesmo tentava sair de perto de mim, ou fugir de qualquer maneira. Feio apenas aceitou completamente que eu iria diminuir sua dor.

Feio morreu em minhas mãos antes mesmo de entrar em casa, mas eu fiquei sentado com ele por um tempo, pensando como um gato feio e deformado, pode alterar minha opinião sobre o que significa a verdadeira pureza de espírito, para amar totalmente e confiar. Feio me ensinou mais sobre se entregar e compaixão do que mil livros, aulas, ou entrevistas na televisão poderiam me ensinar, e por isso eu sou muito agradecido. Ele pode ter feridas por fora, mas eu tinha uma ferida por dentro, e já era tempo para eu mudar e aprender o que realmente é o amor verdadeiro e profundo. Para que eu me dê de maneira total para aqueles que me preocupo.

Muitas pessoas querem ser ricas, bem sucedidas, bem vistas, bonitas, mas para mim, eu sempre tentarei ser Feio.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Resumo do Desafio de 30 dias de resiliência

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Depois de alguns meses volto a postar aqui no blog. Senti saudades de estar ativo na blogosfera, mas infelizmente devido ao cotidiano e alguns acontecimentos na minha vida, fui obrigado a colocar algumas prioridades e o blog ficou como sendo uma das minhas últimas.

Vou voltar para fazer o resumo do desafio que fiz a mim mesmo sobre os 30 dias de resiliência e o que eu achei de colocar as metas diárias no papel.

Quando escrevemos nossas metas do dia, nossas obrigações ficam muito mais visíveis e mais fáceis de serem lembradas para que não esqueçamos; no entanto, uma coisa que muitas vezes não lembramos são os problemas que aparecem no meio do dia, e que nos fazem não cumprir certas obrigações impostas por nós mesmos no início da manhã. Quem tem o dia corrido sabe como é, você acorda, coloca suas obrigações no papel, toma um café um pouco mais demorado do que o normal, e pronto, aqueles cinco minutinhos a mais se transformam em um atraso de duas ou três horas no final do dia.

Colocar as metas diárias no papel é interessante para que seja mais fácil verificar o que fazemos diariamente, ou ao menos quase todos os dias, e tentar trabalhar para que possamos resolver esses pontos no período da manhã, assim ficamos livres para fazer aqueles que são mais específicos, ou os que demandam mais trabalho. Outro ponto positivo de se listar os afazeres diários, é saber em que período é mais fácil ou mais difícil de se concluir alguma meta, logo, conseguimos analisar o que ocorre no passar do tempo e saber quando iremos ter problemas ou não, de terminar nossa lista.

Entretanto, encontrei um ponto negativo muito forte ao escrever as metas, que é, desmotivação. Abrir o blog, pensar nos afazeres e colocar eles no papel, sabendo que fazem dois ou três dias que não consigo terminar nem metade do que está na lista, é muito desmotivador, pois parece que a lista é uma amostra da sua falta de comprometimento consigo, mesmo que isso não seja uma realidade.

Outro ponto negativo é tentar encontrar um jeito de enquadrar em um dia, uma atividade que é maior que este período, já que existem algumas atividades que ao se colocar nas metas diárias se tornam tão subjetivas que fica difícil falar se foram ou não terminadas, ou até mesmo feitas, devido a uma falta de parâmetros para se basear.

Por fim, acredito que o desafio foi uma experiência muito boa para que eu pudesse deixar meu dia a dia mais bem organizado e para que fosse mais fácil chegar na hora de dormir e sentir a sensação de dever cumprido, além de trabalhar meu psicológico e de ajudar a conseguir descobrir mais sobre mim mesmo a fim de desenvolver melhor meu auto conhecimento. Recomendo a todos que seja feito o desafio, para que assim, ele se transforme em algo tão forte em você, que não seja mais necessário colocá-lo no papel.

Uta!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Comentários do Livro A Startup de $100

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Chris Guillebeau é um escritor, empresário e viajante apaixonado. Ele escreveu este livro após compilar diversos dados de microempresários que largaram seus empregos ou não, que foram despedidos ou não, para abrirem suas próprias empresas depois de muito estudarem sobre o mercado, ou não.

O livro conta com diversos exemplos de casos e é impossível você não se identificar com algum deles. Pessoas que foram despedidas, largaram o emprego, diminuíram o tempo de trabalho, criaram algo na internet, venderam algo pela internet, iniciaram blogs, vlogs, ou até mesmo um mercadinho, negócio de moda ou qualquer outra empresa física. É no mínimo inspirador ver como pessoas começaram seus negócios muitas vezes com menos de cem dólares no bolso, ou ainda, com um pouco de dinheiro e hoje podem trabalhar tranquilamente em seus negócios, viajando pelo mundo, mudando de países, ou ainda fixos em algum lugar, mas com uma liberdade que nunca imaginaram ter.

No final de cada capítulo ele coloca os principais insights, o que ajuda você a fixar ainda mais cada ideia que o autor quer passar. Vou deixar aqui alguns que achei excelentes:

  1. Para se abrir um negócio você precisa de apenas três fatores: um produto ou serviço, um grupo de pessoas disposta a pagar por ele, e um jeito de ser pago. Todo o resto é opcional.
  2. Muitos dos projetos começaram por um processo de transformação de habilidades, portanto se você for muito bom em algo, com certeza será bom em outra coisa também.
  3. A chave para conseguir abrir o seu micro negócio é combinar paixão e habilidade com algo que as pessoas consideram útil
  4. Para que o negócio tenha êxito você precisa criar valor
  5. Quando você conseguir promover mais benefícios essenciais mais fácil será lucrar com sua ideia, isso significa que você deve vender benefícios e não recursos ou características. Benefícios são emocionais, muito mais importantes que características físicas
  6. As pessoas querem aumentar alguns pontos na vida delas como dinheiro, amor, atenção e prazer, além de diminuir outras como estresse, ansiedade e dívidas. Acrescente alguns desses fatores e diminua outros e prepara-se para ser bem pago por isso
  7. Existem diversos micro empreendedores que são nômades, ou seja, possuem liberdade geográfica, entretanto pergunte-se se realmente é isso que você gostaria
  8. Conheça o seu público, mas não somente em termos de características como raça, idade e sexo, mas também em outros termos, como crenças, valores em comum, etc.
  9.  É possível seguir o modismo dando as pessoas mais do que elas esperam e simplificando algum elemento do processo
  10. Foque na ação não no planejamento. Muitas pessoas planejam demais e nunca conseguem fazer com que sua ideia saída do papel, portanto tome uma atitude e planeje conforme avança
  11. Você não sabe como a primeira venda pode ser um grande motivador
  12. Para evitar complicações, tente explicar seu negócio no Twitter, usando apenas 140 caracteres
  13. Foque sempre no benefício que os seus clientes terão diretamente com seu produto ou serviço
  14. O que as pessoas querem nem sempre são o que elas dizem, cuidado com isso
  15. Objeções, mate-as antes de mostrar a oferta
  16. Lembre-se, a diferença entre uma boa oferta e uma excelente oferta é o senso de urgência
  17. Dedique-se 50% à criação e 50% à conexão. Lembre-se um excelente produto mas que tenha poucas pessoas sabendo dele perde para um bom produto que grande parte da população conhece
  18. Hobby e negocio são diferentes, no negócio sua meta principal sempre será ganhar dinheiro
  19. Um negócio tem uma grande possibilidade de ter sucesso quando você poder ser pago mais de uma vez
  20. Avançar aumentando a receita normalmente é mais fácil do que iniciar um novo negócio
  21. Parcerias meticulosamente selecionadas podem criar alavancagens muito mais fortes do que qualquer outro método
  22. Nem sempre é interessante expandir seu negócio, lembre-se dos seus objetivos sempre
  23. A maior lição que você deve retirar do livro é, não desperdice o seu tempo vivendo a vida de outra pessoa

O livro mostra que, não é tão complicado quanto parece você abrir seu próprio micro negócio e seguir em frente a sua vida, muito pelo contrário, é muito mais simples do que aparenta. O que mais me chamou a atenção foram os estudos de caso, onde pessoas perderam o emprego ou sucessões de coisas ruins fizeram com que elas tivessem que encontrar um jeito para se virar, sendo aquela a única saída. Outros aliaram o micro negócio com o atual trabalho, não necessitando deixa-lo de lado, além dos outros que só pediram demissão após terem uma certeza que iriam se dar bem no projeto em que estavam trabalhando.

A questão principal que percebi no livro, é que muitas pessoas têm uma boa opção de largar o emprego atual e viver a vida delas com mais comodidade e liberdade, mas infelizmente disseram não por conta a estabilidade do trabalho e porque estavam sendo aprisionadas ao salário, não que o salário seja o mal do mundo, mas não queriam abrir mão dele e seguir de cabeça no projeto em que estavam pensando, pois tiveram medo do desconhecido. O que comento aqui com vocês é, 99% das coisas que pensamos quando temos medo, nunca irão se concretizar, então, mesmo tendo medo, façam pois se existe algo te incomodando e você não fizer nada, não haverá nenhuma alteração na sua vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Eu, minha moto, e dois mil quilômetros em vinte e nove horas.

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Que sempre fui apaixonado por motos e estrada, isso todos já estão carecas de saber, mas nunca tive a coragem ou melhor, nunca me deixaram ter a coragem de fazer uma longa viagem. Pois bem, decidido a mudar essa história, resolvi antes mesmo de voltar para o Brasil que eu iria fazer uma viagem para o sul, ao estado da Santa Catarina para visitar um amigo que conheci no Canadá. Para tanto, teria que sair da minha cidade no interior do estado de São Paulo, cruzar o Paraná além da metade do meu estado e do estado de Santa Catarina.

É interessante a quantidade de pessoas que desaprovam algo porque elas mesmas não teriam coragem de fazer. Ouvi muitas coisas, desde a possibilidade de ocorrer um problema mecânico a outros problemas como alguém roubar minha moto no meio da estrada, ou ainda problemas de outros condutores de fazerem eu me acidentar. Outros ainda duvidaram da minha sanidade, afinal, onde já se viu dirigir por mais de dez horas seguidas.

Para evitar problemas, resolvi prevenir o máximo para que a moto não tivesse problemas de mecânica. Troquei o óleo, filtro, o pneu traseiro, e as pastilhas de freio, além de pedir para lubrificar a corrente e esticá-la. Feito isso, enchi o tanque e fui viajar.


Depois que fiz essa viagem, percebi que realmente a cilindrada de nada conta em grandes viagens. É lógico que uma moto com mais potência poderia me deixar mais confortável ou poderia me levar ao meu destino mais rápido, porém isso não quer dizer que a minha moto, uma Fazer 250, não aguentou fazer a viagem, muito pelo contrário, além de conseguir aguentar o tranco de ida e volta, hoje ela está mais fácil de dirigir.

Este nascer do sol mostra que a viagem realmente valeu a pena

Marco 0.0km
Acredito que a ligação entre máquina e o piloto é algo que não é fácil conseguir no dia a dia, mas em um momento onde você fica muito tempo pilotando o carro ou moto, você consegue realmente sentir cada momento, cada vibração, cada torque da máquina, passando por você de um jeito que não há nada que tenha a mesma sensação. Você sente que o pneu no asfalto é como se você estivesse correndo, porque é muito fácil medir uma ultrapassagem, uma frenagem, uma necessidade de torque ou ainda uma limitação de potência.

Chegada em
Garopaba
Por fim, aprendi nessa viagem de treze horas de ida e dezesseis de volta, que a felicidade realmente não vem de concluir um objetivo e sim do processo em si. Colocar todo o equipamento, a mochila com roupas, e mandar ver. Parar alguns momentos, apreciar a vista, ter a certeza da felicidade na pequenas coisas, ligar o motor novamente e tocar mais algumas dezenas de quilômetros, conversar com garçonetes e frentistas, dar risada recíproca devido ao sotaque estranho, ganhar um simples olhar ou sorriso de uma linda garçonete e dizer que ela tem o sorriso mais lindo do mundo, deixar o dia dele mais feliz e contente, mesmo que seja por apenas alguns minutos.

Vou contar aqui uma das coisas que ocorreram durante a ida e a volta. Entre as cidades de Ponta Grossa e Curitiba, parei em um restaurante para tomar um café expresso, o meu combustível em grandes viagens. Lá conheci uma garçonete chamada Luci. Moça de cabelos loiros, olhos cor de mel, e que do momento em que me atendeu até o momento que sai do estabelecimento esboçava um sorriso para todos os clientes. Enquanto eu tomava o meu café no balcão, quando viajo sempre tento ficar em pé nos cafés para poder circular melhor o sangue nas pernas, vi que ela estava tomando um esporro do gerente, que no mínimo havia acordado de mau humor. Mesmo assim, Luci não deixou de delicadamente sorrir para todos os clientes. Quando percebi que o gerente tinha saído e havia terminado de tomar o café seguiu-se a conversa:

- Luci, desculpe, acredito que esse seja o seu nome, certo?
- Sim senhor. O senhor deseja mais alguma coisa?
- Na verdade, eu preciso de dizer três coisas, e gostaria que a senhorita não me levasse a mal.
- Tudo bem, pode falar. - O sorriso no rosto dela continuava sereno e doce.
- Primeiro, você é a primeira garçonete em mais de quinhentos quilômetros percorridos que não retirou o sorriso do rosto para nenhum cliente, segundo, que o seu atendimento é excelente, por mais que o seu gerente diga que não, e por fim mas não menos importante, a senhorita é linda, espero que os seus objetivos sejam grandes e que consiga conquistar todos eles. Vou lhe dar uma gorjeta pelo seu serviço - retirei cinco reais do bolso - e prometo que se daqui a uma semana você estiver aqui, dobro a sua gorjeta.

Chegada em casa.
Ela agradeceu, ficou muito sem jeito, aceitou a gorjeta e fui embora, um simples gesto que me custou cinco reais que deixou o dia dela pelo menos um pouco melhor. Peguei minhas coisas e segui viagem, por mais algumas horas.

Neste meio tempo, peguei Sol, tempo nublado, pancadas de chuva, e nada abalou o meu estado de espírito. Acredito que estava tão feliz com ter encontrado a felicidade no processo, que encarava cada dificuldade como novo desafio. Quando cheguei em Garopaba a sensação de dever cumprido foi simplesmente algo inesquecível. Fiquei lá apreciando as praias, festas e baladas durante uma semana.

Simplesmente um lugar maravilhoso
E amizades que duram centenas de quilômetros fazem valer a pena
Na hora da volta para casa, entre conversas de diversos amigos que ficaram no meio do caminho entre Bauru e Garopaba, infelizmente só consegui visitar um em Curitiba, e de maneira muito rápida. Uma amizade selada a quase dez anos e que boa parte das coisas feitas em minha adolescência contam com o nome dele como co-participação.

Amizade que nem a distância e o tempo separa
No outro dia, quando fui de Curitiba até Bauru, passei novamente no restaurante onde Luci trabalhava. Quando entrei não a vi no balcão, então pedi o meu café expresso e estava no mesmo lugar que a uma semana atrás. Enquanto estava tomando o meu café, vi Luci chegando atrás do balcão e do mesmo modo que a uma semana atrás, ela sorriu para mim, e esboçou uma gargalhada ao lembrar de mim, coisa que realmente me deixou impressionado, pois não acreditaria que ela lembraria de mim. Começamos a conversar e ela disse que o que havia dito para ela naquele dia foi o ponto mais alto no serviço dela naquele mês. Disse que não tinha dito nada além da verdade e que ela realmente tinha os dons, talentos e diferenciais que havia comentado. Ela comentou que estava estudando enfermagem em uma faculdade daquela cidade e que o sonho dela era se tornar uma enfermeira e ajudar o máximo de pessoas que conseguisse. Disse a ela que isso era outro dom que ela tinha, de se importar com as pessoas e que era muito difícil encontrar isso. Pedi outro café e cumprindo minha palavra, lhe dei dez reais de gorjeta, mas dessa vez ela recusou, dizendo que aqueles dez reais era uma gorjeta para mim, por ter deixado o trabalho dela mais feliz.

Sabe, acho que o problema do mundo hoje, é que realmente ninguém da importância as pequenas coisas. Uma simples conversa com uma garçonete que possivelmente nunca mais irei ver na minha vida, me trouxe uma felicidade imensa.

A viagem de volta foi bem mais cansativa por conta de estar a uma semana dormindo mal e comendo mal, mas mesmo assim não tirou a beleza dos lugares, das vistas e das pessoas. E uma coisa que aprendi foi a ter respeito pelos caminhoneiros, as pessoas mais odiadas nas estradas que sinceramente foram as mais gentis se comparados aos carros. Fiz uma parada em um agrupamento de caminhoneiros para pedir uma rota alternativa - queria testar uma outra via, para fugir da que já conhecia - e os mesmos caminhoneiros me ensinaram um outro caminho com uma facilidade e gentileza incrível. Portanto, digo hoje desculpas a todos os caminhoneiros que um dia comentei algo ruim, vocês merecem meu respeito e sou muito grato a vocês.

Quando cheguei em casa, a adrenalina corria tanto em minhas veias que demorei muito tempo para conseguir diminuir o ritmo e descansar de verdade. Resumidamente, acredito que esta viagem foi para começar este ano com o pé direito. E uma coisa que digo a todos vocês. LIGUEM O FODA-SE E FAÇAM AQUILO QUE TEM VONTADE, POIS SE DEPENDER DOS OUTROS, VOCÊ NUNCA FARÁ ALGO QUE REALMENTE GOSTA E QUE TENHA UM CERTO RISCO.

Uta!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O reencontro de um amado esporte

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Desde criança sempre me senti excluído nas aulas de Educação Física. Nunca gostei de futebol, paixão nacional, muito menos vôlei e basquete, os dois esportes que apesar de não serem tão famosos quanto o primeiro são aceitáveis socialmente. Sempre tentei encontrar algo que me deixasse com um sorriso no rosto após uma partida ou treino - a academia foi um excelente achado, mas não considero aquilo como um esporte - mas nunca encontrei algo que pudesse dizer que tivesse tesão de praticar. Karatê, Judô, Aikido, Muay Thay, todas as artes marciais consideradas pops no Brasil também já havia tentado - vale ressaltar que até o presado momento não encontrei nenhuma academia na minha cidade onde ensinam o boxe tradicional, mas ainda estou a procura. Até que, um dia, este amigo meu que está ao meu lado na foto, me mostrou o paintball.

Para quem não sabe, o paintball é um esporte de combate, onde cada jogador é munido de um marcador - muito comumente chamado, de maneira errada, de arma - onde é disparado bolinhas de tinta com ar comprimido. Existem diversos tipos de jogos, como o speed, cenário, real action, enfim, o paintball é um esporte muito versátil onde homens e mulheres podem jogar de igual para igual, além de ser atualmente um dos esportes que mais cresce em número de praticantes, tendo hoje mais esportistas do que surfistas.

Havia jogado algumas partidas antes do intercâmbio, e lá fora ainda tive a oportunidade de jogar em campos mais abertos e na neve. Após vários anos tentando encontrar algum esporte, percebi que no paintball consigo dizer que sou feliz, após uma partida, embaixo de um Sol de quarenta graus, em uma cidade onde a umidade estava a menos de cinquenta porcento naquele dia, mas nada substitui o prazer de jogar uma partida deste esporte.

O que mais me chama a atenção no paintball é que uma partida, não é igual a outra, como eu acreditava ser em todos os outros tipos esportes, afinal, a sua estratégia muda conforme a estratégia do inimigo muda, além, logicamente de no meio da partida, algum jogador chave ser eliminado e você ter que cobrir o flanco que ele estava protegendo, tendo que proteger dois lados, sendo a mira de dois ou mais inimigos ao mesmo tempo, sabendo que se vacilar, terá um novo roxo no corpo para contar história. Outro ponto que adoro neste esporte é que nunca sai do campo e as pessoas estavam brigando, sempre voltavam da partida cansadas, com sede, mas com um sorriso no rosto se vangloriando ou brincando com o outro jogador por ter tomado um tiro sem saber de onde veio. Novas amizades surgiram durante os jogos, sem contar a experiência trocada a cada nova conversa.

O paintball é um esporte que, por mais que você acredite que não precisa de preparo físico, é o que mais me deixa cansado, pois você precisa a todo momento estar agachado para não ser eliminado do jogo. Precisa correr entre as barreiras para avançar posição, ou ainda correr para alcançar um local privilegiado no começo do jogo, sem contar que, aquele que não muda de posição é considerado um jogador a menos, pois após ser spotado é questão de tempo para os outros jogadores fixem você como alvo.

Este esporte também é utilizado para reconhecerem possíveis líderes dentro de uma amostra de pessoas, pois sempre haverá aquele que em meio a um determinado momento irá comandar os outros para que consigam ganhar a partida. Há aqueles que também gereciam partes das pessoas, também chamados de líderes de pelotão, onde conseguem através de uma tática em uma fatia de um campo com poucas pessoas se mostrar excelente estrategista, conseguindo fazer com que pessoas que nunca jogaram este esporte se tornem peça chaves para a captura de um ponto. Além dos atributos individuais de cada pessoa, como por exemplo, o medo, onde normalmente as pessoas que ficam próximas da base ficam, os que correm riscos, que são aqueles que se arriscam a conseguir um ponto mais distante mesmo que isso signifique correr em meio ao fogo cruzado, ou ainda ficar cara a cara com o inimigo, os inconsequentes, que são aqueles que não acatam as dicas ou ordens e fazem tudo com a ideia de, eu por mim e deus por todos. De maneira geral, este esporte é realmente o esporte que eu estava procurando, e recomendo a todas as pessoas que o pratiquem, logicamente, com as devidas proteções, deixe a ausência das mesmas para momentos onde você esteja mais habituado com a possibilidade de tomar uma bolinha de tinta a alta velocidade onde possivelmente lhe deixará um roxo por algumas semanas.

Uta!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quando não se fazer concurso público

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Como o título da postagem vai trazer muita discussão, já quero deixar claro que não sou contra as pessoas que são concursadas ou estão tentando entrar em algum cargo que exija um concurso. Tenho várias pessoas na minha família e amigos que são concursados e muitos deles são competentes e trabalham mais do que qualquer outra pessoa no ramo privado. A questão dessa postagem é saber quando se deve ou não fazer concurso público.

Se você tem tesão por alguma área que exija concurso público, como por exemplo, juiz, procurador geral da república, gosta de trabalhar com eleições e seu sonho é trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral, ou ainda tem uma vontade de ajudar a população e gostaria de ter um trabalho no estado para ter mais acesso a isso, então o concurso público é para você. O concurso público deve ser tratado como uma carreira qualquer, assim como em uma empresa privada, você analisa verifica se aquele trabalho é o que realmente quer e almeja para a sua vida, dai é só correr atrás dele, ponto.

Agora, se você está prestando concurso público por dois motivos principais que atraem várias pessoas que são, salário e estabilidade, está na hora de rever seus conceitos. Primeiro que as pessoas que procuram estabilidade em concursos públicos, na minha singela opinião, são pessoas que não conseguem um retorno além da mediocridade, afinal, uma pessoa que tem resultados não tem medo de instabilidade das empresas privadas, porque a primeira pessoa a ser cortada é o pessoal que não trabalha direito ou trabalha mas não consegue bons resultados. Ir para o concurso público por conta de estabilidade, que hoje em dia com a crise que está assolando o Brasil, esta estabilidade é até questionável, é assinar contrato de baixa produção ou ainda de mediocridade.

Sobre o segundo ponto que é o alto salário em relação as empresas privadas; vou contar uma história bem simples que vários nikkei faziam nos anos noventa. Quando você é descendente de japoneses, você podia ir para o Japão à trabalho. Muitos dos meus familiares fizeram isso, foram para lá para trabalhar ou na industria pesada ou na área de montagem de produtos, como carros, eletrônicos e tudo o mais. A grande maioria deles foi para voltar, entretanto muitos deles foram para permanecer nas terras do Sol Nascente. Enfim, dos que pensaram em ficar por lá, apenas um realmente ficou, porque ouvidos da boca deles, "não compensa ganhar cinco mil reais por mês para apertar parafuso durante oito horas por dia, cinco dias na semana". E essa frase resume o que quero dizer sobre tentar concursos por dinheiro, e não pelo trabalho. Quantas pessoas eu conheço que dizem assim, "cara, abriu um concurso aqui, para polícia florestal, quatro mil e você só precisa ter ensino superior!", dai você responde, "legal cara, mas o que o pessoal deste concurso faz? Você conhece o dia a dia da profissão?", e a resposta é, "e o que importa? São quatro mil reais por mês!". Concurso público não é um cardápio de restaurante onde você escolhe o mais fancy, pelo amor de Deus!

Você tem que ter noção de que terá que trabalhar com isso durante mais da metade da sua vida. Vamos fazer alguns pequenos cálculos. Você começa a trabalhar em um emprego público aos vinte anos, você irá se aposentar aos sessenta, isso são quarenta anos. Um ano normal tem em média duzentos e cinquenta dias úteis; quarenta anos são dez mil dias úteis, trabalhando oito horas por dia, são oitenta mil horas de trabalho. Agora imagine você trabalhando oitenta mil horas apertando parafuso. Você no final da sua vida vai se sentir uma pessoa que deu algo em troca para a sociedade? Já pensou nisso? Ou será que vai ser aquelas pessoas que dizem que o trabalho não enobrece o ser humano? Ah, só para constar, o trabalho é o que você realmente é! Não venha com essa de que você não é o seu trabalho, citando frases do filme Clube da Luta, afinal, Durden tinha uma empresa de sabão de sucesso e ainda controlava uma empresa filantrópica multinacional, então até ele era o trabalho dele, mesmo dizendo essas frases bonitas.

Olha, vou mostrar uma boa saída pra você que quer um concurso público por estes dois motivos. Primeiro, veja o quanto você gasta, em dinheiro e tempo, para estudar para os concursos. Muitas das pessoas que estudam, precisam de foco para conseguir passar, portanto, não trabalham. Imagine que, com esta mesma cifra que você gasta tentando passar em um concurso público e com dez porcento do que você gastou de tempo, você poderia fazer cursos ou MBA's para dar uma melhorada no seu currículo e se tornar um empregado melhor, com um melhor salário e mais preparado para o mercado do trabalho. Quem trabalha somente pelo dinheiro será uma pessoa desiludida na vida. Quem trabalha por estabilidade, será sempre um medíocre. Pergunto, você gostaria de ser uma pessoa desiludida e medíocre? Então pense bem antes de tentar um concurso público.

Uta!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Por que você anda de moto?

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Robert Pirsig, escritor americano, um dia disse:
Dentro de um carro, você sempre está envolto em um compartimento, e por conta de estar acostumado a isso você não percebe que a janela do seu carro, nada mais é que uma televisão. Você é um observador passivo, e tudo passa por você de modo entediante dentro de um quadro. Quando você está em cima da motocicleta, o quadro se fora, você agora está em contato com tudo, você é a cena, não apenas um observador, e a presença disso é indescritível.
Acredito que nunca tenha havido um momento em minha memória, onde eu pensei em trocar minha moto por um carro ou algum outro veículo. A minha vontade por dirigir motos sempre esteve presente em minha vida, assim como um homem com fome tem desejo de uma comida, e o cego tem a ânsia de poder um dia enxergar, porém nunca pensei o real motivo pelo qual eu ando de moto, até que em uma conversa de bar com amigos a pergunta foi feita. É lógico que nos primeiros pensamentos foram inundados por aquelas frases clichês como, porque é liberdade; porque eu gosto; porque me sinto vivo; mas qual o significado que teria para uma pessoa que nunca teve o prazer de ter seu braço direito paralisado pelo esforço de puxar o guidão para acelerar; uma pessoa que não sabe o que é ter o pé esquerdo de todos os sapatos e tênis uma marca exatamente em cima do dedão, local onde a marcha é trocada; um ser humano que não sabe o misto de medo, temor e paixão que é entrar em um corredor estreito de carros parados em um semáforo; como explicar para uma pessoa que nunca teve essas sensações e experiências, frases que nós motoqueiros sentimos todas as vezes que damos partidas em nossas motos e nos tornamos apenas um ser, um ciborg, onde homem e máquina se fundem e se entendem? Para tentar encontrar uma frase que possa ser explicada para este tipo de pessoa, eu tentei fazer uma análise do meu passado para encontrar o real motivo.

Ao se fazer uma retrospectiva, percebi que o amor pelas duas rodas, ainda totalmente incompreendido, começou antes mesmo de ter o poder de controlar uma máquina dessas. Com dez anos fui a um encontro de motoqueiros com o meu pai. Meus olhos fitavam as motos, na época, grande parte delas eram do tipo custom e seus donos eram homens com cara de mal, que usavam aqueles coletes de couro para se distinguirem de seus clubes de motos e mostrarem quem era quem, apesar de grande parte deles haverem em seus rostos a mesma configuração, barba grande, cabelos cortados, ambos grisalhos e olhos que pareciam de almas que tinham visto pela primeira vez a imensidão do paraíso. Esta imagem perdurou na minha cabeça até os meus dezoito anos. Esperei o meu décimo oitavo aniversário como uma criança pequena espera o presente de Natal, e em menos de uma semana após ter completado dezoito anos já tinha entrado com o processo para a retirada da carta de moto e de carro. Naquele tempo, meus pais possuíam uma potente CG 125 que ainda está em nossas mãos. A necessidade de dirigir era maior que o gosto, não vou mentir, no começo da minha vida de motorista. Em dias de frio e chuva, trocava as duas rodas pela gaiola de metal dos carros, e só subia na cela da moto pela comodidade e praticidade que era dirigir uma em meio aos carros no complicado transito do centro da cidade. Depois dos vinte anos, já andava de moto mesmo quando havia chuva ou frio, momentos onde o carro já era confortável, agora se tornava um peso mesmo que chegasse em meu destino mais quente e menos encharcado da chuva. Naqueles momentos eu percebia que por mais complicado o trajeto ficava e às vezes, até mesmo, penoso, mais eu gostava e mais me sentia feliz em fazê-lo. Não era ruim para mim ter que vestir a capa de chuva, ou passar um frio que me deixaria com dor de garganta os próximos três dias. Quando troquei a moto por uma Fazer 250, foi quando eu fiquei viciado na injeção de adrenalina, a velocidade.

Antes de ir para o Canadá, a velocidade se tornara uma paixão, coisa que não conseguia encontrar no carro, mas somente na moto. A sensação de estar nos corredores, passar a cinquenta, às vezes sessenta quilômetros por hora em meio aos carros no congestionamento, piscando a luz alta e buzinando, tendo aquele medo de se algo de errado ocorre-se, sentindo o risco em minha volta, a cada segundo, a cada acelerada, a cada desvio seco que fazia com as mãos no guidão. Aquela tensão que criava nós nos músculos do ombros que ficavam por lá semanas, era algo que me fazia sentir alegre, contente, e indiferente do que ocorrera no meu dia, naquele exato momento não havia passado, nem presente, somente o momento, o agora, onde tudo era importante e o resto de nada valia. Neste época o meu sonho ainda era ter uma moto  custom, as linhas dos contornos das motos da Harley Davidson pareciam os contornos dos corpos das mais belas mulheres do mundo. A mecânica por trás daqueles motores e pistões cromados pareciam o pulsar de um coração à mostra, com o tórax aberto onde um cirurgião poderia colocar as mãos à obra. A vontade de ter uma moto dessas, com dois pistões subindo e descendo entre as minhas pernas ainda era absurdamente grande, não tinha o mesmo tesão pelas motos carenadas ou até mesmo as naked, imagina então uma trail ou de trilha. Neste momento era como um homem que gostasse apenas das loiras de olhos azuis, e as demais mulheres eram apenas uma infeliz alteração genética dessas beldades.

Ao voltar do intercâmbio, com uma abstinência de pouco mais de dezoito meses sem colocar a mão em um guidão e com a cabeça mudada em muitos aspectos já comentados no blog, e o gosto pelas motos também foi alterado. Já não se fazia necessário uma moto custom, mas qualquer estilo tinha seus benefícios e pontos positivos. As customs tinham um ar de soberania e poder, as carenadas tinham seu ar de velocidade, as nakeds o jeito híbrido de velocidade e poder das anteriores, as trails de serem inalcançáveis e as de trilha de serem donas das estradas e do mundo. Cada uma com suas belezas, assim como as mulheres com cintura fina, as loiras e seus cabelos que chamam atenção, as mulatas com sua cor do pecado, as de bunda grande que sobressaltam os olhos, ou as de peitos fartos que não conseguimos parar de olhar, até mesmo as gordinhas e magrinhas com seu ar de exigência de respeito, todas elas lindas e maravilhosas, todas com o suas maravilhas. Após voltar a andar neste período de pouco mais de um mês, de ver todos ficando para trás, e ter a oportunidade de pegar uma moto de seiscentas cilindradas e colocar mais de duzentos e quarenta quilômetros por hora em uma estrada, o fogo da paixão pelas duas rodas voltou a arder e então após essa volta ao passado, eu consegui descrever o motivo pelo qual eu ando de moto:
Eu ando de moto porque em cima dela não preciso pensar em mais nada a não ser no momento. É como se o passado e o futuro não existissem, é como se nada fosse importante a além do momento que estou dirigindo-a entre o ponto de partida até o meu destino. Mas ao contrário do carro onde ele é como um cavalo, que precisa ser domado, no caso da moto, não há outro ser ou coisa... a moto se torna você. Os seus sentidos são passados para a moto, como se naquele momento suas veias corressem gasolina e óleo, os seus músculos fossem movidos pelo seu coração de pistão que explode a cada contração, e como se seus olhos brilhassem como os faróis. Quando eu ando de moto é como se eu escrevesse um livro que a cada página escrita o fogo a queimasse de imediato, como se cada papel que eu terminasse de escrever fosse comido pelo tempo, e sumisse aos meus olhos de escritor, mas que fosse impossível parar de escrever. Eu ando de moto, porque é o momento em que não existe amores, traidores, amigos, inimigos, pessoas, ou qualquer outra coisa que estivesse no seu caminho. Eu ando de moto, porque cada acelerada, cada nova paisagem vista é como se fosse um banho após um dia duro de trabalho, que rejuvenesce a cada gosta que cai no meu rosto. Eu ando de moto, porque não há como descrever o sentimento de felicidade e alegria que você sente ao mesmo tempo que o medo da morte se faz presente. Eu ando de moto, porque sou e sempre serei um motoqueiro.
Uta! 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Estagiário - O que aprendi no Canadá - Parte 02

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Segundo vídeo sobre o que aprendi no Canadá. Dessa vez eu comento sobre algo que tenho certeza que vai pegar no calo de muitas pessoas, porque quando eu realmente percebi meus atos, doeu e não foi pouco.
Neste vídeo vou falar sobre o fato de nós utilizarmos da passividade para retirar o peso da consciência para não ajudar os outros, ou escolher algo mais fácil ao invés de tentar realmente ajudar e resolver o problema de certas pessoas.
Escolhemos rezar, orar, compartilhar ou repassar vídeos, textos e comentários sobre pessoas com problemas ao invés de realmente tentar ajudar. Na verdade, escolhemos não ajudar, mas para não dizermos que não fazemos nada, tentamos acalmar nosso ego fazendo nada além de ações que sabemos que realmente não irá ajudar.



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Uta!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Estagiário - O que aprendi no Canadá - Parte 01

Escrito por with 5 comentários
Seguindo a ideia dada pelo Rover, vou fazer uma série de vídeos comentando sobre o que aprendi durante minha estadia de um ano e meio no Canadá. Começando por uma das coisas relativamente simples, mas que muitas vezes ainda nos esquecemos...



Uta!